Oito Mulheres e um segredo (Crítica)

Emílio Faustino

Depois de muita expectativa, o mistério de OITO MULHERES E UM SEGREDO foi revelado nos cinemas. O filme que ostenta um elenco de peso (Sandra Bullock, Cate Blanchett, Anne Hathaway, Mindy Kaling, Sarah Paulson, Awkwafina, Rihanna e Helena Bonham Carter), chega nas telonas em um momento onde o empoderamento feminino nunca esteve tão em alta devido aos escândalos de abusos sexuais em Hollywood e as manifestações por parte das atrizes e diretoras nas grandes premiações.

Tudo o que o mundo queria era ver as mulheres sambando na cara dos homens neste filme que tinha tudo para ser uma espécie de catarse mundial.

No entanto, a versão feminina de “11 homens e um segredo” que também gira em torno de um grande golpe, falha na hora de elaborar a motivação de nossa protagonista (Sandra Bullock). Acreditem ou não, tudo se trata de um coração partido e do desejo de uma mulher de se vingar de um homem que outrora passou a perna nela.

Ao fazer isso o filme descaracteriza toda a engenhosidade do plano e limita tudo a vingança de uma mulher que põem em risco todas as demais. A motivação do roubo precisava realmente ser um homem? Uma mulher não pode simplesmente roubar para ficar milionária, tem sempre que envolver o sentimento? E dessa forma, o filme que era pra ser um hino de empoderamento acaba por se tornar um National Geografic onde é reforçado o esteriótipo que os homens são mais racionais e as mulheres são motivadas pelo emocional.

Detalhe: o mesmo equivoco foi cometido no filme “Mulher Maravilha” que também tinha o viés empoderador e falhou ao ter como gatilho para a liberação total dos poderes da heroína a morte de seu amado.

Oito Mulheres e um segredo (Crítica)

A parte disso, o filme tem seus acertos, o maior deles sem dúvidas é o elenco que contribui para dar credibilidade ao filme através de atuações convincentes e bastante eloquentes, destaque para Sandra Bullock, Helena Bonham Carter e Anne Hathaway que roubam a cena.

Para quem clicou na crítica só para saber como a Rihanna se saiu, uma nota rápida: ela faz praticamente ela mesma, a garota maconheira e deboísta. Nada que abrilhante ou ofusque o filme.

Longe de ser um filme ruim, “Oito Mulheres e Um Segredo” entrega um filme morno sem clímax, com um humor que eventualmente funciona. Em uma analogia livre, parece um carro com o motor ligado que não chega a engatar. Você vê nas telas as suas atrizes favoritas, em um filme que teria tudo pra ser icônico, você quer gostar, você torce para melhorar, mas no fim o que nos entregam é um filme “Ok”.

Talvez se o filme tivesse sido escrito e dirigido por uma mulher o resultado tivesse sido diferente, com mais sensibilidade e ousadia nas piadas contra os homens. A verdade é que nem todos são como o diretor Pedro Almodóvar que conseguem colocar na tela de forma brilhante a questões femininas.

De qualquer forma, apesar do filme ter motivações clichês é muito bom ver um elenco de peso só feminino. Foi uma oportunidade de ouro desperdiçada? Sim! Mas ainda sim é um avanço e uma oportunidade de as mulheres se verem representadas.

No meu íntimo a única coisa que eu pensei quando acabou o filme foi: “as mulheres mereciam mais”.

Finalizo a crítica com a seguinte frase: Tem gente que faz de um limão uma limonada, o filme tinha um verdadeiro hortifrúti e entregou um filme água com açúcar.

Pôster de divulgação: Oito Mulheres e um segredo

Pôster de divulgação: Oito Mulheres e um segredo

SINOPSE

Recém-saída da prisão, Debbie Ocean (Sandra Bullock) planeja executar o assalto do século em pleno Met Gala, em Nova York, com o apoio de Lou (Cate Blanchett), Nine Ball (Rihanna), Amita (Mindy Kaling), Constance (Awkwafina), Rose (Helena Bonham Carter), Daphne Kluger (Anne Hathaway) e Tammy (Sarah Paulson).

DIREÇÃO

Gary Ross Gary Ross

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Gary Ross, Olivia Milch
Título Original: Ocean’s 8
Gênero: Comédia , Policial
Duração: 1h 50min
Classificação etária: 14 Anos
Lançamento: 7 de junho de 2018 (Brasil)

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