O DESPREZO (Crítica)

O DESPREZO

5estrelas

FICHA TÉCNICA

Título Original: Le mépris
Ano do lançamento: 1963
Produção: Itália , França
Gênero: Drama , Comédia dramática
Direção: Jean-Luc Godard
Roteiro: Jean-Luc Godard
Classificação etária: 14 Anos

Sinopse: Na Itália uma equipe grava sob direção de Fritz Lang um filme baseado na Odisseia, de Homero. Camille (Brigitte Bardot) é casada com Paul (Michel Piccoli), um escritor que foi contratado pelo produtor americano Jeremy (Jack Palance) para escrever o roteiro por 10 mil dólares. O desprezo de Camille começa quando ela passa a acreditar que o marido tentou vendê-la ao produtor, quando ele insiste para que a bela mulher fique sozinha com Jeremy. Uma série de mal-entendidos faz com que a relação do casal vá se fragmentando.

Por Carlos Pedroso

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Falar sobre O Desprezo não é uma tarefa fácil, principalmente para alguém que ainda está iniciando-se na filmografia de Jean-Luc Godard, ou não tem um aprimoramento teórico para tal, pois se trata de um desses exercícios de Cinema que se precisa levar em consideração o background do autor (tal como suas referências) e seus envolvidos. Dito isso, seria sensato eu pedir licença e fazer reverência a esse texto de Thiago Macêdo, um achado crítico sobre o filme de Godard que melhor define meus sentimentos sobre ele.

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Brigitte Bardot era a mulher mais fotografada do planeta na época. É importante frisar esse detalhe, pois para Godard tê-la em cena não era um mero fetiche comercial, e pelo contrário, tê-la na produção lhe rendeu grandes dores de cabeça, visto o assédio dos paparazzi durante as filmagens. De mulher sexualmente objetificada à uma das personagens mais intrigantes do cinema moderno, Bardot é aqui a representação dos paradigmas que costumeiramente vemos sendo quebrados nos filmes e na estética de Godard. Sua mitologia, não por menos, é equiparada a dos grandes deuses gregos. A mulher que num único gesto perde o interesse por seu amante e passa a desprezá-lo, ganha na visão contemplativa de Godard e seus incontáveis travellings a epicidade que, assim como a Odisseia de Homero, mantém-se viva através da imagem (e do imaginário do espectador). Se por um lado existe para Godard uma fascinação puramente cinematográfica quanto a essa figura feminina representada por Bardot, por outro existe um homem em completo detrimento reflexivo diante da própria obra.

Moralmente um dos filmes mais delicados sobre ilusões, e ao mesmo tempo um dos manifestos mais importantes contra o regresso histórico do homem e sua incapacidade de enxergar aquilo que está diante de si. O Desprezo, no fim das contas, é muito sobre tomar posse de nós mesmos.

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TRAILER

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