NO CAMINHO DAS DUNAS (Crítica)

NO CAMINHO DAS DUNAS

3estrelas

FICHA TÉCNICA

Título Original: North Sea Texas
Ano do lançamento: 2011
Produção: Bélgica
Gênero: Drama
Direção: Bavo Defurne
Roteiro: Bavo Defurne, Yves Verbraeken e André Sollie

Sinopse: Pim é um menino quieto. Um sonhador. Ele vive com sua negligente mãe Yvette em uma pequena cidade da costa belga em meados da década de 70. Pim cresce desenhando e sonhando com uma vida de fantasia, e chega à adolescência mantendo seus desejos emergentes em segredo. Aos 15 anos, seu maior sonho é seu amigo e vizinho Gino, por quem alimenta uma grande e não correspondida paixão.

Por Jason

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O começo de North Sea Texas nos dá uma noção da confusão na cabecinha do garoto Pim. O menino é filho de uma ex miss e acha que é uma princesa, se vestindo com os aparatos femininos da mãe Yvete. Ele não tem pai e a mãe é relapsa, infeliz, amarga, mal amada e interesseira. Ao ser pego pela mãe no dia em que está montado, Pim se refugia na casa do vizinho, Gino. É por ele que Pim, aos quinze anos, estará apaixonado, trocando experiências sexuais de descoberta com o rapaz que logo será maior de idade.

O problema é que Gino começa a deixar Pim de lado para se envolver com uma menina, Françoise, e abandona o lar para viver longe da família. O que para Gino era apenas brincadeira, para Pim, no entanto, significava muito mais que uma descoberta – era um relacionamento, o amor e carinho que ele nunca tivera, fosse de pai, de irmão, de namorado ou de mãe. A irmã de Gino, Sabrina, curiosa e apaixonada por Pim, acaba descobrindo a relação dos dois, mas não sabe que atitude tomar – se deve contar ou não para a mãe. Interessante notar que ambos são filhos de famílias desestruturadas e mães solteiras, mas enquanto a mãe de Pim é descuidada, a mãe de Gino, doente e sofredora, é mais cautelosa e praticamente adota Pim como seu filho. Quando Yvete passa a flertar com um rapaz, Pim acaba abandonado e a morte da mãe de Gino traz de volta o sentimento que havia se perdido com o tempo entre os dois rapazes.

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Todo o elenco é bom, mas o elenco adolescente é superior ao restante. Como Pim, o jovem ator Jelle Florizoone consegue passar todo o drama de ser um adolescente gay, retraído, sensível, sonhador, confuso, ciumento e carente. Para manter uma espécie de identidade – ou tentar criar uma -, Pim mantém objetos que gosta em uma caixa, assim como objetos de Gino que o faz lembrar e nutrir seu amor por ele. É ingênuo, imaturo e, quando consegue a clareza suficiente para entender o turbilhão de sentimentos pelo qual está passando, rompe com suas lembranças e renasce – ele queima os objetos e vai nadar nu -, numa cena claramente simbólica de libertação e crescimento, de rito de passagem para a maior idade. Ele e o ator Mathias Vergels (um degrau abaixo) parecem bem a vontade nas cenas de beijo e de relações sexuais.

Não falta estética ao filme, seja na paleta de cores usadas na fotografia ou nas cores dos cenários, que parecem – notem – todos sem graça, quando não escuros, contrastando com a blusa amarela e viva de Pim. O que falta ao filme é densidade dramática e ritmo. O filme parece durar bem mais do que dura. Yvete, a mãe de Pim, embora carregue toda complexidade de uma mulher que achava que podia ter todos os homens aos seus pés mas que foi castigada com o tempo, é um personagem que beira a caricatura tragicômica e outros personagens, que contribuem direta ou indiretamente para o desenvolvimento de Pim não se desenvolvem (o próprio cigano com o qual a mãe se envolve e desperta excitação no menino é um deles). Resta, no entanto, um bom e sensível filme sobre a descoberta e o desabrochar da sexualidade, seus prazeres, mistérios, dores e felicidades.

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TRAILER

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2 Comentários

  1. Sávio

    Muito bonito o filme, deixa uma sensação que creio que só uma pessoa que passa ou pode passar por isso consegue sentir no final….