OPERAÇÕES ESPECIAIS (Crítica)

OPERACOES ESPECIAIS

4estrelas

Por Kadu Silva

O machismo “quebrado”, por um salto 15

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Infelizmente ainda vivemos numa sociedade antiquada! Por incrível que pareça em pleno século XXI, ainda somos testemunhas de machismo, preconceito e homofobia em todos os níveis sociais em nosso dia-a-dia. Por isso, um dos formadores de opinião que é o cinema, tem papel fundamental, para construir uma sociedade mais inclusiva e igualitária para as novas gerações.

Toda está introdução é para apresentar o novo filme do diretor Tomás Portella, Operações Especiais, que descontrói o universo “machista” da polícia nacional, colocando uma mulher super feminina de igual para igual com diversos homens, que foram criados para serem os machos alfa, aquele, que menosprezamos toda e qualquer espécie inferior a eles.

Essa “fêmea” aparentemente indefesa e frágil é Francis (Cleo Pires), uma jovem formada em turismo, que após vivenciar um assalto em seu local de trabalho, e ao presenciar a atuação da delegada responsável pela ocorrência, sente-se interessada entrar para a polícia, além disso, um pouco antes do ocorrido, ela havia terminado com o namorado que a menosprezava. Foi então, que viu a oportunidade de se tornar uma forte e poderosa mulher e se “vingar” do ex. Certa que seria somente aproveitada em trabalhos administrativos, Francis é pega de surpresa quando é escalada para uma missão perigosa na periferia do Rio de Janeiro e mesmo sem experiência em campo, vai ter que se adaptar ao perigo e aos seus colegas de trabalho, que a considera incapaz de estar na posição que foi designada.

Como filme policial, o roteiro, segue o padrão já bem manjado das produções do gênero, mas Tomás Portella e Martina Rupp, que assinam o roteiro, acertam exatamente ao colocar uma mulher como protagonista e tirar o espectador acostumado com estes paradigmas, do seu lugar comum, despertando neles uma reflexão sobre, o que afinal é uma designação feminina e o que é uma masculina? Será que ainda hoje existe espaço para o machismo em nossa sociedade? É obvio, que a personagem de Cleo Pires, precisa passar por cima de diversas situações constrangedora e provar que é capaz de estar naquele lugar, mas ainda assim, o filme mostra que está bem à frente dos demais, que só buscam entreter com cenas de ação.

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Portella, de longe, faz seu melhor trabalho no cinema. A maturidade aparece desde a escalação perfeita do elenco, a escolhas dos profissionais envolvidos na parte técnica, afinal o filme é um primor em sua montagem, a fotografia é perfeita, a trilha sonora adequada, ajudando sempre no desenvolvimento da trama, ou seja, a evolução do diretor é “gritante”. Portella também merece destaque ao conseguir um ritmo ágil na narrativa sem perder o teor intimista do psicológico da protagonista.

Além de Portella, Cleo Pires é outra que faz seu melhor trabalho até hoje, ela se transforma da “fútil” recepcionista de um hotel a heroína super poderosa da polícia nacional, de uma forma muito bem elaborada, sua transformação é muito bem composta pela atriz. Além de Thiago Martins que faz o machista top da polícia de forma brilhante, Marcos Caruso se destaca, por saber usar seu timing cômico pontualmente durante da trama, mesmo fazendo um personagem dramático (quem sabe, sabe!).

Operações Especiais é um filme que consegue entreter com suas incríveis cenas de ação, filmadas de forma brilhante e principalmente consegue deixar no espectador uma reflexão sobre seus atos, que podem não estar acompanhando o mundo atual.

Portanto quebre seus paradigmas sobre a “má” fama do cinema nacional e assista a está pérola, que entra em cartaz essa semana nos cinemas do Brasil.

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SINOPSE

Rio de Janeiro, 2010. Formada em turismo e trabalhando como atendente em um hotel, Francis (Cléo Pires) se anima com a possibilidade de entrar para a polícia civil. Ela presta o concurso e, após ser aprovada, passa a frequentar o curso de habilitação para policial. Trata-se do mesmo período em que ocorreu a invasão no Complexo do Alemão, com traficantes de vários morros cariocas fugindo para cidades periféricas. É o que acontece em São Judas do Livramento, cidade no interior do estado do Rio de Janeiro, que passa a lidar com uma onda de crimes sem precedentes. Para combatê-los é enviada a unidade liderada pelo incorruptível delegado Paulo Froes (Marcos Caruso), que conta com a presença da ainda iniciante Francis. No batalhão ela precisa lidar com a desconfiança dos demais policiais, especialmente Roni (Thiago Martins), e também com as dificuldades da profissão, dos perigos inerentes ao ofício até a corrupção existente ao seu redor.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Tomás Portella ” espaco=”br”]Tomas Portella[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Tomás Portella e Martina Rupp
Título Original: Operações Especiais
Gênero: Ação, Policial, Drama
Duração: 1h 30min
Ano de lançamento: 2015
Classificação etária: 14 Anos
Lançamento: 15 de outubro de 2015 (Brasil)

TRAILER

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