O SOM AO REDOR (Crítica)

O SOM AO REDOR

Um brilhante estudo sobre a atual sociedade brasileira

Desde os anos 90 que a sociedade brasileira passa por uma transformação grande devido a estabilidade financeira – a classe média que tinha poucos privilegiados, hoje é uma das classes mais influentes, principalmente por conter uma faixa grande da população nela. Mas será que certos hábitos também mudaram?

No começo do século passado o Brasil estava saindo de um período triste, que foi a escravidão, mas demorou muitos anos para que de fato o negro se sentisse liberto daquele modo “covarde” em que viviam. Em algumas regiões do Brasil o processo foi ainda mais lento. E a cultura da época até nos dias atuais apresentam sinais.

Apresentando essa panorama, temos o cenário do filme do Kleber Mendonça Filho que utiliza o bairro onde vive, mas precisamente a sua rua para mostrar um conto particular em que podemos ver como os avanços que o Brasil vem obtendo, trouxe grande mudanças estruturais, mas a cultura enraizada por anos continuam ali.

Kleber Mendonça é um ex crítico de cinema de recife – que por anos trabalhou na função de mostrar seus argumentos sobre as obras de suas companheiros de profissão e a alguns anos, vem produzindo suas próprias obras, até então, eram somente curtas-metragens que brilharam em vários festivais pelo mundo afora.

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O Som ao Redor é o seu primeiro longa-metragem, que muitos consideravam um teste derradeiro, já que para um ex crítico uma estreia na direção, trás ainda mais responsabilidade, pois isso mostra que de fato ele sempre soube do que escrevia. Kleber pelo que estamos vendo passou no teste com louvor. O filme vem tendo uma calorosa recepção por onde passa e a cada novo festival acumula prêmios e mais prêmios.

Não tem como dizer mais detalhes sobre a trama, porque qualquer detalhe fora de contexto pode estragar a experiência de ver esse conto de protesto. O que pode ser dito é que o roteiro é surpreendente, a todo momento somos levados a acreditar em um determinado desfecho, mas o brilhantismo de Kleber joga todo por terra numa reviravolta de cair o queixo.

Vale destacar também a brilhante direção, que ajudada pelo diretor de fotografia consegue numa simples mudança de angulação de câmera apresentar profundamente um personagem, sem nos closes ou em algum detalhes especifico – um verdadeiro show. A direção de Kleber bebe de vários outros cineastas – algo natural, afinal por anos ele esteve com seu olhar voltado para as produções desses mestres. Senti muito uma influencia de Hitchcock, mas não no suspense e sim na forma de contar a história com imagem, a imagem aqui é muito importante e é nela, sem grandes diálogos, que muito é passado.

Mas os diálogos quando acontecem são simplesmente geniais de um humor acido único. Chorei de rir, literalmente, como a hipocrisia e a simplicidade de alguns personagens diante de diversas situações. Nossas tão famosas, atualmente, comedia nacionais não conseguem nada perto desse humor tão profundo e inteligente, INFELIZMENTE.

Ainda pode-se destacar o nível de atuação do elenco. Todos estão muito bem até porque a forma do roteiro que não apresenta um protagonista necessitava de atores nivelados em suas atuações e isso ocorre. Destaco Irandhir Santos, que mais uma vez brilha na composição perfeita do vigia, mas principalmente Maeve Jinkings que é o coração do filme, sua entrega é comovente e é dela os grandes momentos do filme, seja no humor ou no drama ela sempre brilha.

Apesar da trama se passar em Recife, tudo que ali vemos está acontecendo do seu lado, basta sair um pouco da “caixinha” e observar. Esse medo do outro, o isolamento, a concorrência pelo melhor, está tudo acontecendo agora. Então O Som ao Redor além de um filme muito divertido e gostoso de se ver é uma obra que nos faz abrir os olhos e começar a enxergar nossos próprios umbigos, que infelizmente, não está assim tão grande coisa como imaginamos. Sem dúvida já entra para a lista do melhor filme que estreou em 2013 mesmo ainda sendo muito cedo.

DESTAQUE

Para o INCRÍVEL trabalho de mixagem e edição de som. O barulho (som) no filme tem uma função primordial, visto no próprio titulo do longa. Veja que você entenderá porque. Mas veja mesmo, é um filme que precisa ser assistido no cinema, todos os aspectos técnicos são de extremo bom gosto e brilhantismo que não vemos com frequência nos longa nacionais.

SINOPSE

A presença de uma milícia em uma rua de classe média na zona sul do Recife muda a vida dos moradores do local. Ao mesmo tempo em que alguns comemoram a tranquilidade trazida pela segurança privada, outros passam por momentos de extrema tensão. Ao mesmo tempo, casada e mãe de duas crianças, Bia (Maeve Jinkings) tenta encontrar um modo de lidar com o barulhento cachorro de seu vizinho.

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ELENCO

[do action=”cast” descricao=”Gustavo Jahn (João)” espaco=”x”]01 Gustavo Jahn[/do][do action=”cast” descricao=”Irandhir Santos (Clodoaldo)” espaco=”x”]02 Irandhir Santos[/do][do action=”cast” descricao=” Maeve Jinkings (Bia)” espaco=”x”]03 Maeve Jinkings[/do][do action=”cast” descricao=”W.J. Solha (Francisco)” espaco=”br”]04 W.J[/do]

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Kleber Mendonça Filho” espaco=”br”]Kleber Filho[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Kleber Mendonça Filho
Título Original: O Som ao Redor
Gênero: Drama
Duração: 2h 11min
Ano de lançamento: 2013
Classificação etária: 16 Anos

TRAILER

5estrelas

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