O ARTISTA (Crítica)

O ARTISTA

3estrelas

FICHA TÉCNICA

Título Original: The Artist
Ano do lançamento: 2011
Produção: França/Bulgária/Estados Unidos
Gênero: Drama, Romance
Direção: Michel Hazanavicius
Roteiro: Michel Hazanavicius

Sinopse: Na Hollywood de 1927, o astro do cinema mudo George Valentin (Jean Dujardin) começa a temer se a chegada do cinema falado fará com que ele perca espaço e acabe caindo no esquecimento. Enquanto isso, a bela Peppy Miller (Bérénice Bejo), jovem dançarina por quem ele se sente atraído, recebe uma oportunidade e tanto para traballhar no segmento. Será o fim de sua carreira e de uma paixão?

Por Kadu Silva

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Quando vi O Artista pela primeira vez, ainda estava tentando absorver a cultura Hollywoodiana como um todo, e por não ter tanta percepção de narrativa, consumi o filme de Hazanavicius como sendo meramente um entretenimento nostálgico, pelo frisson momentâneo do filme na época de seu lançamento no país. Três anos depois, a experiência parece ser um pouco menos empolgante, não apenas pela concepção de filme-de-arte monárquico que o fez ser o grande vencedor dos prêmios naquele ano, mas principalmente na forma como Hazanavicius tenta manipular os sentidos de tal conceito sem desenvolver qualquer identidade própria.

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A ideia de filme-homenagem cabe em O Artista como nostalgia mesmo, e se torna um por menor quando a sutileza e o carisma de Jean Dujardin na pele de George Valentin, ator decadente em pleno ostracismo e em conflito com o Cinema falado que dominou as produções Hollywoodianas no início dos anos 30, invade a tela tomando conta de qualquer monopolização conceitual de Hazanavicius. Mesmo que a técnica e a precisão do diretor pra dominar a arte de filme clássico não seja algo prejudicial no desenvolvimento tênue da narrativa e da idealização de O Artista, parece ser tão somente pela excelência de tal caracterização do filme de época que a consistência dos conflitos abordados durante o desenvolvimento narrativo de O Artista acaba servindo apenas de pano de fundo para a estética do diretor. Ainda que um tanto imperceptível dentro do melodrama estabelecido por Hazanavicius, há um conflito realista muito consistente envolvendo o homem e seu (alter)ego na personificação de Dujardin, que consequentemente transforma a homenagem marqueteira por excelência do filme num estudo bastante peculiar da projeção de Hollywood como indústria corporativa, o tornando inevitavelmente pertinente em sua própria subjetividade.

Não que os equívocos de Hazanavicius deixem de emular a sensibilidade pictórica do preto e branco e dos clássicos Hollywoodianos usados como referência, mas é essencialmente no tato do diretor quanto ao desenvolvimento dos personagens que O Artista encontra seu maior desafio, pois mesmo que o elenco trabalhe de forma plena para desenvolver tais personas, ao vagar em diversos tópicos sem nunca os desenvolver, a narrativa ganha forma ambígua a ponto de não se ter noção se Hazanavicius é consistente quanto ao apelo da imagem que seu filme transmite, ou se ele está somente brincando de ser cineasta às custas da universalidade de Hollywood.

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PRÊMIOS

OSCAR
Ganhou: Melhor Filme, Melhor Diretor – Michel Hazanavicius, Melhor Ator – Jean Dujardin, Melhor Trilha Sonora e Melhor Figurino

Indicações: Melhor Atriz Coadjuvante – Bérénice Bejo, Melhor Roteiro Original, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte e Melhor Edição

GLOBO DE OURO
Ganhou: Melhor Filme – Comédia/Musical, Melhor Ator – Comédia/Musical – Jean Dujardin e Melhor Trilha Sonora

Indicações: Melhor Diretor – Michael Hazavicius, Melhor Atriz Coadjuvante – Bérénice Bejo e Melhor Roteiro

FESTIVAL DE CANNES
Ganhou: Melhor Ator – Jean Dujardin

EUROPEAN FILM AWARDS
Ganhou: Melhor Trilha Sonora

Indicações: Melhor Filme, Melhor Ator – Jean Dujardin e Melhor Fotografia

SINDICATO DOS PRODUTORES – PGA
Ganhou: Melhor Filme

TRAILER

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