O Poder de Diane (Crítica)

Pedro Vieira

“Eu posso separar a minha boca da minha mente” essa frase dita pela protagonista de “O Poder de Diane” (Diane a les épaules) no início do filme resume uma parte de sua personalidade: impulsiva e sempre alegre, ela é uma jovem mulher que prefere se manter longe de grandes responsabilidades e gosta de aproveitar o que a vida lhe oferece.

Entretanto, Diane (Clotilde Hesme) aceitou ser barriga de aluguel de seu amigo Thomas (Thomas Suire) e seu marido (Grégory Montel), o que a obriga a se cuidar mais do que o normal. Durante o período da gestação, ela acaba se envolvendo com o eletricista Fabrizio (Fabrizio Rongione) e precisa lidar com todos os empecilhos que a gravidez pode trazer ao seu novo relacionamento.

Embora nunca deixe de tratar os temas da gravidez e da barriga de aluguel de forma série, o filme desenvolve sua trama com leveza, criando situações cômicas a partir do cotidiano da protagonista – como o momento em que ela tenta pintar as unhas e percebe que não alcança a ponta dos pés por causa de sua barriga.

O Poder de Diane (Crítica)

Não há grandes conflitos, e os que existem, ou são rapidamente solucionados, ou acabam se concentrando no clímax final. Os problemas que envolvem a vida da protagonista são expostos apenas nas entrelinhas dos diálogos, como quando Diane comenta sobre sua profissão a Fabrizio, de modo que o roteiro de Fabin Gorgeart consegue transforma-la em uma personagem complexa, mas jamais se aprofunda em grandes dramas. Isso, porém, não é um revés para o filme, já que sua curta duração é capaz de oferecer agilidade à trama e, alinhada aos bons momentos de comédia, evita que o espectador fique desinteressado pelo filme.

O que realmente marca toda a narrativa é a força de sua atriz principal. Hesme consegue construir Diane de modo que ela não se torne uma personagem desprezível ou arrogante, mesmo se mostrando convencida em determinados momentos, e com seu tom de voz oferece pequenas mudanças de humor à personagem que revelam suas convicções, preocupações, forças e fraquezas. Ao lado dela está Rongione, que desenvolve uma boa química com Hesme e jamais rouba seu protagonismo, sabendo elaborar um Fabrizio ponderado, enquanto que Suire impede que o preocupado Thomas se torne o típico personagem certinho e enfadonho, mesmo quando suas ações rivalizam com as da protagonista.

Interessante ainda notar como o diretor Gorgeart usufrui da melhor maneira possível das atuações de seu elenco, ao criar muitas cenas sem música em plano americano que permitem que os atores se expressem com liberdade e que realçam a entonação de suas vozes.

“O Poder de Diane” jamais julga sua personagem feminina por suas escolhas e por sua liberdade, o que possibilita que a temática da barriga de aluguel não caía em dramalhões ou clichês que envolvem mulheres gravidas e que poderiam enfraquecer o filme. Ao tomar a decisão de criar um longa-metragem simples e leve, Gorgeart faz com que sua obra consiga um lugar de destaque no modo como pinta a imagem de uma mulher grávida, a qual pode ser vista como fora do comum, mas que jamais deixa de ser real.

Pôster de divulgação: O Poder de Diane

Pôster de divulgação: O Poder de Diane

SINOPSE

Diane (Clotilde Hesme) é uma jovem mulher perdida na vida. Entre uma festa e outra, ela decide servir como a barriga de aluguel para Thomas (Thomas Suire) e Jacques (Gregory Montel), um casal de amigos muito próximo. Durante a gestação, ela se muda para a casa dos avós no campo e conhece Fabrice (Fabrizio Rongione), um eletricista local. Enquanto ela se prepara para dar a luz, os dois iniciam um romance improvável.

DIREÇÃO

Fabien Gorgeart Fabien Gorgeart

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Fabien Gorgeart
Título Original: Diane a les épaules
Gênero: Comedia
Duração: 1h 27min
Classificação etária: 12 Anos
Lançamento: 18 de outubro de 2018 (Brasil)

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