O CASAMENTO DE GORETE (Crítica)

O CASAMENTO DE GORETE

3estrelas

Por Kadu Silva

Um divertido conto de “fadas” gay

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O cinema nacional vem passando por uma transformação impressionante nos últimos anos, além de ampliar seu leque de temas abordados, ele agora está conseguindo quebrar paradigmas, um deles, foi conseguir trazer para a telona, um filme totalmente gay, algo impensável a poucos anos atrás. Esta conquista, parece banal, mas reflete uma pequena, mas significante mudança no comportamento social, já que hoje a população em geral, consegue entender um pouco melhor sobre o comportamento homossexual.

Prova disso é que o filme Hoje eu quero voltar sozinho, também lançado este ano, é o representante do Brasil no Globo de Ouro e no Oscar para uma indicação a filme estrangeiro. Longa que também conta uma história de amor gay, assim como O Casamento de Gorete que trás na trama principal a história de um garoto do interior, que é rejeitado pelo seu pai por ser homossexual. Ele acaba sendo abandonado pela família e cresce sozinho na cidade de Pau Torto, onde se torna uma famosa radialista local. Mas os dias de paz de Gorete, terminam, quando ela descobre que seu pai está prestes a morrer e ele exige que ela se case, para assumir a herança da família, mas Gorete não pretendia se casar, pois sempre foi apaixonado por um amor de infância, que também teve que abandonar.

O diretor e roteirista Paulo Vespúcio (Chico Xavier), possivelmente pretendia fazer um longa de romance tradicional, com a história que tinha em mãos, mas para conseguir verba para colocar sua obra na telona, inteligentemente optou por usar da comedia (estilo de maior sucesso de bilheteria no Brasil, atualmente), para narrar sua trama.

Vespúcio ainda que acerte em utilizar do humor em sua narrativa, erra em determinados momentos, buscando em situações desnecessárias o riso do publico, como por exemplo colocando em determinadas cenas, peidos, arrotos e outros excrementos de baixo calão para fazer graça. Além disso, quando o romance é o centro da narrativa, há um tom dramático destoante do restante da história. Talvez se Vespúcio utilizasse do mesmo recurso do blockbuster Os Guardiões da Galáxia, quebrando o tom nestes momentos da drama com uma piada inesperada, teria um resultado mais agradável.

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Ainda assim o filme envolve o público do começo ao fim, já que sua narrativa consegue manter o ritmo, mesmo com o viés previsível que o acompanha, afinal se trata de um filme no “melhor” estilo “conto de fadas”. Esta “brincadeira” de transformar o longa numa fábula, é sem dúvida uns dos principais acertos de Vespúcio, tudo se torna leve e divertido.

Por falar em diversão, o trio protagonista, é um show a parte. Rodrigo Sant’anna, que faz a Gorete, ainda que lembre bastante a Valeria, seu personagem do humorista Zorra Total, consegue dar dignidade e o tom perfeito para o personagem, suas tiradas são geniais, o timing cômico é perfeito. Já Tadeu Mello e Ataíde Arcoverde que fazem as amigas de Gorete, estão geniais, eles são como “fadas”, ajudando a “princesa” a conseguir encontrar a felicidade. Ambos também usam e abusam do tom perfeito do humor no texto incrivelmente divertido de Vespúcio. Não se pode esquecer também de citar a pequena, mas marcante participação de Letícia Spiller que faz a drag queen Rochanna, de forma divertidíssima, sua caracterização, seja no figurino como na entonação verbal, ficaram genais.

Entre os assuntos que o longa aborda e que merecem destaque, tem a lembrança sobre o uso da camisinha na relações sexuais, a amizade, o preconceito e o amor acima de qualquer coisa, pois é preciso amar as pessoas, seja elas como for e respeitar suas escolhas. O longa mesmo que não aborde em detalhes, faz pensar sobre o respeito ao diferente.

Ainda que seja um filme com verba pequena (que é notável), o resultado técnico final é perfeito. Fotografia, direção de arte, figurinos, tudo muito bem pensado e executado, mas o grande destaque é a trilha sonora de André Paixão, que soube utilizar de um misto de canções divertidas para auxiliar na narrativa da trama.

Portanto O Casamento de Gorete não é somente mais uma nova comedia para o cinema nacional, ela pode ser uma representação do que, talvez, seja o inicio de uma nova era comportamental da sociedade brasileira dentro e fora da telona. A tolerância de todos com o diferente. Ainda que o beijo gay, no longa, tenha dito um tratamento aos moldes televisivos atuais.

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SINOPSE

Um garoto é rejeitado pelo pai por ser homossexual, sendo obrigado a abandonar a família e deixar um colega por quem está apaixonado. Décadas mais tarde, ele assume a identidade da extrovertida Gorete (Rodrigo Sant’Anna), dona de um famoso programa de rádio na cidade de Pau Torto. Quando descobre que o pai está prestes a morrer, ela retorna à casa da família e descobre que, para receber a herança, é obrigada a se casar. Começa uma grande disputa para saber quem será o marido de Gorete.

ELENCO

[do action=”cast” descricao=”Rodrigo Sant’anna (Gorete)” espaco=”x”]Rodrigo Santanna[/do][do action=”cast” descricao=”Tadeu Mello (Domitila)” espaco=”x”]Tadeu Mello[/do][do action=”cast” descricao=”Ataíde Arcoverde (Marinalva)” espaco=”x”]Ataide Arcoverde[/do][do action=”cast” descricao=”Letícia Spiller (Rochanna)” espaco=”br”]Leticia Spiller[/do]

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Paulo Vespúcio Garcia” espaco=”br”]Paulo Vespucio Garcia[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Paulo Vespúcio Garcia
Título Original: O Casamento de Gorete
Gênero: Comedia
Duração: 1h 47min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 16 Anos

TRAILER

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6 Comentários

  1. enio de oliveira

    Gostei muito do filme , muito bem dirigido e com um elenco nota 10 . Vale reprisar ,

    • vitor

      queria muitoooooooooooooooooo saber onde consigo a musica do olhar triste !!!

  2. Djalma

    Desculpa, mas acho que o critico não assistiu o mesmo filme que eu…. Não consegui ligar essa critica com o resultado final do filme. Tá parecendo texto comprado. Com todo o respeito…..

    • Kadu Silva

      Bom dia Djalma.

      Não existe no Ccine10 nenhum texto comprado. Existem sim opiniões, que podem ou não serem parecidas com a sua.
      Quando se escreve uma crítica, existem alguns tipos de caminhos que se pode seguir, ter uma visão mais fria e técnica ou olhar mais representativo, onde se leva em conta, as dificuldades e o que aquele trabalho pode representar para a sociedade.
      Espero que tenha esclarecido sua dúvida. Caso contrário, estou a disposição.
      De qualquer forma agradeço a visita e espero que venha mais vezes ler nossa opinião sobre os diversos lançamentos que chegam nas telonas.
      Abraço.

  3. adriana raposo

    Me encantei com o filme e especialmente com os atores e equipe dele. Sou de Barra do Pirai, cidade que serviu de cenário, e pude acompanhar o trabalho e a simpatia desses artistas durante os 40 dias de gravação.Tenho um parente que fez estágio nessa produçao e posso dizer que foi muito esforço e dedicaçao de todos , inclusive do nosso secretário de desenvolvimento Roberto Monzo, que busca uma perspectiva melhor para a cidade, mostrando aos jovens do projeto, que é possível pensar grande. Acredito na força do trabalho e nas oportunidades que o polo audiovisual pode trazer. Meu reconhecimento a todos eles! Recomendei geral aos conhecidos

  4. Sammy sam

    O q é a leticia spiller nesse papel ma ra vi lho so? DIGITANDO COM OS PES, PQ CAS MAO, SO APLAUDO