O LENHADOR (Crítica)

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3estrelas

FICHA TÉCNICA

Título Original: The Woodsman
Ano do lançamento: 2003
Produção: EUA
Gênero: Drama
Direção: Nicole Kassell
Roteiro: Nicole Kassell
Classificação etária: 16 Anos

Sinopse: Após 12 anos na prisão, Walter (Kevin Bacon) se muda para uma pequena cidade. Ele vai viver num apartamento em frente a uma escola de ensino básico, cheia de crianças. Walter arruma emprego em uma madeireira e se mantém o mais reservado possível, mas isto não o impede de se envolver com Vicki (Kyra Sedgwick), uma extrovertida colega de trabalho. Ele, porém, não pode escapar do seu passado e quando os colegas de trabalho descobrem seu crime, o clima amigável desaparece.

Por Jason

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Doze anos depois de ser preso, Walter arranja um trabalho em uma madeireira ao sair da prisão. É um cara estranho, solitário, de poucas palavras. Vai morar em um lugar pequeno, próximo a uma escola do maternal a sexta série. Sua família o excluiu e não quer saber dele, a exceção é seu cunhado que o visita e que mais atormenta do que ajuda. Acaba se envolvendo com Vicki, sua colega de trabalho, a quem lhe confidencia um segredo: ele foi preso por abusar de crianças, meninas, de 10 a 12 anos. Se voltar a ser pego, receberá prisão perpétua. Ainda é acompanhado por seu terapeuta (Michael Shannon) e pelo seu agente de condicional que o fiscaliza o tempo todo e mais atrapalha sua reestruturação do que ajuda.

Walter é uma bomba relógio, prestes a explodir: há uma menina nas redondezas que ele está de olho. Paralelo a isso, ele percebe que perto da escola há outro homem, que está assediando meninos. Para piorar, uma secretária da empresa onde trabalha descobre sua ficha criminal e espalha para todos, que começam a hostilizado. Vicki procura ajudar Walter, ao se colocar na posição de vítima, já que ela foi violentada sexualmente por seus três irmãos quando pequena, mas ele está se distanciando e provavelmente fará mais uma vítima. Ao tentar executar seu plano com a menina que ele persegue, Walter finalmente descobre o estrago irreparável que causou as suas vítimas – a menina era molestada pelo próprio pai – exorciza seus demônios espancando o aliciador de meninos da porta da escola e tenta tocar sua vida ao lado de Vicki, acenando para uma reconciliação consigo mesmo e um recomeço de uma nova vida.

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Um dos méritos do filme está em Kevin Bacon, que consegue convencer no papel de Walter, um homem fechado, solitário, com um fantasma que o persegue e que quer se livrar da sensação de que é um monstro e ser “normal” – e seu conceito de normalidade é extremamente bem definido, diga-se de passagem: o de querer chegar perto de uma menina sem ter que necessariamente desejá-la, razão pela qual ele está afastado da sobrinha de doze anos que acabou de fazer aniversário. Ele é o “lenhador” do título, e não por acaso a sua potencial vítima passeia pela floresta vestida num manto vermelho como no conto da Chapeuzinho Vermelho. A metáfora é óbvia: como na famosa historinha aliás, é o lenhador que salva a Chapeuzinho do lobo mau e cabe a apenas ele a decisão de se transformar em um monstro ou não. O outro mérito está na força de seu tema atual: a conversa que ele tem com a menina no parque é aterrorizante do ponto de vista do espectador, porque mostra como funciona a mente de um pedófilo, seu modo de agir e como a vítima, por mais que não queira participar da jogada do maníaco, acaba cedendo e aceitando, por já ser molestada dentro de seu ambiente familiar.

Em contrapartida, há o desperdício de Michael Shannon, que pouco tem a fazer, limitado a ficar dentro de uma sala, sentado e fazendo perguntas. Kyra Sedgwick tem um personagem interessante a se desenvolver, mas é subtraída pelo roteiro e relegada a parceira sexual com ares de lésbica – não por acaso, o próprio Walter achava que ela era homossexual. Mos Def, o agente, só aparece para atrapalhar. O filme também tem direção fria, lenta, que carece de estofo dramático e de certa forma deixa a complexidade do problema num tom simplista – o problema de Walter parece ser resolvido apenas com uma conversa com uma vítima, uma parceira sexual ou com o espancamento de outro pedófilo. Ao menos a trama acena para um final mais otimista, sinalizando que todos tem a capacidade de se regenerar, até um monstro como Walter, de conviverem com o passado e finalmente vencerem seus demônios interiores com muita força de vontade.

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PRÊMIOS

INDEPENDENT SPIRIT AWARDS
Indicações: Revelação – Hannah Pilkes, Melhor Ator – Kevin Bacon e Melhor Filme de Estreia

TRAILER

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