O TOM POLÍTICO DOMINA O EMMY AWARDS 2017

Igor Pinheiro

O TOM POLÍTICO DOMINA O EMMY AWARDS 2017

Normalmente eu sou a pessoa que assiste o Emmy por diversão, reclama da maioria das coisas, concorda com algumas, mas no final acha que boa parte dos prêmios poderia ter um dono diferente. Um mala, eu sei. E esse ano fui assistir até com o coração um pouco mais aberto, minha única exigência era que Mala Millie Bobby Brown não ganhasse nada (e não ganhou, para o meu respiro aliviado). Mas o Emmy surpreendeu de uma fora que não fazia há tempo e muito positiva.

É claro que a maioria das questões envolveram política e percebemos isso desde sua abertura. Comandado por Stephen Colbert, o número inicial, que sempre chama atenção pela participação de muitos membros das séries, deixou claro que toda a cerimônia se trataria de política. E começou muito bem, apesar de eu ainda ter um pé atrás com piadas com mulheres vestidas como as aias de The Handmaid’s Tale, mas enfim… Teve o Sean Spicer (um dos idiotas do governo Trump que ganhou mais destaque despois das imitações feitas dele por Melissa McCarthy no Saturday Night Live) participando fazendo piada. Cês têm noção de como isso é grandioso? Pois é!

E a política não parou apenas nas piadas, alguns dos prêmios claramente envolveram isso, principalmente os de comédia. A incrível Kate McKinnon (assistam Rough Night, por favor) e o sempre ótimo Alec Baldwin ganharam prêmios por suas atuações no SNL, onde os dois interpretaram Hillary Clinton e Donald Trump, respectivamente, durante a última temporada do programa, que ainda levou mais prêmios. Veep, que foi renovada para sua sétima e última temporada, levou o prêmio de melhor série de comédia e é uma série sobre política. De quebra, Julia Louis-Dreyfus ainda quebrou o próprio recorde e ganhou o prêmio seis das seis vezes em que foi indicada por seu papel na série. Ela é incrível.

Sabe quem mais é incrível, leitor? A Laura Dern (assistam Enlightened!)! E ela levou prêmio. E Big Little Lies, como já imaginávamos, fez a festa. Muito merecidamente, claro. Jean-Marc Vallée é incrível e teve o que merecia, assim como Nicole Kidman, que até dividiu o prêmio com Reese Witherspoon, dizendo que não estaria lá sem ela. Talvez o prêmio menos merecido da série tenha sido o de Alexander Skarsgard, mais pela categoria do que por falta de merecimento do próprio. Mas foi lindo. Todos os discursos sobre como o ano tem sido ótimo para as mulheres na TV foram ótimos e emocionaram.

E eu não consigo nem imaginar o dilema que seria se BLL concorresse nas mesmas categorias que The Handmaid’s Tale. Ia ter briga seria, né? Física mesmo. Mas as duas foram separadas e todo mundo levou prêmio pra caramba. Eu só não amo mais a Elisabeth Moss porque ela é da cientologia. Mas eu amo a Ann Dowd, que merecia também ter sido indicada pela esnobada The Leftovers. As categorias de atrizes, aliás, foram as mais difíceis da noite, né? Só nome de peso! VOCÊ NÃO, MILLIE! Confesso que estava torcendo para Thandie Newton levar o prêmio por Westworld, mas foi bonito, de qualquer forma. Ah, e teve a Reed Morano, responsável pelos três primeiros episódios de Handmaid’s, levando prêmio. A mulher praticamente segmentou o que teríamos como visual para a série, e isso é incrível. E teve até piada com o fato da gente ter “feito” a Rory Gilmore sofrer em The Handmaid’s Tale. Foi lindo.

Também fiquei feliz com RuPaul interpretando o Emmy, mas não entendi The Voice ter sido o reality show vencedor. Já deu, não? Mas teve o Tituss Burgess arrasando quando apareceu (queria prêmio pra ele também) e teve Master of None levando o prêmio mais merecido da noite: o de roteiro pelo episódio Thanksgiving, um dos melhores episódios de qualquer série que já vi na vida. Juro pra vocês, sem exagero. Podem até parar de ler aqui e só voltar depois que assistirem.

E aí, assistiu? Bom, né? Falei…

E teve o queridíssimo San Junipero, de Black Mirror, levando dois prêmios. Curti bastante, apesar de ter notado que o episódio dividiu opiniões nas redes sociais.

Mas o Emmy também teve seus momentos de imperfeição, claro. Além da já citada The Leftovers esnobada nas indicações, Westworld foi esnobada mesmo sendo indicada, achei pesado, mas assumo que se eu não assistisse à série, provavelmente teria que ter comemorado o fato de não ter levado nada porque eu sou babaquinha assim às vezes, desculpa. E eles continuam indicando Modern Family, o que eu realmente não entendo. E teve aquele corte no discurso do Sterling K. Brown, que levou o prêmio que fez a galera de This Is Us (hit da temporada na TV aberta lá de fora) ficar toda emocionada, sendo que o discurso da Nicole Kidman foi enorme e nem subiram a musiquinha. Tem coisa aí!

No geral, gostamos. Precisamos evoluir? Pra caramba!!! Mas o Emmy de 2017 pode ser considerado um marco, acredito. A diversidade está sendo cada vez mais representada e a TV está ganhando muito mais força do que já tem com isso, com mensagens que realmente podem atingir as pessoas. E mesmo com esse parágrafo cafona, preciso dizer que essa é uma qualidade que precisamos assumir da premiação desse ano.

Confira a lista dos vencedores das principais categorias (clique aqui).

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