O LADO BOM DA VIDA (Crítica)

O Lado Bom da Vida

Por Silas Mendes

Depois de oito meses em uma instituição mental, o ex-professor Pat Solitano se muda para a casa dos pais e tenta se reconciliar com sua ex-esposa, Nikki. As coisas ficam difíceis para Pat quando ele conhece Tiffany, uma garota com seus próprios problemas.

Não é nenhum exagero dizer que “O Lado Bom da Vida” é uma simples comédia romântica, clichê. No entanto, é um erro o subestimá-lo por isso. Vamos começar pelo óbvio. Jennifer Lawrence.

Esse filme não é de Tiffany, personagem de Lawrence, mas ela rouba a cena com uma facilidade que sua segunda indicação ao Academy Award é compreensível.

Ela domina o filme. Todas as cenas em que ela aparece pertencem a ela, ela rouba a câmera para si. Mal se vê a hora de ela surgir, novamente irritando o personagem de Bradley Cooper. Ela rouba a cena até mesmo quando a divide com Robert De Niro. Tiffany é sexy. Engraçada. E um tantinho louca. Seu olhar é o pedido de socorro de uma pessoa capaz de reconhecer sua natureza destrutiva.

Porém, ela não é a protagonista dessa história – não mesmo? – e agora vamos ao não tão óbvio. Bradley Cooper.

VIDA01

Bradley Cooper nos entrega seu melhor desempenho até agora. A força de seu personagem é menor que a de Tiffany de Jennifer Lawrence, mas isso não quer dizer que Pat seja menos interessante. Cooper atribui ao seu personagem, características que o tornam cativante e o tiram do lugar comum de “personagens instáveis”. Seja no tom “infantil” com o qual o personagem fala, como quando repete sobre sua tentativa de “ser melhor para Nikki” ou quando Pat surta com o final trágico de um livro de Ernest Hemingway e acorda os pais no meio da noite para reclamar de como os finais são trágicos.

Quanto ao resto do elenco, todos estiveram muito bem. Desde a atuação afetada e irritante, mas inegavelmente boa de De Niro, interpretando o pai supersticioso e a atuação simplista, mas agradável de Jacki Weaver interpretando a mãe que tenta controlar os ânimos dentro de casa à atuação contida e hilária de Chris Tucker, interpretando o amigo que Pat fez na instituição mental onde ficou por oito meses, e que insiste em fugir de lá e surgir em diversos momentos ao longo do filme.

Como fica claro pelas indicações a todas as categorias referentes a atuação, é na direção de seus atores que David O. Russell tem seu grande acerto. A química entre Cooper e Lawrence é contida ao longo da projeção, mas não de um jeito negativo, mas de um jeito “real”. A relação de seus personagens não é forçada como nas comédias românticas ou nos melodramas, seus personagens vão se encaixando aos poucos o que os torna críveis e aceitáveis mesmo com toda sua loucura.

Alias, volto atrás no que disse.

O maior acerto de Russell é em saber mesclar muito bem a interpretação de seus atores, os dramas de cada personagem e os diversos tons que “Silver Linings Playbook” possui sem tornar o filme uma dramédia repetitiva e sem personalidade. David fez algo que apenas bons diretores, fazem. Tornar o clichê interessante, mas ele não conseguiria sucesso nessa empreitada, se não fosse por seu ótimo elenco.

Uma boa ideia com um bom elenco, isso é “O Lado Bom da Vida”.

VIDA02

SINOPSE

Pat Solitano Jr. (Bradley Cooper) perdeu absolutamente tudo na vida: sua casa, o emprego e a esposa. Deprimido, ele vai parar em um sanatório, onde fica internado por oito meses. Ao sair, Pat passa a morar com os pais e está decidido a reconstruir sua vida, o que inclui retomar o casamento, passando por cima de todos os problemas que teve. Entretanto, seu novo plano muda por completo quando ele conhece Tiffany (Jennifer Lawrence), uma garota misteriosa que também tem seus problemas. É ela quem consegue fazer com que Pat mais uma vez se reconecte com a vida.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”David O. Russell ” espaco=”br”]David[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: David O. Russell, Matthew Quick
Título Original: Silver Linings Playbook
Gênero: Comédia, Drama
Duração: 2h 2min
Ano de lançamento: 2013
Classificação etária: Livre

TRAILER

4estrelas

Comente pelo Facebook

2 Comentários

  1. Louise

    BRADLEY ficou para “Nasce Uma EStrela”, calma que tem muitp chão. Parece qie só o Oscar é premiação, e que NAQUELE ano só foram INDICADAS Jennifer Lawrence e Emanuelle Riva. Respito merecem as outras indicadas: Jessica Chadtain, Naomi Watts e Qwanzene WALLIS. E olha que naquele ano Meryl Streep FOi indicada ao Globo de Ouro, quem levoi foi J Law , Merul nem indicada ao Oscar foi. Que Deus yenha Riva em sua lembranca, porque Oscar por “Amour” essa attiz francesa não MERECIA mesmo não, a não ser se fosse cota por idade, Jennifer Lawrence foi o cúmulo da inteligencia nesse filme. O.Russel amenizou o roteiro? fez cortes importantíssimos de serem lembrados no filme. Só que J Law “vestiu” completamente a personagem Tiffany. O que faltou no roteiro ela colocou na atuação. E sem contar que Jennifer ganhou todos os prêmios POSSÍVEIS nesse ano, do Sindicato dos artistas, ao Globo de Oiro, passando por uma fila de outros premios por atuacao9. Mas o pessoal se concentra no OSCar, na Riva… Fala serio! Fala de Kubrick, Lynch, Scorcese, Hithcock. Eu hem.