O que esperar da 5ª Temporada de Orange is the new black

Igor Pinheiro

Orange is the new black5

A quinta temporada de Orange Is the New Black chega à Netflix com uma complicada missão: reconquistar tamanho original do espaço que tinha no meu coração. Eu continuei amando a série, é claro, mas não é possível comparar com todos os sentimentos que ela me causou em suas duas primeiras temporadas. E sim, farei esse texto ser sobre mim. Mentira (ou não).

A ideia da quinta temporada é muito boa, começar exatamente no ponto em que fomos deixados no ano anterior e se passar toda durante os três dias de rebelião em Litchfield foram fatores que me chamaram atenção de cara. E eles realmente dão à série o ritmo certo para a mescla de drama, comédia e até mesmo ação que ela se torna nesse ano.

A evolução da maioria dos acontecimentos do fim da quarta temporada é boa e funciona no contexto da rebelião. O porte da arma de Daya traz toda a reflexão sobre o poder que temos desde o começo da série. O luto de Soso e Crazy Eyes trazem o drama sem ser exagerado. Os flashbacks (alguns são desnecessários, ok) motivam personagens a atos que mudam a rota da história. E Taystee, minha personagem favorita, traz a discussão de lugar de fala para mulheres a um outro nível, aprofundando a série no assunto do feminismo negro de um jeito que me parece muito preciso.

A quinta temporada, mais do que tudo, chega ao ponto crucial de toda a série: a crítica ao sistema penitenciário, especificamente o feminino. As demandas resultantes da rebelião, o tratamento recebido pelos guardas e o próprio comportamento destrutivo são resultados de um sistema precário.

Por outro lado, a falta de relevância do relacionamento entre Piper e Alex acaba se tornando um ponto negativo, as primeiras protagonistas da série acabam se tornando menos que coadjuvantes e aparecendo muito pouco, principalmente na primeira metade da temporada, com a própria Piper chegando a questionar sua importância, uma vez que não está presente nos momentos importantes do presídio, como o estopim da rebelião e a fuga para o lago no fim da terceira temporada. Em contraponto, o relacionamento entre Morello e Nicky se desenvolve melhor, mesmo que de forma rasamente explicada, trazendo mais substância às personagens.

A mensagem principal da série volta a ser a mesma: união entre as mulheres de Litchfield, fator que tanto chamou atenção na segunda temporada, quando todas tinham um inimigo em comum (a vilã Vee). E isso traz de volta toda a força que o show precisa para continuar.

A série já foi outra coisa e isso me incomoda, mas não significa que essa transformação não tenha sido boa. Os temas abordados continuam sendo relevantes e apesar de pecar em certos pontos, a série continua como um dos maiores exemplos de representatividade e diversidade que temos atualmente. E isso nunca vai ser um ponto negativo.

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