O Picolino (Crítica) #TBT

Pedro Vieira

Fred Astaire foi um dos maiores astros da época de ouro dos musicais hollywoodianos. Muitas vezes, ele é considerado um dos culpados da popularização do gênero durante a década de 30 e quando se unia com Ginger Rogers, sua habitual parceira nas telas, uma dupla praticamente implacável de dançarinos era formada. Dentre os filmes que os dois estrelaram na época, O Picolino (Top Hat) é lembrado como um dos mais populares, se tornando referência quando o assunto é musical.

A história é bem simplória, uma característica dos filmes de Astaire, mas nem por isso menos charmosa e envolvente: Jerry (Astaire) e Dale (Rogers) são dois jovens que se conhecem em um hotel e acabam apaixonando-se, mas um engano faz com que Dale confunda Jerry com outra pessoa, complicando a situação do casal.

Embalado por músicas escritas pelo lendário Irving Berlin (indicado ao Oscar pelo seu trabalho aqui), o filme é um exemplar da poderosa e atraente voz de Astaire, que é capaz de seduzir o espectador em cada uma de suas canções – Rogers, infelizmente, só canta no seguimento da música “The Piccolino”, o que é uma pena. Entretanto, o que chama a atenção no filme são seus números de dança, nos quais Astaire e Rogers não apenas entram em uma sincronia incrível, como mostram toda a suas habilidades como dançarinos da maior categoria. O filme, aliás, tem duas sequências de dança da dupla que rivalizam entre si como uma das melhores já realizadas no cinema: a famosa valsa de “Cheek to Cheek” e a agitada cena de “The Piccolino”.

O Picolino (Crítica)

Todas as coreografias foram planejadas pelo próprio Astaire ao lado de Hermes Pan, outro tradicional parceiro do ator (e o único creditado por tal trabalho no longa). Juntos, eles oferecem aos espectadores danças hipnotizantes cheias de elegância e que em cena criam uma ótima sincronia entre Astaire e Rogers. Os dois astros, porém, não ficam apenas presos a uma coreografia ensaiada e conseguem oferecer individualidade a cada um de seus personagens enquanto dançam: Astaire faz isso sempre mantendo seu foco em Rogers (sinal da paixão de seu personagem), enquanto a atriz se move de forma mais leve, com o rosto virado, como o de alguém que quer não sabe se quer fugir de seu par ou permanecer junto a ele – uma atitude que só muda durante as performances finais da dupla, quando eles já resolveram seus problemas.

Inteligente a ponto de conseguir criar situações cômicas com o pouco que o roteiro lhe proporciona, O Picolino tem nos encontro entre os personagens de Edward Everett Horton e Erik Rhodes seus momentos mais divertidos (fora das sequências musicais, claro). Já o personagem de Eric Blode é pouco mais que uma piada pronta, muitas vezes sem graça de tão previsível.

Verdadeiro marco dos musicais, O Picolino é o maior trunfo de Astaire e Rogers em sua carreira. Um filme que pode parecer ingênuo, mas que se mostra absolutamente requintado naquilo que se propõe: ser um grande número de dança para sua dupla protagonista.

Pôster de divulgação: O Picolino

Pôster de divulgação: O Picolino

SINOPSE

Em Londres, Jerry Travers (Fred Astaire), um dançarino americano, está ensaiando um número de sapateado em seu quarto de hotel, pois foi contratado por Horace Hardwick (Edward Everett Horton), um empresário, para fazer um show. Entretanto, ele acaba incomodando a bela Dale Tremont (Ginger Rogers), a vizinha do quarto embaixo, que aparece para reclamar. Logo Jerry fica apaixonado e, gradativamente, ela também começa a flertar com Jerry. É quando ela pensa que ele é Horace, o marido de Madge Hardwick (Helen Broderick), sua melhor amiga, pois Jerry estava no quarto de Horace. Além disto, Dale tem um envolvimento comercial com Alberto Beddini (Erik Rhodes, um costureiro, que a leva para Veneza para Dale mostrar seus vestidos. Jerry precisa fazer o possível para desfazer a confusão e conquistá-la.

DIREÇÃO

Mark Sandrich Mark Sandrich

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Dwight Taylor
Título Original: Top Hat
Gênero: Comédia Musical
Duração: 1h 41min
Classificação etária: 14 Anos
Lançamento: 21 de outubro de 1935

Comente pelo Facebook