O FILME DA MINHA VIDA (Crítica)

Emílio Faustino

Em sua terceira contribuição ao cinema como diretor, Selton Mello (O Palhaço) encarou o desafio de adaptar o livro “Um pai de cinema” do renomado Antonio Skármeta, autor chileno de “O Carteiro e o Poeta”.

Diferentemente do que o trailer sugere, “O filme da minha vida” não se trata de uma homenagem ao cinema, então se você esta indo na intenção de conferir uma versão nacional do “Cinema Paradiso” é melhor reajustar as suas expectativas.

Ambientado no sul do Brasil, na década de 60, o filme mostra o processo de amadurecimento do jovem Tony Terranova (Johnny Massaro), sua relação estreita com a mãe, a ausência do pai – o francês Nicolas (Vincent Cassel), seus anseios, dilemas e amores.

De cara o que mais se destaca no filme é a estética e o cuidado para tentar transpor a essência da poesia presente no livro para a linguagem do cinema.

A fotografia sem dúvida é um dos pontos altos do filme e chama atenção pelos cenários deslumbrantes, tomadas de câmera, texturas, cores, silhuetas. Dá para ver que houve ali um cuidado com a estética que se estende também para a direção de arte que recriou a década de 60 com primor.

A narrativa composta por um texto de palavras simples e muita metalinguagem, dá um ar singelo a trama do filme e mostra em vários momentos que a sabedoria pode estar presente nos lugares que a gente menos espera, até mesmo no mais xucro dos homens.

Estamos aqui falando indiretamente do personagem Paco, vivido por Selton Mello, que além de atuar, assina o roteiro e dirige o filme. É curioso observar que as melhores falas são as de seu personagem. Coincidência ou não, o fato é que Selton rouba a cena e provoca um verdadeiro deleite no telespectador que se vê incapaz de desgrudar os olhos deste personagem que possui um carisma singular.

Embora o filme seja agradável na maior parte do tempo, existe um ponto que houve um certo exagero por parte do diretor. Selton quis deixar claro que o protagonista era sonhador e encontrou como recurso para isso dar um close no olhar do ator que por sua vez faz um olhar perdido/bobo/retardado. Seria “Ok” se isso fosse feito uma vez, mas na terceira vez em que isso é feito com um tempo mais longo do que o aceitável fica no mínimo irritante/pedante. (Alooo, o pessoal já entendeu o que você quer passar cara, não precisa ser redundante)

Depois dessa patada, um elogio aleatório para não pesar o clima: que trilha sonora maravilhosa, hein?!

“O Filme da Minha Vida” estreia dia 3 de agosto em todo o Brasil, é um filme poético, sensível e merece todo o nosso prestígio. Sem dúvida um candidato em potencial para representar o Brasil no Oscar de 2018, vale a pena conferir!

Pôster de divulgação: O FILME DA MINHA VIDA

Pôster de divulgação: O FILME DA MINHA VIDA

SINOPSE

O jovem Tony (Johnny Massaro) decide retornar a Remanso, Serra Gaúcha, sua cidade natal. Ao chegar, ele descobre que Nicolas (Vincent Cassel), seu pai, voltou para França alegando sentir falta dos amigos e do país de origem. Tony acaba tornando-se professor, e vê-se em meio aos conflitos e inexperiências juvenis.

DIREÇÃO

  • Selton Mello Selton Mello

  • FICHA TÉCNICA

    Roteiro: Selton Mello
    Título Original: O Filme da Minha Vida
    Gênero: Drama
    Duração: 1h 53min
    Classificação etária: 14 anos
    Lançamento: 3 de agosto de 2017 (Brasil)

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