O HOMEM QUE VIU O INFINITO (Crítica)

Kadu Silva

A amizade exata

Mas um estilo de filme que é difícil de fugir do lugar comum são as cinebiografias, afinal retratar uma história de uma celebridade/mito de forma original não é nada fácil, até porque ela tem referências reais para nortear a direção. O Homem que viu o Infinito entrega bem a missão de contar a história do matemático indiano Ramanujan, no entanto não ousa em nada e acaba se tornando só mais um filme.

Como já foi citado a história conta a trajetória de Ramanujan (Dev Patel), um matemático indiano que foi um gênio da matemática, e mais do que isso autodidata no assunto. A trama narra a viagem de Ramanujan a Inglaterra para na Universidade de Cambridge onde conhece seu futuro amigo GH Hardy (Jeremy Irons) que o ajuda a se tornar um reconhecido estudioso no universo das exatas.

O roteiro do estreante Matt Brown que também dirige o filme é linear, sem coragem de sair do obvio no entanto é inteligente e principalmente competente em explorar o choque cultural entre oriente e ocidente e na solida construção sem pressa da amizade entre Ramanujan e GH Hardy.

Ainda que o centro principal da história do matemático indiano seja sua genialidade natural com os números, Brown explora muito bem a forma xenofóbica que alguns ingleses apresentam com presença de Ramanujan entre eles e esse lado frágil é o ponto primordial para dar ao personagem a identificação imediata com o espectador.

Dev Patel com seu olhar de assustado, mas ainda assim forte diante dos desafios foi a escolha perfeita para construção do personagem, que se mostra tão rico ao longa da projeção. Não se pode esquecer de mencionar também o ótimo trabalho de Jeremy Irons que faz o professor excêntrico e até certo ponto arrogante Hardy, sua transformação é muito sutil é muito bem realizada por Irons, tanto que os momentos finais são de pura emoção.

Talvez pela falta de bagagem o que vemos em determinados momentos é a escolha de clichês na direção de Brown, em determinados momentos de forma bem desnecessária, mas de forma geral é um trabalho que consegue agradar por revelar em detalhes ao mundo uma história de mais um gênio de nossos tempos.

O Homem que viu o infinito é rico culturalmente, emocionante no seu arco dramático, pois mostra que ainda que tudo esteja contra seu sonho não se pode nunca deixá-lo de lado, afinal além de realiza-lo você pode encontrar muito mais que deseja, como uma amizade verdadeira (por exemplo).

OHomemQueViuOInfinito_Poster

SINOPSE

Uma verdadeira história de amizade que mudou a matemática para sempre. Em 1913, Ramanujan, um gênio da matemática autodidata da Índia viaja para a o Colégio Trinity, na Universidade de Cambridge, onde ele se aproxima do seu mentor, o excêntrico professor GH Hardy, e luta para mostrar ao mundo a brilhante mente que tem.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Matt Brown
Título Original: The Man Who Knew Infinity
Gênero: Drama, Biografia
Duração: 1h 49min
Classificação etária: 12 Anos
Lançamento: 22 de setembro de 2016 (Brasil)

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1 Comentário

  1. Juan rossi

    Nota 8,5. Trata-se aqui contudo de manifestar presença sobre o intelecto indiscutível de pessoas como o matemático indiano retratado que, a despeito dos preconceitos, origens que não toleram emigrações, falta da esposa, frieza inglesa sobre dogmas da matemática a estrangeiros e doença junto à guerra, ferrenhamente queria publicar suas descobertas!! Há um viés fechado moralmente aqui – na cosmovisão da direção -, mas no final venceu a história, magnífica – um legado até hoje.