O QUARTO DE JACK (Crítica)

O QUARTO DE JACK

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Por Pedro Vieira

HISTÓRIA DE TRAGÉDIA E SUPERAÇÃO SURPREENDE PELA HONESTIDADE DE SEUS PERSONAGENS

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Há diversas histórias de superação e crescimento sendo contadas todos os anos pelo cinema. Porém, poucas delas trazem personagens tão singulares e com um desenvolvimento tão honesto quanto a narrada pelo filme “O Quarto de Jack” (Room), longa dirigido por Lenny Abrahamson a partir do roteiro de Emma Donoghue, que escreveu o livro homônimo que originou o filme.

Essa singularidade vem do pequeno Jack (Jacob Tremblay) e sua mãe Joy (Brie Larson), que moram sozinhos num quarto fechado, com uma pequena claraboia no teto sendo o único vislumbre do mundo exterior que os dois possuem. Joy foi obrigada a criar o garoto desde pequeno no cômodo, pois foi sequestrada quando tinha 17 anos e tem passado os últimos 7 anos de sua vida dentro do quarto servindo ao seu sequestrador e cuidando do garoto da forma como pode. Devido a isso, Jack nunca teve contato com o mundo exterior e criou uma fantasia dentro de sua cabeça de que não existe mais nada fora do quarto devido às histórias contadas pela mãe. O garoto, entretanto, precisa começar a tomar consciência do mundo fora de seu quarto para tentar ajudar a mãe com um plano que pode liberta-la do seu cativeiro.

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A relação entre mãe e filho proposta pelo filme é muito bem exposta graças a ótima atuação do pequeno Tremblay e de Larson, que conseguiu uma indicação ao Oscar por seu papel. A química dos dois é ótima, e mesmo quando precisam interagir com outras personagens, os dois atores se saem muito bem em seus papéis, com Larson trazendo à tela toda a força protetora de uma mãe alinhada a um drama emocional fortíssimo na expressão de seu olhar, enquanto Tremblay demonstra sua timidez e inocência de forma encantadora pela sua voz fraca e doce.

Como Jack é uma criança curiosa de apenas 5 anos que pouco conhece o restante do mundo, a direção de Abrahamson se preocupa em acentuar o ponto de vista do garoto com planos fechados e closes de objetos do cenário, enquanto que o enquadramento pode ser mais aberto nos momentos em que o foco é a mãe – mas não muito, já que o filme precisa manter seu carácter claustrofóbico devido ao estado emocional de suas personagens causado pelo quarto. Com esse duplo foco nas personagens o filme cria uma dualidade, que é de certo modo uma parte da essência do longa, já que a narrativa também será dividida em dois pontos, e o longa terá a preocupação de transformar a narrativa tanto em um drama comovente, quanto trágico ao descrever o processo de evolução de seus protagonistas.

O problema, entretanto, é quando o filme acaba perdendo sua veia mais trágica e cria sequências que se esforçam tanto para comoverem, que terminam por se tornarem estranhas em relação ao restante da obra. “O Quarto de Jack”, porém, consegue entregar um resultado bastante satisfatório, e ao seu final, é capaz de até mesmo criar uma metáfora a partir de um movimento de câmera que pode parecer simples e comum para os mais desatentos, mas que na verdade possui um grande significado para esse filme.

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SINOPSE

Uma história moderna sobre o amor sem limites entre mãe e filho. O pequeno Jack (Jacob Tremblay), de cinco anos, não conhece nada do mundo, exceto o quarto em que nasceu e cresceu acompanhado apenas por Ma (Brie Larson).

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Lenny Abrahamson” espaco=”br”]Lenny Abrahamson[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Emma Donoghue
Título Original: Room
Gênero: Drama, Suspense
Duração: 1h 58min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: 16 anos
Lançamento: 18 de fevereiro de 2016 (Brasil)

TRAILER

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