NA PRÓXIMA, ACERTO NO CORAÇÃO (Crítica)

NA PROXIMA ACERTO NO CORACAO

4emeio

Por Kadu Silva

Um estudo perturbador e humano de um psicopata

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O cinema de Hollywood tem diversos exemplos de produções, que retratam o comportamento de doentes mentais, e na maioria das vezes seu enredo tem o padrão esperado no contar da trama, com raras exceções. Chega no Brasil, um filme francês, Na próxima, acerto no coração, que aborda o mesmo tema e felizmente, tem uma linguagem própria, um frescor delicioso para este tipo de produção.

O longa se passa na França, Oise, no final dos anos 70, onde conhecemos Franck (Guillaume Canet) um policial correto, e exemplo para seus colegas. Mas ele esconde um segredo, nos dias de folga, comete frios assassinatos de jovens mulheres, a quem dá carona. Apesar deste comportamento, Franck, sempre se mostra arrependido de seus crimes, mas a ânsia de matar, sempre fala mais alto. Este descontrole mental, sobre o certo e o errado, acaba, fazendo com que ele, deixe pistas, o que pode acabar com sua “dupla vida”.

O roteiro de Cédric Anger, acerta em cheio em priorizar a mente de Franck, vemos o descontrole nas atitudes, a busca por afeito, que aqui é caracterizada na relação “bem esquisita” com a jovem Sophia (Ana Girardot), que trabalha arrumando sua casa, a frieza em alguns momentos com o irmão e com a família, ou seja é colocado uma lente de aumento em seu comportamento. Numa é priorizado os assassinados, quando eles acontecem o que vemos é a forma angustiada que Franck fica ao realiza-lo.

A fotografia estupenda de Thomas Hardmeier (Uma Viagem Extraordinária) contribui para tornar toda a narrativa sombria e para ressaltar o clima de suspense, que acaba acontecendo, quando Franck começa a perder o controle de suas atitudes. Outro elemento fundamental para este clima é a trilha sonora de Grégoire Hetzel (Incêndios), que lembra muito os clássicos de Hitchcock, é um trabalho brilhante!

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Certamente os méritos de tudo acontecer corretamente, credita-se ao diretor Cédric Anger (O Homem Que Elas Amavam Demais), que além de saber escolher os profissionais que estão ao seu redor, teve um trabalho muito competente em nunca exagerar no bizarro, o importante, sempre foi entender o porque das atitudes do personagens ou pelo menos dar ao espectador a sensação de voyeur. É por isso, que a plateia é hipnotizada do começo ao fim pela trama perturbadora deste homem. Durante a projeção, a todo momento, vem a pergunta, até onde ele vai com isso? Será que se ele começar a se envolver com a Sophia, isso vai acabar ou ela será sua nova vítima?

Entre os acertos, vale destacar a atuação visceral de Guillaume Canet, que além de saber dosar o tom do homem desnorteado, também soube compor um olhar singular para seu personagem, ele deixe o espectador sempre apreensivo sem saber o que pensar sobre suas atitudes. O homem que aos olhos da sociedade parece um monstro, na verdade, vive angustiado, sem saber lidar com seus impulsos, o arrependimento e a punição que ele se dava, após cada crime, só reforma isso. É neste momento, que ainda que se repudie seus atos, Canet consegue de forma, brilhante, tirar o sentimento de pena da plateia, tornando seu personagem único.

Apesar de todos os elogios citados, infelizmente o filme tem um defeito importante, seu desfecho é frágil (ruim) e todo os acertos que foram acumulados durante o filme acabam se perdendo e um longa que poderia entrar para o hall das grande obras de suspense, desperdiça esta grande chance, torna-se, só mais um filme qualquer.

Na próxima, Acerto no Coração, ainda que erre no seu desfecho é um prato cheio para quem gosta de suspense de qualidade e o melhor consegue uma linguagem própria para contar sua história, sem fazer uso da cartilha manjada de Hollywood.

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SINOPSE

Oise, França, 1978. Franck Neuhart (Guillaume Canet) é um policial que, nos dias de folga, comete frios assassinatos ao matar jovens mulheres a quem dá carona. Ninguém tem a menor pista de quem seja o autor dos crimes, sendo que o batalhão onde Franck trabalha é responsável pela investigação. Sem conseguir conter a ânsia em matar, Neuhart começa a se envolver com a jovem Sophie (Ana Girardot), que trabalha em sua casa e é perdidamente apaixonada por ele.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Cédric Anger” espaco=”br”]Cedric Anger[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Cédric Anger
Título Original: La Prochaine fois je viserai le coeur
Gênero: Policial , Drama
Duração: 1h 51min
Ano de lançamento: 2015
Classificação etária: 16 Anos

TRAILER

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