O HOMEM DE AÇO (Crítica)

O Homem de Aco

Por: Emílio Faustino

Houve um tempo na história dos gibis e do cinema onde os personagens não eram tão complexos, existia o personagem conhecido como o “do bem” e o antagonista que seria conhecido como o personagem “do mal”. Essa fórmula bastante usada nos filmes da Disney, também se aplica na história do Homem de Aço que é símbolo integridade de bondade.

Ser Superman nos dias de hoje não é tarefa fácil, o herói todo certinho hoje divide as telas do cinema e as bilheterias com heróis de caráter mais complexo como um Homem de Ferro, que ao mesmo tempo em que salva o mundo, também tem um ego enorme e uma personalidade nada exemplar. E um Espetacular Homem Aranha que ao mesmo tempo em que prende os ladrões, faz piadinhas e é sarcástico.

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O que faltava nos filmes do nosso herói de extinta cueca vermelha, e o novo filme explora com êxito é: a empatia. Sim… Afinal, fica difícil se identificar com um personagem “perfeito”, que tem quase todos os poderes do mundo e anda sempre na linha. Ninguém é apenas bom ou apenas mal, as pessoas são complexas e se identificam quando veem na tela vestígios delas mesmas.

Mas fiquem tranquilos, pois não transformaram o nosso super-herói em um bad boy, na verdade conseguiram deixar intacta a sua essência. A empatia do filme se dá através da busca do personagem por respostas em um período em que todo reles mortal passa por isso: a infância e a juventude.

O que se vê nas telas é um personagem mais próximo do jovem comum, um personagem confuso, que busca entender o mundo e sobre tudo a si mesmo.

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Talvez esteja na infância de Clark Kent os melhores momentos do filme (para os que apreciam uma boa história), porque os que gostam mesmo de ver uma boa pancadaria irão se esbaldar nas cenas do confronto final entre os antagonistas que literalmente não deixam pedra sob pedra.

Quem acompanhou o trabalho do diretor Christopher Nolan na trilogia Batman e soube que o mesmo estaria envolvido na produção do Homem de Aço, criou uma mega expectativa (Ok, estou falando de mim agora). Expectativa essa que pode criar uma certa frustração com os que esperavam um roteiro mega elaborado ou um ar mais verossímil assim como o que foi apresentado no filme do homem morcego.

Essa expectativa foi alimentada com as primeiras fotos do filme: “Olha o Superman não vai mais usar a cueca por cima da roupa!!” , exclamaram as pessoas imaginando que haveria uma justificativa para a retirada de um dos símbolos (bregas) do nosso herói. Mas não… Eles tiraram a cueca vermelha sem mais nem menos mesmo. Diferentemente de quando tiraram o cinturão amarelo do Batman que era facilmente justificado. Afinal, um cara que se esconde no escuro, se usasse um cinturão amarelo chamativo seria facilmente identificado e acabaria com o seu efeito surpresa.

Comentário paralelo: interessante observar que no filme o Cavaleiro das Trevas o vilão Coringa é preso sabendo que poderia sair a qualquer momento, neste filme é o herói que se entrega mesmo podendo sair a qualquer hora. Com a diferença que a saída do Coringa foi mais original e proporcionou diálogos bem mais interessantes.

Falando um pouco das atuações, na verdade bem pouco: não gostei, o novo Superman (Henry Cavill) embora mais carismático que o último, passa anos luz da qualidade da interpretação de um Christopher Reeve (o primeiro super homem). Até porque ele não faz nada além de ser lindo e dar um grito de raiva em um momento “X” do filme.

A Loise Lane (Amy Adams) coitada… Nunca esteve tão sem sal e peso na história, na verdade esqueceram de apresentar a personagem. O telespectador sabe de sua importância pelos filmes anteriores ou pelo gibi, porque no filme mesmo isso não é mostrado. (O que é uma falha séria, já que se trata de um filme introdutório).

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Os demais atores do filme cumprem o seu papel, exceto é claro a mãe biológica de Clark que vê o marido ser morto na sua frente e tem um delay de reação que é digno de estudo.

A trilha sonora de Hanz Zimmer é agradável, mas se comparada com ao tema clássico setentista de John Williams, (aquele que mesmo depois de ver o novo filme, as pessoas ainda vão lembrar e associar ao herói), se torna ínfima e inexpressiva.

O figurino do filme que fica mais excêntrico e digno de nota nas cenas de Kripton é no mínimo despropositado, pois os moradores do planeta usam roupas que mais parecem armaduras, armaduras estas que não os protegem contra nada.

Dos aspectos técnicos do filme, os pontos altos ficaram a cargo da fotografia que é belíssima e dos efeitos especiais que funcionam muito bem no 3D.

Superman também poderia ser uma aula de ciência, mesmo desafiando as instancias da física, ele aborda uma questão muito interessante do ponto de vista da biologia, que é a teoria do Darwinismo que diz que o meio em que se vive interfere diretamente naquilo que somos.

Pois é, mesmo sendo biologicamente um extraterrestre, o nosso herói adotou a Terra como seu lar e aqui desenvolveu seus valores de moral e ética esculpidos por seus pais. Estes valores são colocados em cheque no filme quando ele se vê tendo que escolher entre ficar do lado de nós terráqueos ou dos seus conterrâneos planetários.

O filme mais esperado do ano chegou às telonas do cinema e a pergunta que não quer calar é: valeu a pena toda essa espera!? Bom… Para os que esperaram muito e criaram expectativas como eu, a resposta é não. Porém para os que vão ao cinema despretensiosamente irão adorar o filme, que de forma alguma passa perto de ser ruim, mas também esta longe de ser o melhor do subgênero super-heróis (como era esperado por muitos).

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SINOPSE

Nascido em Krypton, o pequeno Kal-El viveu pouco tempo em seu planeta natal. Percebendo que o planeta estava prestes a entrar em colapso, seu pai (Russell Crowe) o envia ainda bebê em uma nave espacial, rumo ao planeta Terra, e levando com ele importantes informações de seu povo. Contrariado com tal atitude, o General Zod (Michael Shannon) tenta impedir a iniciativa e acaba preso. Já em seu novo lar, a criança foi criada por Jonathan (Kevin Costner) e Martha Kent (Diane Lane), que passaram a chamá-lo de Clark. O tempo passa, seus poderes vão aparecendo e se tornando, de certa forma, um problema, porque isso evidencia que ele não é um ser humano. Já adulto, Clark (Henry Cavill) se vê obrigado a buscar um certo isolamento porque não consegue resistir aos salvamentos das pessoas e sempre precisa sumir do mapa para não criar problemas para seus pais. Mas o terrível Zod conseguiu se libertar e descobriu seu paradeiro. Agora, a humanidade corre perigo e talvez tenha chegado a hora das pessoas conhecerem aqueles que passarão a chama de o Super-Homem.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Zack Snyder” espaco=”br”]Zack Snyder[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Christopher Nolan, David S. Goyer, Jerry Siegel e Joe Shuster
Título Original: Man of Steel
Gênero: Aventura
Duração: 2h 20min
Ano de lançamento: 2013
Classificação etária: 10 Anos

TRAILER

4estrelas

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1 Comentário

  1. Leo

    Eu criei expectativas mil quando soube desse filme

    E elas foram atendidas

    Muito bom