O GRANDE MESTRE (Crítica)

O GRANDE MESTRE

3estrelas

Por Emílio Faustino

Bonito, porém nada de novo.

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Gosta de filme de luta e pancadaria? Então este é o seu filme! Neste épico das artes marciais, que se passa na tumultuada China dos anos 30, o diretor Wong Kar-wai (Cinzas do Passado; Amor à Flor da Pele) apresenta a cinebiografia de Ip Man (Tony Chiu Wai Leung), que viria a se tornar o mentor do astro do gênero Bruce Lee. (vale deixar claro que a relação dele com Bruce Lee não é explorada no filme, a trama acontece em um momento anterior).

A trama envolve temas como: guerra, família, vingança, desejo, memória e amor. E tudo, absolutamente tudo no filme parece pretexto para se começar uma briga… “Não fui com sua cara” Vamos lutar! “Estou apaixonado por você e não sei como demonstrar” Vamos lutar! “Quero ir no banheiro antes de você” Vamos lutar!!. (Ok, ok, a ultima situação não existe, mas o filme não está muito longe disso).

Para se ter uma noção, o filme já começa na pancadaria, com cenas muito bem feitas, tanto do ponto de vista das coreografias das lutas, como na fotografia que são o ponto alto do filme. Tá que o telespectador fica meio perdido a principio, afinal, ninguém sabe quem são e o porquê estão brigando, mas isso depois é explicado…

(Apenas um parêntese: A primeira cena que é na chuva, parece um remake de um dos filmes da trilogia Matrix).

Já o uso do recurso da câmera lenta que a principio impressiona e proporciona imagens belíssimas, de tão recorrente acaba por perder o seu efeito e ao invés de se tornar o ponto alto do filme acaba por culminar em uma muleta que torna a obra esteticamente previsível.

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Outro aspecto do filme que poderia ser muito bom se não fosse usado em demasia, são as famosas frases da sabedoria oriental. As primeiras 5 passam numa boa, da até para anotar algumas e postar depois no Facebook, mas depois da décima frase de efeito com lição de moral, isso acaba ficando chato e entrando em um lugar comum. O mesmo vale para as metáforas, primeiro utilizando a ópera como metáfora da personagem e depois o xadrez como metáfora da vida. (Nada original…)

A narrativa do filme é cansativa, existe um narrador onisciente, e mais dois narradores personagens, e como se não bastasse tudo isso, a cada 10 minutos existe uma legenda, para situar o telespectador do lugar ou contexto. A impressão que dá, é que o diretor queria contar uma história e na dúvida do que usava, resolveu utilizar todos os recursos em um único filme.

A trilha sonora do filme é “ok”, em sua maior parte composta por piano e violino. E cuidado! Porque eles adoram dar susto no telespectador, quando a música esta mais agradável e calminha, se tem inicio uma nova pancadaria do nada. (Eles fazem isso algumas vezes no filme)

Um aspecto técnico do filme que me incomodou, foi a edição de som, que colocou barulhos metálicos nas cenas da luta da guria, mas ela não tinha nada nas mãos, roupas ou punhos que tilintasse para justificar o som proferido a cada soco.

Enfim… O filme fica mais interessante mesmo da metade pra frente, à medida que as lutas começam a ganhar motivações mais plausíveis. Mas a parte bonita do filme esta presente o tempo todo que é a fotografia, a direção de arte e o figurino.

O elenco do filme é protagonizado por Tony Leung Chiu Wai ( Amor à Flor da Pele), também inclui Zhang Ziyi (O Tigre e Dragão, de Ang Lee), Chang Chen (O Tigre eo Dragão), Zhao Benshan (Happy Times), Xiao Shengyang (uma Mulher, uma arma e uma Loja de noodle) e Song Hye Kyo (Uma razão para viver, de Lee Jeong-Hyang), entre outros atores e artistas marciaisda Ásia que eu nunca ouvi falar.

Não é uma obra prima, mas também esta longe de ser um filme ruim. Apenas não acrescenta nada de novo do que já vimos dos filmes do gênero. Serve bem como entretenimento, para quem gosta de ver uma boa briga então é ideal. “O Grande Mestre” estreia nesta quinta, dia 17 de abril nos cinemas do Brasil.

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SINOPSE

Este drama de ação mostra a história de um dos maiores mestres em artes marciais da história, Ip Man (Tony Leung), o homem que treinou Bruce Lee. O lema desta trama é “Nas artes marciais não existe certo ou errado, apenas o último homem de pé”.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Wong Kar Wai, Xu Haofeng e Zou Jingzhi
Título Original: Yi Dai Zong Shi
Gênero: Drama
Duração: 2h 3min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 12 Anos

TRAILER

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