O CONCURSO (Crítica)

O CONCURSO

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Por Emílio Faustino

Tendo como plano de fundo a disputa pelo cargo de juiz federal, o filme “O concurso”, apresenta um universo até então pouco explorado, o dos mais de 12 milhões de pessoas que prestam algum tipo de concurso todos os anos no Brasil.

Através dos personagens da trama central, o diretor estreante Pedro Vasconcelos aponta os estereótipos regionais do povo brasileiro, são eles: (o caipira tímido, o carioca malandro, o cearense apegado à fé e pra “variar” o gaúcho viado). Uma escolha um tanto quanto arriscada, que da margem a piadas gastas e de cunho por vezes pejorativo.

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Perguntado na coletiva de imprensa do filme, como ele espera que o seu filme seja recebido nas regiões representadas o diretor respondeu: “ Eu espero que o filme seja recebido com muita alegria, os estereótipos explorados são marcas de cada região, com exceção do gaucho que é uma brincadeira mais larga. Nós buscamos criar personagens humanos que o público possa reconhecer e de forma alguma criticamos a forma destes personagens serem“, defendeu Pedro Vasconcelos diretor do filme.

Embora o diretor negue a inspiração, o roteiro do filme muito se assemelha a fórmula de “Se beber não case”, onde 4 rapazes que possuem um evento X, acabam vivendo N situações atípicas até conseguirem chegar ao evento que estava previsto desde o inicio da trama. No caso de “Se beber não case” o casamento, neste o concurso.

Mas embora o enredo seja semelhante, o tipo de humor escolhido em “O concurso” é bem diferente do de “Se beber não case”. Se de um lado temos piadas adultas e bem sacadas, no outro temos piadas do tipo “A praça é nossa” que ganham (ou não) graça por conta de suas repetições.

Um exemplo de repetição do filme é a da ilustre participação de Sabrina Satto que compensa a falta de experiência como atriz, com a ausência de roupas durante a maioria de suas cenas. Ela repete no mínimo 3 vezes a frase “Bernardinho ou você me come ou eu te mato”. Levando em consideração que ela tem umas 5 falas no filme, podemos ter uma ideia do grau de complexidade e importância da personagem.

O ator Rodrigo Pandolfo que faz o caipira e atua mais diretamente com Sabrina (que por também fazer outra caipira não precisou mudar o sotaque), contou na coletiva um pouco de como foram os bastidores das gravações com a nipônica mais badalada do Brasil : “A Sabrina é carisma puro, mesmo dentro das limitações dela como atriz, já que foi o primeiro filme que ela fez, ela sempre se mostrou com muita coragem e disponível na hora de fazer e refazer as cenas”, afirmou o ator que também contou que ela jamais perdeu o bom humor durante as gravações.

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PS: Sabrina Satto estava confirmada para a coletiva de imprensa, mas não pode ir pois “teve uma reunião de emergência do Pânico”.

Um aspecto crítico do filme e que dá aquele ar de “feito as pressas”, é a direção de arte. Cabe ao diretor de arte selecionar os objetos cenográficos que irão compor as cenas, é ele que irá escolher o sofá X, Y ou Z. Ele que irá desenvolver um jornal com aspecto de antigo caso o filme seja de época, enfim…

No caso do filme o que me chamou atenção foi o detalhe da garrafa de água, que não era nem um patrocínio e nem uma marca fictícia. Entre fazer propaganda de graça ou criar uma marca para água eles acharam mais prático tampar com um papel branco a marca da água. O que deu a cena um aspecto porco e mal improvisado

Os momentos mais inspirados do filme, ficam por conta da atuação dos atores Danton Mello que consegue convencer como carioca que sempre “tenta” tirar vantagem dos outros e o ator Fabio Porcha que rouba a cena como o gaucho reprimido.

A mensagem do filme em si é bacana e gira em torno dos valores da ética, auto-aceitação e determinação. Mas o filme não diverte tanto quanto se espera, apenas entretém. Afinal, cria-se aquela expectativa de tentar adivinhar quem será o vencedor do concurso.

Existem vários pontos neste filme que poderiam ser questionados. (Tipo, vários mesmo), mas falar mais mal desse filme do que já foi dito, seria como chutar cachorro morto. Então acho melhor parar por aqui.

De qualquer forma, se você acompanha o programa “Pânico na Tv” e quer ver a Sabrina Satto com menos roupa vale super a pena ir ao cinema. Agora se você gosta de uma comédia inteligente, bem escrita e com personagens menos caricatos: passe longe.

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SINOPSE

Dentre os milhares de candidatos que tentam uma vaga de Juiz Federal, apenas quatro finalistas, de diferentes cantos do Brasil (RJ, SP, RS e CE), se qualificam para a última fase do concurso: um cruel e dificílimo exame oral na Corte Federal do Rio de Janeiro, segunda-feira, às 8 da manhã, EM PONTO! Apenas um será aprovado. Os rapazes chegam no Rio no sábado para o credenciamento e, seguindo o conselho de que é melhor relaxar do que estudar na véspera da prova, decidem aproveitar o final de semana na cidade para estarem descansados e preparados quando a segunda-feira chegar. Porém, as coisas não acontecem como planejado e os quatro adversários, que nesse momento já se tornaram grandes amigos, passam pelas mais hilárias e inimagináveis situações enquanto tentam chegar até a segunda-feira!

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Pedro Vasconcelos” espaco=”br”]Pedro Vasconcelos[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: L.G. Bayão, Leo Levis e LG Tubaldini Jr.
Título Original: O Concurso
Gênero: Comedia
Duração: 1h 27min
Ano de lançamento: 2013
Classificação etária: 12 Anos

TRAILER

FOTOS DA COLETIVA DE IMPRENSA

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