O ESTRANHO SEM NOME (Crítica)

O ESTRANHO SEM NOME

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FICHA TÉCNICA

Título Original: High Plains Drifter
Ano do lançamento: 1973
Produção: EUA
Gênero: Faroeste
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Ernest Tidyman

Sinopse: Um homem (Clint Eastwood) chega numa pequena cidade no Arizona e após ser provocado mata três pistoleiros. O problema é que um deles tinha sido contratado pelos moradores para defendê-los de bandidos violentos que em breve chegarão ao local. Ele decide então aceitar a oferta de ajudá-los, mas somente diante de algumas condições, como pintar toda a cidade de vermelho e rebatizá-la de Inferno.

Por Carlos Pedroso

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Sim, como qualquer western pós-Fordiano da Nova Hollywood, O Estranho Sem Nome também assume em sua mise en scène a célebre analogia do Cinema de John Ford que diz “quando a lenda se torna fato, publica-se a lenda”. E é na odisséia iniciada aqui que Clint Eastwood (des)constroi a imagem moldada por através dos filmes feitos com Sergio Leone e Don Siegel, seus mentores e maiores inspirações, além de encontrar em cada plano uma maneira de moldar-se quanto ser cineasta e, acima de tudo, espectro de um homem sem face.

Logo na primeira cena, o sol escaldante desconfigura a imagem que surge no horizonte do deserto como um fantasma. Um homem de barba, aparência singular, e de expressão violentamente instropectiva, cavalga por entre uma comunidade que o assiste cautelosamente enquanto violenta uma mulher -e a culpa por isso (!)- e assassina a sangue frio três pistoleiros que o tentam intimidar, num suspense a deixar qualquer fã do Brian DePalma vibrado na tela. Capturando a cada plano a essência da covardia e da violência consciente de uma comunidade marcada pelo senso elusivo de sua (auto) importância, Eastwood assume junto ao protagonista uma perspectiva de resistência (ao progresso de civilização).

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Um filme sobre o efeito de justificativas interpessoais, talvez, O Estranho Sem Nome caracteriza essencialmente o valor narrativo e estético de Eastwood, que conduz com sutileza brutal a odisséia do homem, num ritual processual, em convivência dilacerante com outros homens. Por ser seu primeiro experimento atrás das câmeras com western, é interessante perceber que Eastwood não teme em elaborar uma estética semelhante a de seus mentores, e o fascínio aqui (e que se torna o ponto essencial de toda a filmografia do diretor) fica por conta da forma singular dele em transformar cada sequência, cada ação, cada diálogo, num exercício auto consciente, para além da subjetividade do arquétipo protagonizado por ele mesmo. Existe uma intenção puramente cinematográfica na concepção imagética do filme, seja quando o personagem surge no horizonte, ou quando, após conviver suscetivelmente a hostilidade cível daquele local, é consumido de volta pela própria imagem que o fez imergir na tela.

Gosto de imaginar que O Estranho Sem Nome é para Eastwood o que mais tarde seria Taxi Driver para Scorsese – e isso não se resume apenas pela violência condensada de um e a explícita do outro. A pontualidade narrativa concomitante cartática e inflexível de ambos define toda a estrutura do exercício de estilo que tanto Eastwood quanto Scorsese assimilam tão cautelosamente conjunto a seus protagonistas, num retrato geracional. O estilo firme de Eastwood, influenciado pela experiência do mesmo quando ator nos westerns de Leone, dá todo o contorno desenvolvido pela mise en scène condizente a tragetória do Estranho Sem Nome até sua revelação final, quando a procura por comunidade, num eterno looping de sentimentos inacabos, se torna a base para compreender a mitologia de Clint Eastwood e a desmistificação da imagem (do homem).

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TRAILER

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2 Comentários

  1. Marcelo

    falou falou falou e não disse nada palavras difíceis não demonstram verdades e nem comentou sobre a música que chega a ser um outro personagem…. ainda bem que eu já assisti (antes de ler tua critica). e para quem curte o genero vale muito a pena ver como Clint brinca e aborda o personagem do estilo “cavaleiro fantasma/solitário” e todo o poder que traz com ele e a decisão de quem vive ou não!….

  2. Matheus

    De fato, falou, falou e não disse absolutamente nada!