O DONO DO JOGO (Crítica)

Kadu Silva

Por um tempo escrevi críticas de filmes relacionados a psiquiatria, para um informativo sobre saúde mental, então ao assistir esse O Dono do Jogo, veio logo à tona, algumas referências, que estuda, desse universo tão complexo, que é a mente humana, que me ajudaram muito na época e talvez por isso eu tenha ficado tão vidrado nesse filme tão intenso.

É uma história real do famoso jogador de xadrez norte-americano Bobby Fischer (Tobey Maguire), que durante toda a sua vida foi fascinado por esse complexo jogo. Já na infância ele era completamente focado em tentar estratégias para sempre ganhar. Durante a Guerra Fria, já adulto, Bobby tenta pela primeira vez levar o seu país a se tornar campeão de xadrez e eis que os atuais e ainda favoritos eram exatamente os soviéticos, é nesse cenário que refletia os acontecimentos mundiais que o campeonato mundial de 1972 entrou para a história por testemunha esse duelo impressionante, que só fiz agravar a frágil saúde mental de Bobby que já dava sinais de problemas.

O roteiro de Steven Knight (Pegando Fogo), acertou em não focar somente nos problemas mentais que Bobby, ele buscou um grande acontecimento na vida dele para ser o clímax do arco dramático. Mas durante toda a narrativa ele mostra situações que explicam de certo modo, o porquê dos futuros problemas que esse homem apresentou em sua vida, e o melhor, sem julgamentos, apenas relatando os fatos de forma linear.

E o diretor Edward Zwick (Diamante de Sangue), soube conduzir a trama de forma muito apropriada, já que ele mescla a realidade vivida por Bobby com as suas alucinações, num formato espiral que ganha cada vez mais força a cada novo acontecimento. É como se fossemos testemunhas da deterioração mental desse homem ao longa de sua vida. A escolha da palheta de cores nos filtros ao longo do filme só auxilia para criar o clima de tensão que a história busca durante a projeção.

Ainda que o filme ganhe ao longa de sua projeção contornos que lembram um thriller, o ritmo narrativo escolhido por Zwick, pode não agradar muitas pessoas, não existe agilidade na condução e tão menos na montagem do longa, os acontecimentos são mostrados com naturalidade, sem muita pressa.

Tobey Maguire (O Grande Gatsby), que também é o produtor do filme, vive o Bobby de forma muito intensa e visceral. O tom perfeito entre o que é real e ilusão em sua cabeça é muito bem transmitido através de sua atuação, sem dúvida, é uma de suas melhores atuações. O restante do elenco mantém o bom nível nas interpretações.

A fotografia, a trilha sonora e principalmente a direção de arte, com a belíssima recriação de época, são alguns dos grandes acertos técnicos do filme.

Ainda que não seja a intenção do filme, é possível concluir de sua história que a concentração excessiva em apenas algum assunto/pessoa e/ou afins, pode ser prejudicial ao equilíbrio de nossa saúde mental, ou seja, para quem gosta desse complexo mundo e também para conhecer um pouco de uma interessante história real, o Dono do Jogo é uma excelente pedida.

O DONO DO JOGO

SINOPSE

Os soviéticos eram considerados os reis do xadrez e Boris Spassky (Liev Schreiber) era tido como invencível. Mas eis que Bobby Fischer (Tobey Maguire), jovem fenômeno norte-americano, o desafia no Campeonato Mundial de 1972, em plena Guerra Fria. EUA e URSS se enfrentam no tabuleiro em Reykjavík, capital da Islândia, e apenas um enxadrista sairá vencedor.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Edward Zwick” espaco=”br”]Edward Zwick[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Steven Knight
Título Original: Pawn Sacrifice
Gênero: Drama
Duração: 1h 55min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: 14 Anos
Lançamento: 28 de abril de 2016 (Brasil)

Comente pelo Facebook