O TEMPO E O VENTO (Crítica)

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Por Emílio Faustino

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O filme “Tempo e o Vento” é anunciado como uma superprodução nacional épica, contudo, épica mesmo é a nossa decepção ao se deparar com um filme que tinha tudo pra ser bom (dinheiro, elenco e história), mas que acabou se perdendo nas mais de 27 modificações que o rodeiro sofreu no decorrer do projeto.

Acho que essa é a forma mais fácil de acabar com a essência de algo, a história original foi mudada tantas vezes, que o vemos no resultado final ao invés de ser um diamante lapidado, é uma versão homeopática do que deveria ser arte bruta.

O diretor Jayme Monjardim (Olga), responsável por recriar a obra de Érico Veríssimo para as telonas do cinema apresenta uma direção desastrada que se reflete em péssimas atuações, que por vezes fica tão artificial que mais parece aquele teatrinho de ginásio apresentado pelos próprios alunos na escola. Nesse sentido, as coisas melhoram após algumas passagens de tempo na história até a chegada do aceitável Thiago Lacerda e de uma simpática Marjorie Estiano. (Ahh Fernanda Montenegro esta bem, mas até ai nenhuma novidade).

O filme começa com cenas precisas de céus alaranjados em tons oníricos e a silhueta de um homem montado num cavalo, despertando a curiosidade pelo desenrolar da história. Passadas essas belas imagens artísticas e contemplativas, entra em contraste uma índia grávida correndo por pedras e precipícios para salvar sua vida e a de seu bebê, uma cena mal atuada, quase amadora. Essa intercalação entre imagens belas e cenas mal feitas, que a princípio parecia apenas um equívoco passageiro, torna-se a tônica do filme.

O espectador é por vezes um mero observador de cenas artísticas, contrapondo-se com cenas de uma minissérie que ainda vai estrear. (E sim, embora o diretor tenha negado na coletiva de imprensa, um blog do portal da Globo assinado por Patricia Kogut já confirmou que “O Tempo e o Vento” irá virar uma minissérie).

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(A imagem acima foi tirada do próprio site do filme “O tempo e o Vento”)

O enredo sobrepõe as memórias de Bibiana Terra Cambará com a realidade que a cerca. Ao invés de optar pelo uso de maquiagem para envelhecer os atores, o diretor opta por usar três atrizes para interpretar a mesma personagem em fases diferentes: Marjorie Estiano interpreta a Bibiana jovem, Janaína Kremer interpreta a Bibiana adulta e por fim a hors-concours Fernanda Montenegro interpreta a Bibiana senhora. (Uma opção um tanto quanto questionável, afinal dividindo a personagem em 3 atrizes diferentes, o diretor tira qualquer possibilidade de mostrar a versatilidade e profundidade do trabalho delas, que mal esquentam lugar no filme, já dão passagem para outra atriz assumir o mesmo papel).

Já os personagens masculinos passam quase despercebidos, tamanha a força das mulheres que são retradas no filme. O famigerado personagem capitão Rodrigo Cambará é interpretado por Thiago Lacerda, que pouco empresta ao personagem, embora seja ele o responsável por quebrar a monotonia geral do filme, com risos comedidos.

Agora o que mais incomoda no filme sem dúvida é a trilha sonora, não que a música clássica em si seja ruim ou de qualidade duvidosa, mas o uso excessivo dela em cenas que simplesmente não conversavam com a trilha. Sabem aquelas músicas de superação usadas em momentos chaves dos filmes, quando o cara ganha a guerra, reencontra um filho, ganha uma corrida?! Então… Esse tipo de música com tom altamente dramático é usado para todas, eu disse TODAS as cenas do filme, desde uma cena onde o pão esta sendo cortado, até as cenas em que o tom de dramaticidade realmente seria necessário. (É altamente desgastante e pedante a trilha sonora, que se esforçou em compensar uma emoção que o filme em si não passa).

A lista de coisas que o filme não agrada é gigantesca, vai desde o figurino que mais parece que foi reaproveitado da minissérie “A casa das Sete Mulheres”, até a edição que corta tanto as cenas, que por vezes deixa o telespectador perdido. Um exemplo disso: O personagem capitão Rodrigo Cambará passa praticamente 1/3 do filme cortejando e tentando conquistar uma mulher que ele nem sequer sabe se gosta dele, de repente corta a cena e eles estão na igreja se casando. Oi?!?!

Esse é um dos indícios que leva a crer que o filme na verdade foi pensado para se tornar uma minissérie. Provavelmente com mais tempo, as cenas e a trama poderá ser aprofundada e aquilo que o telespectador do cinema possa vir à sentir falta, será certamente encontrado na telinha da TV.

Pra finalizar com chave de ouro, o filme de caráter épico que tem como principio adaptar a obra do BRASILEIRISSÍMO Erico Veríssimo termina com uma música cantada em INGLÊS pela bela voz da Maria Gadú. O diretor justificou a escolha dizendo que fez essa opção para que o filme pudesse ser mais aceito no exterior.

O fato é que ele não agradou nem o pessoal daqui. Se existe alguma reflexão que o filme “O Tempo e o Vento” traz é: as duas horas que se perde no cinema vendo este filme não voltam mais, então aprendam a valorizar melhor o seu tempo, porque o vento não o trará de volta.

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DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Jayme Monjardim” espaco=”br”]Jayme Monjardim[/do]

SINOPSE

Rio Grande do Sul, final do século XIX. As família Amaral e Terra-Cambará são inimigas históricas na cidade de Santa Fé. Quando o sobrado dos Terra-Cambará é cercado pelos Amaral, todos os integrantes da família são obrigados a defender o local com as armas que têm à disposição. Esta vigília dura vários dias, o que faz com que logo a comida escasseie. Entre eles está Bibiana (Fernanda Montenegro), matriarca da família que recebe a visita de seu falecido esposo, o capitão Rodrigo (Thiago Lacerda). Juntos eles relembram a história não apenas de seu amor, mas de como nasceu a própria família Terra-Cambará.

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Érico Veríssimo, Letícia Wierzchowski e Tabajara Ruas
Título Original: O Tempo e o Vento
Gênero: Drama
Duração: 2h 7min
Ano de lançamento: 2013
Classificação etária: 14 anos

TRAILER

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2 Comentários

  1. Lia

    Tudo isso por que é um filme que conta um pouco da historia do nosso querido Rio Grande do Sul, se fosse um filme falando do turismo e favelas cariocas estava tudo lindo

  2. Deisi

    ADorei o filme! Deveria ser mais divulgado por ser história do RS, por ser intrigante, ter valor…. Mas no brasil só dão valor para porcaria que não acrescenta nada.