O ESTRANHO QUE NÓS AMAMOS (Crítica)

Kadu Silva

Um olhar mórbido sobre o desejo

É importante mencionar antes de qualquer coisa, que se trata de uma refilmagem, o original foi lançado em 1971 e tinha o comando de Don Siegel (O Telefone) com Clint Eastwood (Menina de Ouro) como protagonista, na época o filme chocou por trazer um beijo de um homem numa garota de 13 anos, além de exalar machismo em sua concepção. Sofia Coppola resolveu esquecer essa obra e se baseou no livro homônimo de Thomas Cullinan e dessa forma transformou o filme em algo bem mais simples e conservador.

No filme que se passa na Virginia no ano de 1864, nos primeiros anos da Guerra Civil, John McBurney (Colin Farrell) que foi ferido em combate, é resgatado pela jovem Amy (Oona Laurence) no bosque. Ela o leva até a casa onde mora, um internado de mulheres que é comandado por Martha (Nicole Kidman). Elas resolvem cuidar do soldado, mas aos poucos, todas acabam se interessando por ele, especialmente Edwina (Kirsten Dunst) e Alicia (Elle Fanning), com isso cria-se um ambiente em que a libido reina no ar.

O ESTRANHO QUE NÓS AMAMOS (Crítica)

O roteiro também de Coppola é conciso ao narrar esse envolvimento das mulheres com esse único homem dentro da casa, cada um num grau diferente, a relação de desejo e encantamento funciona de forma orgânica entre Farrell e todas as mulheres, acreditamos nele e principalmente nelas.

O interessante da obra é que Sofia criou um filme meio gótico, com ares de horror e de suspense light. Ela cria uma narrativa que confere uma tensão de que algo ruim pode acontecer a qualquer momento, a luz natural, a falta de trilha, a palheta de cores, tudo contribui para esse cenário mórbido.

O elenco estrelar chama mais atenção que a própria história, e eles dão para fita um peso impar, elevando o filme a algo muito maior, os grandes destaques são Kirsten Dunst (Melancolia) e Colin Farrell (Por Um Fio), que de forma contida dão vida as personagens de forma brilhante, Dunst principalmente não espantaria se for lembrada nas premiações que em breve estão para chegar.

O Estranho que nós Amamos é conservador e até certo ponto modesto diante do elenco e da diretora que o realiza, mas ainda assim consegue apresentar uma visão completamente particular (autoral) de uma obra já conhecida.

Pôster de divulgação: O ESTRANHO QUE NÓS AMAMOS

Pôster de divulgação: O ESTRANHO QUE NÓS AMAMOS

SINOPSE

Virginia, 1864, três anos após o início da Guerra Civil. John McBurney (Colin Farrell) é um cabo da União que, ferido em combate, é encontrado em um bosque pela jovem Amy (Oona Laurence). Ela o leva para a casa onde mora, um internato de mulheres gerenciado por Martha Farnsworth (Nicole Kidman). Lá, elas decidem cuidá-lo para que, após se recuperar, seja entregue às autoridades. Só que, aos poucos, cada uma delas demonstra interesses e desejos pelo homem da casa, especialmente Edwina (Kirsten Dunst) e Alicia (Elle Fanning).

DIREÇÃO

  • Sofia Coppola Sofia Coppola

  • FICHA TÉCNICA

    Roteiro: Sofia Coppola
    Título Original: The Beguiled
    Gênero: Suspense, Drama
    Duração: 1h 30min
    Classificação etária: 14 anos
    Lançamento: 10 de agosto de 2017 (Brasil)

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