NA ESTRADA (Crítica)

NA ESTRADA

Uma bela viagem

Eu infelizmente não consegui ler o On the Road de Jack Kerouac antes de ver o filme, mas depois de assisti-lo não vejo a hora de devora-lo. Esse é um dos grandes méritos do filme, consegue despertar em que não leu um forte interesse pelo livro e por conhecer melhor todo esse movimento que o livro representa.

Lendo o release do filme descobrimos que Keroauc escreveu o livro em 1951, no lendário rolo de quase 40 metros. Nele conta à história quase autobiográfica dessa viagem, tudo em apenas três semanas. O livro só foi publicado em 1957 e se tornou um marco para aquela geração, que buscava liberdade em todos os sentidos.

Na trama Sal Paradise (Sam Riley) é o auterego de Keroauc um aspirante escritor que acaba de perder seu pai e que logo após sua perda acaba conhecendo Dean Moriaty (Garrett Hedlund) que lhe apresenta ao um mundo que ele não conhecia de liberdade sexual, no uso de drogas e de bebida. Essa aproximação transforma a vida deles para sempre, e sela uma amizade forte e intensa. Ambos então viajam pelas estradas do interior dos Estados Unidos sempre buscando fugir do cotidiano e da vida cheia de regras e durante esse percurso se envolvem com homens e mulheres sempre com muitas drogas e bebidas e sem contar muito sexo.

O roteirista José Rivera (Diários de Motocicleta) junto com Salles buscou nos manuscritos de Kerouac (que só foram publicados em 2007) a inspiração para o filme e tentaram ali buscar a essência necessária para transformar o longa-metragem em algo tão intenso e representativo como livro. É por isso que alguns personagens ou passagens do livro são nos filmes diferentes.

Rivera não transforma essa história em algo grandioso, pelo contrario faz um trabalho intimista e quase sensorial, é através da buscam de cada um dos personagens que podemos entender essa viagem.

Salles tem grande mérito de fugir dos clichês ou de formulas prontas da maioria dos road movies, pelo contrario ele usa da metalinguagem expressa já no texto do livro para desenvolver seu filme, além de usar de forma muito eficiente uma grande gama de simbologias para compor a narrativa da história. Além disso, não tem medo de fazer um filme sincero e cru, onde vemos muito nu, uso de drogas, sexo heterossexual e homossexual, tudo para mostrar a libertação dos conceitos ditos certos.

Outro grande acerto de Salles foi na escalação do elenco que se mostra muito inspirado, muitos, fazendo o seu melhor trabalho até hoje.

NA ESTRADA01

Entre esses tem Kristen Stewart que faz a Marylou, aqui realiza mais uma vez um excelente trabalho em sua carreira, sim porque se você só a conhece de Crepúsculo saiba que essa jovem atriz já realizou grandes trabalhos e esse é mais um grande momento tanta na composição quanto em sua atuação, mesmo que pequena sua aparição é marcante e completamente autentica não tenho nenhum resquício da “sonsa” Bella do blockbuster juvenil.

Mais sem dúvida o grande e marcante papel ficou nas mãos de Garrett Hedlund que faz Dean, sua entrega ao personagem é de causar arrepio em alguns momentos. Ele consegue compor um personagem único que exala sexo a cada aparição, o fascínio que o personagem causa em homens e mulheres durante na história é facilmente sentido pelo espectador. Ele toma para si toda a atenção e sem dúvida faz a melhor atuação em sua carreira.

Outros nomes como Sam Riley, Viggo Mortensen, Kristen Dunst e até Alice Braga também estão ótimos dando para a fita todo o poder sensorial e representativo que buscou Salles.

Vale destacar dois ótimos detalhes técnicos do longa-metragem a MARAVILHOSA fotografia do francês Eric Gautier e a trilha sonora perfeita que mistura Jazz e Blues, o casamento perfeito para sonorizar as mudanças ora frenética ou melancólica dos personagens durante a projeção.

Não é um filme marcante ou mesmo imperdível, mas sem dúvida é mais um sensível registro de Walter Salles que vale a pena conferir, seja porque você já leu o livro ou porque quer saber como era essa geração que buscou a liberdade de expressão, do amor, do sexo e de tudo que estava ao seu redor.

DESTAQUE

Para direção de arte que como era de se esperar, consegue nos levar para os anos 50 no interior dos Estados Unidos e também na cidade de Nova York de forma impecável.

SINOPSE

Nova York, Estados Unidos. Sal Paradise (Sam Riley) é um aspirante a escritor que acaba de perder o pai. Ao conhecer Dean Moriarty (Garrett Hedlund) ele é apresentado a um mundo até então desconhecido, onde há bastante liberdade no sexo e no uso de drogas. Logo Sal e Dean se tornam grandes amigos, dividindo a parceria com a jovem Marylou (Kristen Stewart), que é apaixonada por Dean. Os três viajam pelas estradas do interior do país, sempre dispostos a fugir de uma vida monótona e cheia de regras.

NA ESTRADA02

ELENCO

[do action=”cast” descricao=” Sam Riley (Sal Paradise)” espaco=”x”]01 Sam Riley[/do][do action=”cast” descricao=” Garrett Hedlund (Dean Moriarty)” espaco=”x”]02 Garrett Hedlund[/do][do action=”cast” descricao=” KirstenDunst (Camille)” espaco=”x”]03 Kirsten Dunst[/do][do action=”cast” descricao=” KristenStewart (Mary Lou)” espaco=”br”]04 Kristen Stewart[/do]

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Walter Salles” espaco=”br”]Walter Salles[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Jose Rivera
Título Original: On The Road
Gênero: Drama
Duração: 2h 20min
Ano de lançamento: 2012

TRAILER

4estrelas

Comente pelo Facebook