O DIA MAIS FELIZ DA VIDA DE OLLI MÄKI (Crítica)

Kadu Silva

Desconstruindo a fama e o sucesso

Quais os limites necessários para se tornar um grande campeão do esporte? O Dia mais feliz da vida de Olli Mäki investiga exatamente essa questão, mostrando os esforços físicos e sentimentais e a pressão dos empresários pelo auto rendimento para se ter lucro sobre o investimento.

Esse atleta é o boxeador finlandês Olli Mäki (Jarkko Lahti), que tem uma vida tranquila e pacata numa cidadezinha do interior até que recebe um convite para lutar a final do Campeonato Mundial de Boxe, na categoria Peso-Pena, e assim vê sua vida virar do avesso. Rapidamente com o investimento de patrocinadores, Olli se torna símbolo nacional e toda a nação deposita nele uma grande expectativa de título, no Campeonato mundial de boxe.

O roteiro do também diretor Juho Kuosmanen, é brilhante em colocar o foco total no atleta e deixar o boxe apenas como segundo plano da trama. Somos cúmplices de cada etapa que ele passa até chegar o grande dia da luta, o sofrimento, as pressões, a forçada renegação do grande amor, tudo para se tornar campeão.

O DIA MAIS FELIZ DA VIDA DE OLLI MÄKI (Crítica)

O estudo de Kuosmanen consegue mostrar o peso do capitalismo dentro do esporte e como ele pode ser nocivo para a vida pessoal de um atleta. Ele toca na ferida mais profunda da hipocrisia desse “show”, quando vemos o documentário realizado sobre o atleta e aí notamos que tudo é puramente um teatro orquestrado para mostrar uma realidade nada próxima da real.

A escolha por filmar o filme em preto e branco é brilhante, já que assim se carrega a melancolia da trajetória de Olli diante da plateia.

Outro detalhe curioso e que também reforma a melancolia da narrativa é a ausência de trilha sonora, tudo acontece sem nenhum auxilio ritmo para dar impulso na trama, mas nem por isso a história deixa de fluir com maturidade e clareza, grande parte pela montagem que é ágil e precisa.

Vale mencionar o excelente trabalho de Jarkko Lahti (Pardais), a timidez, o olhar apaixonado, as expressões corporais desse atleta são impressionantes, e assim rapidamente a plateia se identifica com esse homem, que assim como muitos não quer viver em função de um padrão pré-estabelecido, seguindo regras que ele não acredita, seu único e grande desejo e ser livre e feliz, e tudo isso é claramente possível sentir com a bela interpretação de Lahti.

O dia mais feliz da vida de Olli Mäki é talvez um dos filmes sobre esporte que consegue retratar de forma mais humana o que acontece com um atleta de auto rendimento.

Pôster de divulgação: O DIA MAIS FELIZ DA VIDA DE OLLI MÄKI

Pôster de divulgação: O DIA MAIS FELIZ DA VIDA DE OLLI MÄKI

SINOPSE

Olli Mäki (Jarkko Lahti), um boxeador finlandês, luta para sobreviver no difícil e complicado ano de 1962. Ele leva uma vida tranquila e pacata que é virada ao avesso quando, de repente, recebe a chance de sua vida: lutar na final do Campeonato Mundial de Boxe na categoria Peso-Pena. Rapidamente elevado ao status de símbolo nacional, Olli precisará controlar as expectativas da nação para tentar vencer a luta.

DIREÇÃO

  • Juho Kuosmanen Juho Kuosmanen

  • FICHA TÉCNICA

    Roteiro: Juho Kuosmanen
    Título Original: Hymyilevä Mies
    Gênero: Biografia, Drama, Romance
    Duração: 1h 33min
    Classificação etária: 14 Anos
    Lançamento: 10 de agosto de 2017 (Brasil)

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