O Primeiro Homem (Crítica)

Kadu Silva

Uma experiência inesquecível!

O jovem e talentosíssimo diretor Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações), (para variar), entrega mais um filme impecável, ainda que suas escolhas a certa da narrativa e diálogos possa não ser tão comercial como seus outros dois longas.

O filme conta a história do astronauta norte-americano Neil Armstrong (Ryan Gosling), o primeiro homem a pisar na lua. Conhecemos todos os sacrifícios pessoais de Neil e toda a pressão política e social sofrida pela NASA, durante as perigosas tentativas da primeira viagem espacial a lua.

Esse é o primeiro filme de Chazelle que não foi roteirizado por ele, quem assina o texto é Josh Singer (The Post – A Guerra Secreta), e como já foi citado, filme carrega a mão em detalhes técnicos e passagens bem detalhadas da vida de Neil e dos bastidores das missões à lua, quem é curioso ou apaixonado pelo tema é uma verdadeira aula. O interessante é que Singer conseguiu mesclar o aprofundamento de que é o Neil Armstrong, desconstruindo a imagem do mito e mostrando seu lado depressivo e de comportamento difícil e os detalhes pouco conhecidos dos bastidores das missões, sem deixar de lado o momento político da época nos Estados Unidos e no mundo. Muitas vezes o filme lembra um documentário visto as escolhas pontuais que entram durante a narrativa.

O Primeiro Homem (Crítica)

Apesar desse roteiro denso e repleto de conteúdo, Chazelle consegue encontrar um ritmo para a história que mesmo com mais de duas horas de duração, o longa não se torna cansativo, já que as diversas tentativas que Neil realiza na tentativa de conquistar a lua são realizadas com detalhes impressionantes. A sensação é que estamos na nave com ele, todo o desconforto que algo tão forte trás para o ser humano podemos por alguns minutos sentir. É uma cumplicidade catastrófica e ao mesmo tempo catártica.

Apesar do filme em seu arco principal ter como objetivo mostrar o lado humano de Neil, o que chama atenção é o momento social em torno da missão a lua, Chazelle não poupa o lugar de fala do cidadão que paga seus impostos e não entende o enorme gasto com algo tão superficial para o seu dia-a-dia, e o mais interessante que isso entra na narrativa para tornar tudo ainda mais envolvente e tocante.

Além da direção impecável e do roteiro forte, alguns outros elementos merecem menção, a fotografia é maravilhosa, enquadramentos e cores de encher os olhos, muito ajudado pela direção de arte primorosa, com uma reconstituição de época atenta aos detalhes, e a montagem que conseguiu encontrar o equilíbrio para tanto conteúdo. Além disso, o elenco também é algo impressionante, todos estão ótimos, Ryan Gosling (Dois Caras Legais) que vive o Neil trás essa imagem enigmática perfeita para o personagem, mas quem rouba a cena e acredito ser uma figura certa nas premiações é Claire Fox (Uma Razão Para Viver, The Crown), que faz a mulher de Neil, ela mostra uma presença cênica que vai da força a doçura numa naturalidade impressionante.

Na época em que aconteceu o fato da conquista da lua, muitos questionavam e até hoje questionam a veracidade do acontecimento histórico. Existe até uma teoria que Stanley Kubrick (2001: Uma Odisséia no Espaço) foi contratado pelo governo dos Estados Unidos para filmar o que seria a conquista da lua, bom se isso é verdade ou não, é algo que certamente nunca saberemos, mas o que podemos dizer é que Damien Chazelle conseguiu em “O Primeiro Homem” nos levar a lua numa jornada inesquecível! (Kubrick ficaria orgulho de seu contemporâneo).

Pôster de divulgação: O Primeiro Homem

Pôster de divulgação: O Primeiro Homem

SINOPSE

A vida do astronauta norte-americano Neil Armstrong (Ryan Gosling) e sua jornada para se tornar o primeiro homem a andar na Lua. Os sacrifícios e custos de Neil e toda uma nação durante uma das mais perigosas missões na história das viagens espaciais.

DIREÇÃO

Damien Chazelle Damien Chazelle

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Josh Singer
Título Original: First Man
Gênero: Drama
Duração: 2h 22min
Classificação etária: 12 Anos
Lançamento: 18 de outubro de 2018 (Brasil)

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