O MERCADO DE NOTÍCIAS (Crítica)

O MERCADO DE NOTICIAS

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Por Pedro Vieira

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Em 1626 foi encenada pela primeira vez a peça “O Mercado de Notícias”, do dramaturgo inglês Ben Jonson, que criticava com bom humor a atividade jornalística ainda no início de sua formação. Quando o diretor Jorge Furtado, em pleno século XXI, resolve produzir um documentário sobre o tema “jornalismo”, ele dá de cara com a obra de Jonson e daí surge o filme de nome homônimo à peça.

Furtado utiliza a peça como combustível para uma calorosa discussão sobre o papel do jornalista, fazendo em pouco mais de uma hora e meia um rápido (porém bem fundamentado) panorama da imprensa brasileira atual. Para isso ele entrevista personalidades importantes do meio jornalístico, como Bob Fernandes, Mino Carta, Cristiana Lôbo, entre outros tão notáveis quantos estes aqui citados.

Os debates com os jornalistas passam diversas questões, entre elas a censura, a busca pela informação, a escolha e veracidade da mesma; ilustrando algumas delas com casos polêmicos, como o do quadro falso do pintor Picasso exposto em um prédio do INSS. Analisando diversos pontos dessas situações, o documentário consegue demonstrar como a falta de pesquisa ou testemunhos duvidosos podem colocar em cheque a função do jornalista.

Só que criticar o jornalismo não é a intenção de Furtado, e se o faz, logo demonstra, através dos depoimentos de seus entrevistados bem informados, como uma notícia pode ser bem construída quando se há uma verdadeira investigação por trás. O jornalista é assim colocado em uma posição fundamental na sociedade atual, já que é aquele que informa e constrói opiniões.

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Junto às entrevistas surge a peça de teatro, interpretada especialmente para o filme. Ela expõe de maneira narrativa grande parte dos assuntos tratados, adicionando reflexões de pouco mais de três séculos atrás, mas que ainda se enquadram no contexto atual graças ao mau gerenciamento de alguns meios de notícias.

É notável que as sequências da peça acabam por se perder dos debates exposto conforme o filme avança, se tornando um tanto quanto enfadonhas e desnecessárias, em especial no final. Mas vale dizer que a peça, ao quebrar levemente a discussão ali tratada, da um momento de descanso ao espectador, que deve estar atento a todos os detalhes citados no documentário, afinal, é um debate que nunca para. Com a peça o espectador tem uma rápida trégua em meio sua reflexão e pode se divertir com a comicidade do drama apresentado.

Graças ao bom trabalho na montagem, o filme não se perde, fazendo com que o espectador possa acompanha-lo com grande facilidade. Suas reflexões possuem ótimos argumentos, fazendo com que “O Mercado de Notícias” seja um documentário fundamental para qualquer profissional do jornalismo ou aspirante, e mesmo que aqueles que estejam mais inteirados nesse meio possam achar algumas opiniões um tanto quanto redundantes, sempre é possível adicionar algo ao seu repertório acompanhando os diversos pontos de vista expostos neste longa.

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SINOPSE

Jornalistas renomados discutem o papel da mídia e sua influência na democracia entre atos da peça cômica “O Mercado de Notícias”, de Ben Jonson. Uma viagem no tempo desde o surgimento da imprensa, no século XVII, até os dias de hoje, em que a sede por informação é cada vez maior.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Jorge Furtado” espaco=”br”]Jorge Furtado[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Jorge Furtado
Título Original: O Mercado de Notícias
Gênero: Documentário
Duração: 1h 34min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 12 Anos

TRAILER

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