O JUIZ (Crítica)

O JUIZ

4estrelas

Por Emílio Faustino

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Esse é o tipo de filme que você não da nada pela capa ou pelo título, e olha que dessa vez traduziram o nome do filme ao pé da letra. Mas quando o ator Robert Downwy Jr. (Homem de Ferro / Sherlok Homes) resolve apresentar algo que vai além da ação generalizada, à gente precisa parar pra ver.

Temos em “O Juiz” uma história aparentemente despretensiosa, que demora um certo tempo para prender o telespectador e mostrar o seu valor, é o tipo de filme locomotiva que começa lento e que progressivamente vai ganhando relevância e prestígio.

Na trama um advogado de sucesso (Robert Downwy Jr. ) retorna à sua cidade natal para o funeral de sua mãe somente para descobrir que seu distante pai, o juiz da cidade (Robert Duvall) e portador de Alzheimer, é suspeito de assassinato.

Mais do que centrar a história no julgamento do caso, o filme consegue nos dar ainda mais profundidade ao colocar o próprio filho na posição de advogado do pai, uma tarefa que já não seria fácil e que se complica ainda mais por conta da relação conturbada de ambos.

Desta forma, a história narra em paralelo o julgamento do homicídio que envolve o respeitado juiz da cidade e a relação pai e filho, que sem dúvida, é o ponto alto do filme. A entrega dos atores e as excelentes atuações dão aos personagens a credibilidade para emocionar o público e por vezes nos fazer rir também, graças a Downwy Jr. que empresta ao seu personagem o humor sarcástico do Homem de Ferro e o raciocínio rápido de Sherlock Homes.

Contudo, a história de “O Juiz” é menos simplista que a descrita aqui em cima. Existem muitas outras nuâncias que permeiam a relação pai e filho. Como por exemplo, a relação entre os outros dois irmãos que também são filhos do Juiz, aliás, observando do prisma dos conflitos familiares, não seria nenhum exagero dizer que tivemos nessa obra a versão masculina de “Álbum de Família”, com grandes diálogos e excelentes atuações.

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E quando eu digo grandes diálogos, eu me refiro a frases como essa: “Eu queria gostar mais de você” dita de pai para o filho. Ela não é apenas uma frase forte, como se revela muito mais profunda do que aparenta no decorrer da história.

Arrisco-me a dizer, que não seria nenhuma surpresa ver o nome de Downwy Jr. e Robert Duvall na lista dos indicados ao Oscar para melhor atuação.

É claro, que até fevereiro muitos filmes irão surgir, mas até o presente momento, foi à história que apresentou as melhores interpretações masculinas. Destaque para a cena em que o filho ajuda o pai a tomar banho, tem que ter um coração de pedra para não se emocionar nesta cena, que foi conduzida com uma sensibilidade impar pelo diretor David Dobkin que até então só havia feito filminhos água com açúcar como: “Bater ou correr” e “Amigos com benefícios”.

Outro aspecto positivo do filme, é que ele não tem aquele tom didático, os personagens entram e saem na trama sem serem devidamente apresentados, até você entender quem são e a sua relevância na história leva um certo tempo e isso acaba por ser algo bom, pois ao invés de nos deixar perdidos, isso apenas aguça a nossa curiosidade, pois a cada cena nova, algo se revela de lugares onde menos se espera.

Do ponto de vista estético, o filme utiliza um estilo vintage, que vai desde a imagem que não é aquela qualidade ultra HD que estamos acostumados a ver no cinema, até os elementos cenográficos, tais como o modelo do carro, a vitrola que aparece ao fundo da cena e o papel de parede das casas.

É certo que falta um pouco de ritmo e foco na trama, mais ainda sim é um filme bom que merece ser visto e revisto. No fim, o resultado da sentença é o que menos importa, a relação familiar e a forma como os personagens evoluem na trama é o que de fato faz valer o ingresso.

Chega a ser algo realmente bonito de se ver, proporcionando bons momentos de reflexão sobre quem queríamos ser e no que nos tornamos. A cereja do bolo fica por conta da versão country da música “The Scientist”, da banda Coldplay, que encerra o filme e acompanha o subir dos créditos.

“O Juiz” é um drama familiar que levanta temas pertinentes, como a ética e a moral. Se você gosta de histórias com bons diálogos e que emocionam, então se prepare e leve os lenços, pois este é o seu filme!

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SINOPSE

Um advogado de muito sucesso, Hank Palmer (Robert Downey Jr.), volta à cidade em que cresceu para o velório de sua mãe. No local, acaba descobrindo que seu pai é apontado pela polícia como um dos suspeitos pelo assassinato da mulher. Ele, então, decide defender o pai, que foi ausente na sua criação, no tribunal.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”David Dobkin” espaco=”br”]David Dobkin[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Nick Schenk e Bill Dubuque
Título Original: The Judge
Gênero: Drama
Duração:2h 21min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 14 Anos

TRAILER

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