O MATADOR (Crítica)

Kadu Silva

Matou todas as expectativas

A superpoderosa plataforma de streaming, Netflix, depois de iniciar trabalhos originais no Brasil com a série 3%, acaba de lançar o primeiro longa-metragem totalmente nacional. O Matador é uma produção que mostra a cultura nacional do período do cangaço e essa busca por retratar a história do país deve ser uma tendência dos conteúdos originais produzido por aqui, como anunciou a empresa em comunicado essa semana.

No filme decorrido na década de 40 no interior de Pernambuco, Cabeleira (Diogo Morgado), um jovem criado por um caçador no meio do mato se torna um exímio matador e após seu criador sumir, ele se torna o caçador do Monsier Blanchard (Etienne Chicot), um poderoso chefão que tem como principal objetivo aumentar sua fortuna com as terras locais, e Cabeleira acaba sendo sua principal arma para convencer os donos de terra a vender as propriedades a ele, mas uma de suas missões não é bem sucedida e Cabeleira acaba se tornando alvo de seu patrão.

No filme escrito e dirigido por Marcelo Galvão (Colegas), vemos um arco dramático mal construído, já que existe um excesso de personagens que não são importantes ou bem desenvolvidos dentro da história. A linha narrativa que apresenta o forte personagem Cabeleira, acaba perdendo força pelas subtramas desnecessárias ou subaproveitadas.

A caracterização do cangaço também se torna estereotipada e pouco semelhante ao que conhecemos, pois, a mistura em cores fortes do núcleo do vilão Monsier Blanchard, na história parece mais saída do filme Moulin Rouge do que de uma cidade do interior do Brasil, é muito destoante os dois lados apresentados.

O MATADOR (Crítica)

Além disso, a violência desmedida e o sangue em excesso parecem mais muletas para chocar o espectador do que parte fundamental do desenvolvimento da trama. Até a composição de alguns personagens é fora do tom, Igor Cotrim (Elis e Madona) que faz o filho gay do vilão é caricato ao extremo.

Diogo Morgado (O Filho de Deus) protagonista do longa é o grande destaque, pois, sabe encontrar o tom perfeito desse homem que mais se assemelha a um bicho selvagem do que um ser humano, seus gestos e olhar são marcantes. Outros atores acabam infelizmente não ganhando destaque pois o tempo em tela é mínimo pela morte rápida que acontece com eles.

Por falar em morte, o filme tem quase a mesma quantidade de mortes que Game of Thrones em todas suas temporadas, quase não tem respiro para uma, já logo somos impactados por outra, e cada vez mais violentas. Ainda sobre os deslizes, o filme tem um resultado de efeitos visuais bizarro, chega a dar uma vergonha alheia em determinados momentos, além disso, o filme praticamente todo narrado em off soa como uma subestimação do público em compreender a história.

Já nos acertos, a fotografia de Fabricio Tadeu é deslumbrante, cada cena foi pensada para ser uma obra de arte em movimento, mesmo as mortes acabam sendo esteticamente bonitas, algo que lembra os longas de Tarantino. Não se pode esquecer também da trilha sonora forte e marcante que auxilia com maestria no desenvolvimento da trama.

O Matador por ser o primeiro filme produzido pela Netflix no Brasil, e assim carregar uma grande expectativa, se torna uma grande decepção devido a seus excessos.

Pôster de divulgação: O MATADOR

Pôster de divulgação: O MATADOR

SINOPSE

1940, interior de Pernambuco. Criado por um caçador, Sombra abandona a vida reclusa no meio do mato para procurar seu verdadeiro pai na cidade grande. Descobre que ele foi um matador envolvido no comércio de pedras preciosas e decide seguir seus passos. O território é sem lei e matar está em seu sangue.

DIREÇÃO

  • Marcelo Galvão Marcelo Galvão

  • FICHA TÉCNICA

    Roteiro: Marcelo Galvão
    Título Original: O Matador
    Gênero: Drama, Faroeste
    Duração: 1h 47min
    Classificação etária: 18 Anos
    Lançamento: 10 de novembro de 2017 (Brasil)

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