MUNDO INVISÍVEL (Crítica)

MUNDO INVISIVEL

Sensível, poético e necessário.

Por Emílio Faustino

Imagine por um momento se te dessem uma folha em branco e pedissem para você desenhar o invisível, o que você faria? Complicado, né?! Mas foi exatamente este o desfio que cineastas do mundo inteiro toparam fazer, só que a ao invés do papel, eles utilizaram a tela do cinema para retratar, quem diria: O invisível!

O que vemos em “Mundo Invisível” é muito mais do que aquilo que não se vê, o filme mostra entre outros aspectos, aquilo que preferimos não enxergar e aquilo que comumente desaprendemos a ver. Um convite à reflexão, o longa propõe um debate sobre a invisibilidade, expressa nas suas mais variadas formas.

Fazendo valer a máxima: “uma imagem diz mais que mil palavras”, o filme transita entre o formato de documentário e dramaturgia. Tendo seus momentos mais inspirados quando o filme se aproxima de documentário, através de entrevistas e imagens do cotidiano.

Já as cenas com falas pré-estabelecidas nem sempre conseguiram funcionar e transmitir a espontaneidade esperada. Como por exemplo, a cena do curta “Do visível ao invisível”, onde duas pessoas se reencontram na rua (até então visíveis uma para a outra) e após os respectivos celulares tocarem, elas tornam-se “invisíveis”, mesmo estando frente a frente.

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A proposta que tem por objetivo mostrar o paradoxo da tecnologia que ao mesmo tempo que aproxima também afasta, é muito boa e pertinente, porém mal executada em parte graças a atuação que ficou bem aquém dos demais curtas apresentados.

Sensível

Em contrapartida, temos um excelente trabalho de atores no curta “As aventuras do homem invisível” que aborda a questão da invisibilidade social, ou seja: aquelas pessoas que fazem parte do nosso cotidiano como o cobrador de ônibus, o gari, o garçom e que mal sabemos o nome ou olhamos no rosto. Destaque para a atuação de Denise Fraga, que mesmo em uma passagem rápida, consegue transmitir emoção e intensidade através da sua personagem deficiente visual.

Talvez esteja na pluralidade de olhares, formatos e propostas a maior riqueza do longa. Que faz uso de uma fotografia belíssima e conta com uma trilha sonora agradável que conversa muito bem com as cenas apresentadas. Outras aspecto que também chama atenção, são as tomadas de câmera, que foram planejadas e estudadas, isso fica visível logo no primeiro curta, que por sinal tem um desfecho esteticamente muito interessante.

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Poético

O filme em si é o que poderíamos chamar de poesia audiovisual, que explora os contrastes, como na cena de um jovem bem vestido e agasalhado em cima de um viaduto pensando na vida, totalmente obstante de que em baixo dele havia uma família de moradores de rua se protegendo do frio apenas com papelões.

Esta passagem nos faz pensar, porque enquanto a imagem esta apenas no jovem, você para pra pensar no que ele poderia estar pensando e ao abrir da câmera que expõem a imagem da família ao relento, qualquer pensamento anterior do que o jovem poderia estar pensando, se torna pequeno e insignificante.

Necessário

Mais do que ver o filme, você se vê (quase que literalmente) . Sim… Porque em um dos curtas o diretor teve a genial ideia de filmar os telespectadores e suas reações assistindo um filme no cinema. Inevitável ver esta cena e não repensar a sua postura na poltrona do cinema (afinal, vai que estão filmando de novo).

Após a exibição dos 11 curtas, que fluem muito bem, haja vista que ao término de cada curta, o expectador se enche de expectativa para tentar adivinhar de que forma a invisibilidade será abordada no próximo curta, o que se vê é o levantamento de uma série de perguntas que o filme não tem a menor pretensão de responder, mas nos faz repensar: Eu estou enxergando o próximo? Eu estou me enxergando? O amor está naquilo que se mostra em um anel de brilhantes ou no que se esconde entre um casal de homossexuais que se amam mesmo não podendo expressar abertamente para a sociedade o que sentem? Você prefere ser visível fazendo aquilo que não gosta ou ser invisível fazendo aquilo que gosta?

“Mundo Invisível” estreia em todo Brasil no dia 7 de junho.

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SINOPSE

Doze diretores convidados pela organização da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo apresentam sua visão sobre a invisibilidade nos dias atuais, a partir de segmentos rodados na cidade de São Paulo.

DIREÇÃO

Manoel de Oliveira, Jerzy Stuhr, Guy Maddin, Gian Vittorio Baldi, Marco Bechis, Wim Wenders, Maria de Medeiros, Theo Angelopoulos, Atom Egoyan, Laís Bodanzky, Beto Brant, Cisco Vasques

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Caio Gullane, Débora Ivanov, Fabiano Gullane, Gabriel Lacerda, Leon Cakoff e Renata de Almeida
Título Original: Mundo Invisível
Gênero: Drama
Duração: 1h 33min
Ano de lançamento: 2013
Classificação etária: 14 Anos

TRAILER

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