O PADRE (Crítica)

O PADRE

4estrelas

FICHA TÉCNICA

Título Original: Priest
Ano do lançamento: 1994
Produção: Inglaterra
Gênero: Drama
Direção: Antonia Bird
Roteiro: Jimmy McGovern

Sinopse: Padre Greg (Linus Roache) é enviado para trabalhar em uma paróquia em Liverpool. Ele fica surpreso ao ver que seu novo superior, padre Matthew (Tom Wilkinson), não cumpre o celibato, mantendo um relacionamento com uma mulher. Este é apenas o primeiro fator que fará com que Greg entre em conflito e questione algumas regras da Igreja. Um segundo fator é a descoberta da própria homossexualidade, quando se apaixona por um rapaz (Robert Carlyle). Mas o que mais o tortura é quando uma menina de 14 anos lhe conta que sofre abusos por parte do pai, mas Greg está de mãos atadas pelo sigilo da confissão. Dividido entre sua vocação e sua sexualidade, entre as regras da Igreja e os problemas que testemunha, Greg teme ter sua fé abalada. O filme foi proibido pela Igreja Católica.

Por Jason

O PADRE02

O padre Greg é mandado a uma paróquia para substituir um antigo religioso. O pároco que o recebe, interpretado pelo ótimo Tom Wilkinson, no entanto, mantém um relacionamento com sua empregada, o que lhe causa surpresa. Mesmo sabendo disso, Greg evita falar de si – e esconde sua condição homossexual: a noite, sai para a balada gay e acaba se envolvendo com um homem, com quem passa a manter um relacionamento amoroso.

A partir daí, esse parecia ser o grande mote do filme, mas ele acaba metendo o dedo na ferida de um monte de assuntos. Há temáticas como a do celibato, questões sobre a ignorância e a cegueira que a fé é capaz de causar e dos problemas que advém do voto de confissão que acaba deixando o padre Greg angustiado ao saber de um pai que abusa sexualmente da própria filha – e, paralelo a isso, o filme questiona a posição de Deus entre os homens, numa jogada de cena em que o padre está rezando enquanto a menina sofre os abusos e é descoberta pela mãe. Esse é, aliás, um dos motivos pelos quais Greg passa a questionar não apenas sua fé mas sua posição na igreja – muito mais que a sua posição de homossexual diante da sociedade e do catolicismo.

É de se louvar o fato de que, diante de tantos temas a serem debatidos dentro do filme, envolvendo a igreja, o filme retrate a homossexualidade de Greg de uma maneira que beira a “normalidade” e esse contraste é um ponto mais interessante no filme. Normalidade porque o romance que se desenvolve entre ele e o namorado, nota-se, parece saído de um romance heterossexual convencional, com direito a música romântica ao fundo e beijos ao ar livre, na praia (e estamos em um filme sobre um padre que esconde sua vida privada do restante da população para não cair no desagrado dela).

O PADRE01

Curioso ver, por exemplo, que a cena de sexo entre os dois homens é suave, sensual, mas que não é apelativa. O casal parece ser assim a representação do amor proibido, idealizada pelo roteiro, talvez, como uma forma de gritar para o espectador que toda forma de amor verdadeira é válida, independente de credo, sexo, cultura, religião, etc dos envolvidos. Esse amor vai de encontro ao que é pregado na igreja mas, mais do que isso, acaba por levantar a questão sobre o que pode ser considerado pecado e o que não pode nesse mundo. Por outro lado, se há um questionamento sobre o pecado de Greg em ser o que é, o pai abusador traz uma figura caricatural, unidimensional, que por si só é grotesca, com gestos e forma de falar que o denunciam claramente. É a representação do mal, sem possibilidade de purificação, seja aos olhos da igreja, de Greg, da vítima ou da população.

Isso faz de O padre um filme interessante. Sua abordagem causou polêmica na época em festivais e dividiu opiniões. A direção, embora convencional, é bem calibrada e as atuações são precisas (Tom Wilkinson é maravilhoso). Pesa contra ele o fato de que parece durar mais do que realmente dura. A parte dramática só ganhará notoriedade a partir do momento em que Greg é pego com o namorado por um policial, enquanto está se relacionando dentro do carro, quando a fé da população local na figura do jovem padre começa a se abalar e sua carreira definhar. O final, com a enorme fila para receber a hóstia do pároco e a menina abusada que decide por recebê-la de um padre cheio de “pecados”, embora comovente, soa como clichê em um filme que não precisava disso para ser acima da média.

O PADRE03

PRÊMIOS

BAFTA
Indicação: Melhor Filme

TRAILER

Comente pelo Facebook