NOSSO CINEMA NOSSO (Crítica)

Igor Pinheiro

O festival Reimagine Rio traz a público cinco filmes dirigidos por Kátia Lund e Lili Fialho. Cada um conta a história de um projeto social em comunidades da cidade do Rio de Janeiro, mostrando seus personagens não como pobres coitados, mas como pessoas com potencial de realizar seus sonhos e lutando por isso. Dito isto, vale destacar o valor fundamental que a representatividade tem nesses filmes, e é por isso que Nosso Cinema Nosso, primeiro filme que assisti do festival, mexeu tanto comigo.

Me formei em ensino médio com técnico em Produção e Pesquisa Audiovisual na mesma escola (Escola Técnica Estadual Adolpho Bloch) que um dos personagens do filme. Após isso, fiz uma oficina de roteiro (as duas professoras estão presentes no filme, me emocionei) com duração de uma semana no Cinema Nosso, espaço cultural que oferece cursos gratuitos de cinema no bairro da Lapa (e é responsável pela produção de todos os filmes do festival). Sempre tive o sonho de trabalhar com cinema e me afastei um pouco disso com o tempo, hoje trabalho como editor de vídeo, me formei em jornalismo e escrevo bastante sobre filmes e séries de TV, minhas paixões, mas não trabalhar diretamente com a produção desse mundo às vezes ainda me frustra um pouco.

Nosso Cinema Nosso nos traz uma a incrível Kátia Lund (uma das fundadoras do Cinema Nosso e co-diretora de Cidade de Deus e Notícias de uma Guerra Particular) leva a alunos antigos dos cursos do projeto social a proposta de se fazer um filme curto e gravar os bastidores de todo o processo. A partir disso, vamos conhecendo os personagens durante a produção do curta deles, a trajetória de cada um, o caminho de casa até o Cinema Nosso, o sonho de trabalhar com audiovisual e as dificuldades enfrentadas para isso, muitas vezes “impostas” por pessoas que AINDA acham que não é possível se viver de cinema no Brasil, principalmente se você não for “do meio”.

O apoio da família, os obstáculos em conciliar o curso com um emprego para ganhar dinheiro e outros temas acabam sendo suavizados pelo toque de humor dado pelos fortes personagens e a narrativa rápida do filme em si e do filme dentro do filme, nos fazendo entrar de maneira muito fácil e acolhedora nesse universo.

Se vou me dedicar mais ao cinema para trabalhar em produções audiovisuais? Não sei, mas assim como os outros filmes do festival, a identificação que tive com a história de alguns personagens me fez ter essa sensação de que ainda posso seguir o caminho que sonho.

NOSSO CINEMA NOSSO

SINOPSE

Cinco cineastas e um filme, dentro de outro filme. Como fazer cinema sendo filmado? Que cinema Uerlem, da favela Santa Marta, ama e qual ele quer mostrar para o mundo? Diogo mora em Queimados, duas horas de trem até o Centro do Rio, mas a poesia e o cinema movem seu coração para a Lapa. Lá, ele encontra outros que, como ele, vêm de longe para viver uma realidade em que se veem retratados, recriando o cinema nosso de cada dia.

DIREÇÃO

Kátia Lund e Lili Fialho

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