OLYMPIA 2016 (Crítica)

Kadu Silva

Até Quando?

Diferente do que se imaginava, foram poucos filmes lançados no período da Olimpíadas 2016 com conteúdo esportivo para atrair a atenção do público. Olympia que estreia após a competição utiliza do tema como forma de protestar contra a enraizada corrupção que assola nosso país, mostrando através de ficção e momentos documentais o retrato profundo de uma cidade que está prestes a receber a edição da Olimpíadas.

No longa a cidade é Olympia, linda pelas suas riquezas naturais, mas administrada por governantes que só querem levar vantagens com a exploração indevida de tudo que ali se encontra, sem se preocupar com a população e com o desiquilíbrio ambiental que essa exploração possa causar.

O roteiro do também diretor Rodrigo Mac Niven (O Estopim) é muito inteligente em criar uma narrativa ficcional para determinados assuntos do filme, e diante da revelação de todo o esquema de corrupção que aos poucos é mostrado, fazer uma ponte para o real onde os depoimentos de diversas autoridades, moradores, estudiosos nós força a “sentir” todo o “absurdo” que a administração da cidade do Rio de Janeiro fez e continua fazendo em função das Olimpíadas.

A riqueza de detalhes que o filme mostra de cada concessão para as obras, as diversas figuras envolvidas para se beneficiar dela, o rabo preso dos veículos de comunicação que não relatam a real situação por também fazerem parte do esquema é de deixar o espectador boquiaberto, por mais que muita coisa já seja de conhecimento geral. A cereja no bolo é desfecho com o discurso do político que humilha todo o povo que é usado (pagando a conta) a anos para simplesmente beneficiar uma pequena parcela dessa população.

Sem contar que o filme vai além, encontrando espaço para incluir elementos simbólicos que transcendem a linguagem obvio da narrativa, como por exemplo as feridas nas costas dos personagens, elas representam a nossa constante poda diária das asas para não voarmos além do que querem que voamos, nossos comandantes vivem nós tirando a liberdade de pensar, negando uma educação descente, por exemplo.

Olympia 2016 é uma obra que chega no momento propício, afinal estamos prestes a uma nova eleição, e levar esse tapa na cara pode ser o que falta para não continuarmos a viver nesse esquema injusto que a corrupção proporciona. Como diz Gabriel o Pensador, Até Quando?

Um filme assim é o verdadeiro legado que podemos querer para sairmos desse lamaçal de sujeira que a anos nós acompanha. (Faça sua parte).

OLYMPIA 2016

SINOPSE

Um retrato aprofundado, tanto ficcional quanto documental, da cidade de Olympia, um local que se prepara para receber uma edição das Olimpíadas. No entanto, apesar da bela camada que os Jogos trazem para a cidade, no fundo, Olympia é assombrada por um verdadeiro fenômeno de corrupção tão enraizado que abate diversos níveis institucionais da sociedade e também toda a coletividade dos habitantes do local.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Rodrigo Mac Niven” espaco=”br”]Rodrigo Mac Niven[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Rodrigo Mac Niven
Título Original: Olympia 2016
Gênero: Documentário
Duração: 1h 21min
Classificação etária: 14 Anos
Lançamento: 15 de setembro de 2016 (Brasil)

Comente pelo Facebook