O LOBO ATRÁS DA PORTA (Crítica)

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Por Pedro Vieira

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O suspense sempre esteve presente no cinema nacional, mas especialmente neste último ano, esse gênero tem sido mais explorado no país, o que vem gerando visibilidade para este tipo de filme. Entre essas produções está “O Lobo Atrás da Porta”, primeiro longa-metragem do diretor Fernando Coimbra, que pode se destacar como um dos melhores lançamentos brasileiros do ano até agora.

Livremente baseado em fatos, o longa mostra a trágica história do sequestro de uma garotinha, filha de Sylvia (Fabiula Nascimento) e Bernardo (Milhem Cortaz). A principal suspeita é Rosa (Leandra Leal), amante de Bernardo. A narrativa utiliza dos depoimentos dados por essas personagens à polícia para ir revelando aos poucos a conflituosa relação entre elas.

Em seu início, o filme dá ao espectador a falsa impressão de que já revelou todos os seus segredos, e de que seu desenrolar servirá apenas para explicar como tudo ali se encaixa. Dessa forma, demora um pouco para se prender a atenção da plateia, algo que acontece de forma natural, conforme o roteiro vai se mostrando cada vez mais denso e profundo – e depois disso, é difícil escapar da trama.

A bela fotografia do longa se alia à história para trazer para a tela o psicológico das personagens. São imagens que utilizam bem das sombras e do contraste para refletir os desejos e medos dos protagonistas Rosa e Bernardo. Junto de uma montagem que privilegia planos mais longos, o filme vai criando um ambiente de tensão e medo, de forma que não é possível prever o que vai acontecer em seguida. Graças a esses elementos, a direção consegue fazer o espectador pensar que uma situação vai seguir um determinado caminho, mas acabado indo para outro diferente, pegando-o de surpresa – ainda que tudo no filme já seja premeditado.

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A produção ainda guarda uma naturalidade em seu desenrolar, e um aspecto “seco”. Não há toda aquela dramaticidade característica desse gênero de filme, com diálogos imensos ou planos diversos que antecedem algum acontecimento. As coisas simplesmente acontecem, geralmente de forma rápida, o que traz o longa uma maior impressão de realidade.

Tal impressão é acentuada pelas boas atuações. Todos os atores sabem bem como fazer seu papel, como agir com a tal naturalidade, mas o destaque mesmo é a personagem de Leandra Leal. É ela quem guia a história, trazendo a dualidade necessária para Rosa, que passa por uma série de situações complicadas. É difícil não se importar com ela, mas mesmo tempo não se consegue concordar com seus termos e suas ações. É uma personagem complexa, assim como a maioria dos personagens do filme.

As sensações de realidade e o mistério vão somente se acentuando no desenrolar da projeção, e quando finalmente se chega ao desfecho, é tudo tão chocante que se pode dizer que o longa até consegue sair do nível do suspense para se aproximar do gênero do horror.

“O Lobo Atrás da Porta” consegue causar tensão com um ritmo único, resultado tanto da boa direção de Coimbra que soube como utilizar a imagem para envolver o espectador em uma dimensão psicológica, sem precisar apelar para longas sequências dramáticas, como do seu elenco, que consegue trazer a tela tanta naturalidade. É um filme que deixará o espectador atônito e o fará refletir até depois do fim da narrativa.

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SINOPSE

O misterioso sequestro de uma menina e a subsequente investigação do crime revelam um intenso triângulo amoroso na zona norte do Rio de Janeiro. Uma rede de mentiras, amor, vingança e ciúmes entre Bernardo (Milhem Cortaz), Rosa (Leandra Leal) e Sylvia (Fabiula Nascimento).

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Guillaume Gallienne
Título Original: O Lobo Atrás da Porta
Gênero: Suspense
Duração: 1h 40min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 16 Anos

TRAILER

Fotos: Andrea Capella

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4 Comentários

  1. João Garcia

    O roteiro não é do ator Guillaume Gallienne e sim do diretor Fernando Coimbra.

    Um erro na ficha técnica.