Ó PAI Ó (Crítica)

O PAI O

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FICHA TÉCNICA

Título Original: Ó Paí, Ó
Ano do lançamento: 2007
Produção: Brasil
Gênero: Comedia, Musical
Direção: Monique Gardenberg
Roteiro: Bettine Silveira, Dudu Miranda, Márcio Meirelles e Monique Gardenberg
Classificação etária: 14 Anos

Sinopse: Em um animado cortiço do centro histórico do Pelourinho, em Salvador, tudo é compartilhado pelos seus moradores, especialmente a paixão pelo Carnaval e a antipatia pela síndica do prédio, Dona Joana (Luciana Souza). Todos tentam encontrar um lugar nos últimos dias do Carnaval, seja trabalhando ou brincando. Incomodada com a farra dos condôminos, Dona Joana decide puni-los, cortando o fornecimento de água do prédio. A falta d’água faz com que o aspirante a cantor Roque (Lázaro Ramos); o motorista de táxi Reginaldo (Érico Brás) e sua esposa Maria (Valdinéia Soriano); o travesti Yolanda (Lyu Arisson), amante de Reginaldo; a jogadora de búzios Raimunda (Cássia Vale); o homossexual dono de bar Neuzão (Tânia Tôko) e sua sensual sobrinha Rosa (Emanuelle Araújo); Carmen (Auristela Sá), que realiza abortos clandestinos e ao mesmo tempo mantém um pequeno orfanato em seu apartamento; Psilene (Dira Paes), irmã de Carmen que está fazendo uma visita após um período na Europa; e a Baiana (Rejane Maia), de quem todos são fregueses; se confrontem e se solidarizem perante o problema.

Por Kadu Silva

Um musical com sotaque brasileiro

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Muitas obras em seu lançamento não tem o devido valor por uma série de fatores. Infelizmente é algo inevitável para quem se arrisca no mundo da sétima arte. Tal reflexão ganhou força no meu pensamento após a revisão do longa Ó Pai ó, um musical soteropolitano sobre a cultura local que em seu lançamento teve em sua grande maioria péssimas críticas. A maioria dos críticos apontaram a falta de uma linguagem definida para a narrativa, bem como o excesso de personagens que não tiveram suas personalidades aprofundadas pelo roteiro, como os principais “erros”. Mas será que isso é de fato algo que desmerece o longa?

O terceiro longa da diretora Monique Gardenberg, é uma colagem de personagens típicos do cortiço das ladeiras do Pelourinho. Cada um com sua característica bem peculiar que tentam sobreviver mesmo com as adversidades da vida sempre com bom humor e muita música.

A música por sinal é um elemento chave na trama, já que ela aparece sempre para dar sentido ao desenrolar da narrativa. Apesar de não ser apresentado como, o longa é narrado pelas canções famosas da Bahia, se tornando um musical com um sotaque brasileiro, com personalidade, e bem original!

O roteiro não desenvolve uma trama tão envolvente, afinal o grande chamariz do longa está exatamente nos personagens que ao longo da projeção interagem uns com os outros dando a sensação que fazem parte, todos, de uma única família.

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Por serem personagens ricos dramaticamente da a sensação que poderia ter um aprofundamento maior de sua história, mas algo assim daria ao filme horas extras que o deixaria desinteresse. A única personagem que tem a lente de aumento da diretoria como alvo é Dona Joana (Luciana Souza), uma evangélica que é a responsável de uma “pensão”, aonde vive diversos dos personagens da trama. Ela é mãe de dois garotos que ela acredita serem os santinhos do local, só que vemos, que não é bem assim. O arco dramático é desenvolvido diante de sua história que aos poucos ganha contornos bem tensos.

O roteiro consegue criar um grande painel de tipos, muitas vezes caricatos, da cultura Baiana, mostrando através deles os problemas e as delícias desse povo tão festeiro. Não é a toa que a história acontece na terça de carnaval. Uma data tão importante para aquele povo.

No elenco alguns nomes se destacam a já citada Luciana Souza dá um show fazendo a evangélica recalcada. Lázaro Ramos além da interpretação precisa mostra seu lado cantor pouco conhecido até então. E lógico o ainda pouco conhecido Wagner Moura chama atenção pelo tipo malandro cheio de personalidade e com trejeitos próprios, para variar, belo trabalho do baiano, que estava em casa nesse longa.

O roteiro foi adaptado de uma peça teatral homônima de 1992. Caetano Veloso ao ter acesso ao texto foi o grande idealizador do projeto, a ponto de cogitar dirigir o longa, fato que declinou bem antes do filme sair do papel.

A produção mesmo com seus exageros é um belo exemplar que mostra, que sim, podemos fazer musicais com uma linguagem própria.

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PRÊMIOS

GRANDE PRÊMIO DO CINEMA BRASILEIRO
Indicações: Melhor Ator – Lázaro Ramos e Melhor Roteiro Adaptado

TRAILER

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3 Comentários

  1. Filipe

    Uma grande obra-prima brasileira, um filme genuinamente nacional !

  2. Kelly

    A critiCa está muito boa. SÓ a sinopse que creio estar errada… filmes trocados!

    • Kadu Silva

      Oi Kelly

      Você tem razão, obrigado por nos avisar. A sinopse já está alterada. Obrigado pelo comentário, volte sempre no site. Bjs!