O PREÇO DA FAMA (Crítica)

O PRECO DA FAMA

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Por Elisabete Alexandre

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25 de Dezembro de 1977, morre o ator e diretor Charlie Chaplin. Dois dias depois, acontece um dos mais famosos casos de roubo de cadáver da história: o caixão de Chaplin é levado do cemitério de Corsier-sur-Vevey, na Suíça. A polícia local suspeita de que neo-nazistas são os responsáveis pelo crime, uma espécie de vingança pelo filme O Grande Ditador, onde Chaplin satiriza Hitler. O caso ganhou repercussão no mundo todo, inclusive no Brasil, mas a viúva do ator, Oona O’Neil, evitava falar no assunto e, também, sobre o suposto pedido de resgate. Quando a polícia da Suíça desvendou o caso e recuperou o corpo de Chaplin, Oona ofereceu uma grande festa para mais de mil policiais em agradecimento. Essa é a história real.

Em O Preço da Fama, o diretor Xavier Beauvois (Homens e Deuses) reconta o caso, mas aqui o foco não são os fatos, mas a espécie de fábula que ele criou para justificar tal ação. A amizade e a lealdade entre duas pessoas, em um momento de grande necessidade para ambos, é a parte central desse filme. O fato dos dois personagens principais serem imigrantes apenas torna o filme ainda mais pertinente para o momento de crise que muitos países passam.

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Eddy Ricaart (Benoît Poelvoorde, de Coco Antes de Chanel) acaba de sair da prisão e é recebido de braços abertos pelo amigo Osman Bricha (Roschdy Zem, de Dias de Glória). Como o próprio Osman diz, por uma questão de princípios, ele abriga Eddy em um trailer ao lado do seu, onde vive com a filha, Samira (Séli Gmach), e a esposa, Rosa (Chiara Mastroianni, de Persepolis), que está internada, aguardando para fazer uma cirurgia no quadril e assim poder, após a recuperação, voltar a trabalhar como empregada doméstica. Samira quer ser veterinária, mas o pai já a avisou que não será possível, pois ele não tem dinheiro para os 5 anos de faculdade, pior do que isso, Osman não tem dinheiro para pagar a cirurgia da esposa. Vendo a situação do amigo, Eddy arquiteta um plano para ajudá-lo: sequestrar o caixão de Chaplin e pedir o resgate em dinheiro. Osman não é criminoso, até mesmo Eddy, que acaba de sair da prisão, não sabe muito bem o que está fazendo. Eles são apenas dois homens tentando sobreviver a uma crise.

Se identificou com a história? Não à toa. Além de toda a situação dos imigrantes refugiados na Europa, podemos fazer um paralelo com a atual crise brasileira e o número de desempregados que cresce a cada dia. Hoje, muitos brasileiros são Eddy, Osman, Samira e Rosa. No filme, a decisão de roubar o caixão é quase que um ato “inocente”, mas o ato desesperado é consequência de uma situação desesperadora: a falta de dinheiro e oportunidade de grande parte das pessoas que vivem em um mundo capitalista. Muitos dirão que tudo não passa de uma questão de escolha, outros, de meritocracia, mas quanto mais eu penso sobre o assunto, mais certeza eu tenho de que a tal da “escolha” é uma ilusão. Não existe escolha, pois a mesma já foi feita para você.

O Preço da Fama já foi exibido por aqui, no Festival Varilux de Cinema Francês, em Junho desse ano. Para quem não conseguiu ver o filme durante o festival, agora terá uma nova oportunidade e, aconselho, não perca essa também.

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SINOPSE

Eddy (Benoît Poelvoorde) acaba de sair da prisão e é recebido pelo amigo Osman (Roschdy Zem). Ao ver a situação difícil pela qual ele está passando – a esposa de Osman está no hospital aguardando para fazer uma cirurgia que não podem pagar -, Eddy tem uma ideia para ajudá-lo: sequestrar o caixão do recém falecido Charlie Chaplin e pedir o resgate em dinheiro para a família.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Xavier Beauvois” espaco=”br”]Xavier Beauvois[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Xavier Beauvois, Etienne Comar e Marie-Julie Maille
Título Original: La rançon de la gloire
Gênero: Drama / Comédia
Duração: 1h 54min
Ano de lançamento: 2015
Classificação etária: 16 Anos
Lançamento: 01 de outubro de 2015 (Brasil)

TRAILER

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