NO RISCO DO CIRCO, NO RISCO DA VIDA (Crítica)

Igor Pinheiro

Durante a coletiva de imprensa do festival Reimagine Rio, uma das diretoras dos cinco filmes do projeto, Kátia Lund (Cidade de Deus e Notícias de uma Guerra Particular) destacou que sua paixão pelas temáticas sociais vem muito de ver a luta das pessoas para realizar suas vontades e fazer o que quiserem. No Risco do Circo, No Risco da Vida é um exemplo disso, pessoas sendo felizes apenas por estarem em uma escola de circo, um ambiente de entretenimento bastante esquecido e subestimado.

A mãe de uma das personagens não aceita muito bem o fato da filha estar no circo e não faz nada para impedir isso, mas não aparece na noite de sua grande apresentação. Outra mãe vê a escola de circo como um alívio já que consegue trabalhar em paz, uma vez que os filhos passam boa parte do dia fora de casa. Uma menina de 16 anos está afastada das aulas de circo porque está grávida, mas ainda é acolhida de forma amorosa por todos os seus companheiros circenses. Outra menina, talvez com a mesma idade e condições sociais aparentemente um pouco melhores do que a maioria dos outros presentes ali, se sente realizada de estar no circo pelo simples fato de olhar ao redor e só ver gente que ama, ela se sente completa.

O filme ganha todo seu valor nos depoimentos dos personagens, sem abrir mão da interessante história do circo, passando dos fundadores do projeto, pelo trapezista com mais de 100 kg que antes trabalhava no estacionamento que ficava no mesmo lugar em que o circo é hoje e chegando a membros da Vara da Infância e da Juventude, que apoiam a iniciativa que está há anos na Praça Onze, ajudando principalmente a comunidade carente da região.

Em um emocionado depoimento, Tayane, filha da mulher que não é tão a favor do circo, chora dizendo como é bom poder se expressar e como o circo a faz entender melhor quem ela é. Dos documentários do festival, talvez seja o que mais destaca a importância de se sentir realizado fazendo o que for.

NO RISCO DO CIRCO

SINOPSE

Entre malabares e purpurina, a emoção de estar em cena compensa todos os medos, supera todas as dores. É na Praça Onze, berço do circo carioca, que o picadeiro do Crescer e Viver recebe jovens em busca de uma nova forma de ver a vida. Para eles, o aplauso do público é como um cobertor em dia de frio. No picadeiro, entre acrobacias e piruetas, eles descobrem que o risco do circo é o risco da vida.

DIREÇÃO

Kátia Lund e Lili Fialho

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