O Homem Perfeito (Crítica)

Kadu Silva

Uma tentativa de desconstrução

As roteiristas Tati Bernardi e Patrícia Corso ao ouvir uma história de “vingança” de uma mulher deixada pelo marido resolveram escrever o roteiro de “O Homem Perfeito”, a história despertou o interesse do diretor Marcus Baldini (Uma quase Dupla), que resolveu colocar o projeto em ação no cinema.

No longa, Diana (Luana Piovani), é uma mulher de 42 anos, bem-sucedida, e que acaba sendo deixada pelo marido (Marco Luque) do qual sempre exigia uma postura que ele não conseguia ter. Rodrigo, seu ex-marido é um artista que não se enquadra nos padrões sociais, ele a deixa para engatar um namoro com uma jovem bailarina de 23 anos, Diana ao saber da troca resolve se vingar e cria numa rede social um homem perfeito para tentar separar o casal.

A ideia do filme é genial em vários aspectos, primeiro por escolher a Luana Piovani para protagonizar a trama, já que com essa escolha, ela acaba sendo uma espécie de “resposta” a sua participação no filme Mulher Invisível do qual foi objetivo de perfeição idealizado pelo homem, além disso, a obra tinha tudo para usar do humor como ferramenta na tentativa de desconstruir o machismo, a homofobia, a misoginia e vários estereótipos que ainda são fortes em nossa sociedade, mas o discurso que a ideia emprega não é colocada em pratica no texto e em atitudes na trama, dessa forma tudo acaba reforçando ainda mais todos esses males apontados (infelizmente).

O Homem Perfeito (Crítica)

Baldini apesar desse roteiro “torto” consegue criar uma narrativa que envolve a plateia, além disso, mesmo de forma questionáveis o texto consegue trazer divertimento pelo olhar leve e bem humorado com que as situações são mostradas. Nesse quesito do humor é importante salientar que o roteiro busca fazer graça de coisas ou grupos sociais que hoje não é visto de forma ecológica (saudável), já que o mundo mudou e não se aceita mais usar, por exemplo, a orientação sexual como piada, para que homens e mulheres cis fiquem rindo dessas minorias.

Outro aspecto da trama que não é tão favorável é a forma previsível com que o desenrolar do arco dramático acontece, ainda que tal escolha tenha sido feita para atender uma possível preferência do grande público, do qual o filme tem como alvo.

O que torna o filme bom mesmo com esses deslizes é o elenco que consegue entregar um desempenho que consegue criar empatia frente aos conflitos apresentados e acabam tirando “leite de pedra” nesse roteiro contraditório.

O Homem Perfeito tinha tudo para ser um filme com um forte discurso de empoderamento feminino, mas ele se esbarra nos equívocos culturais que assolam nossa sociedade e que acabaram (de alguma forma) contaminando o projeto em seu resultado final.

Pôster de divulgação: O Homem Perfeito

Pôster de divulgação: O Homem Perfeito

SINOPSE

Diana (Luana Piovani), aos 42 anos, é uma mulher bem-sucedida, com uma carreira estruturada, culta e que mantém um casamento feliz com seu marido (Marco Luque). Ao menos, é o que ela acha – até que descobre que o seu esposo está lhe traindo com uma jovem aspirante a bailarina, de 23 anos.

DIREÇÃO

Marcus Baldini Marcus Baldini

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Tati Bernardi, Patrícia Corso
Título Original: O Homem Perfeito
Gênero: Romance, Comédia
Duração: 1h 30min
Classificação etária: 12 Anos
Lançamento: 27 de setembro de 2018 (Brasil)

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