ORANGE IS THE NEW BLACK – 2ª TEMPORADA | Crítica

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Por Igor Pinheiro

Acho que o grande impacto da segunda temporada de Orange Is The New Black teve em mim foi a mudança da minha relação de amor e ódio com boa parte dos personagens. Isso não é ruim, pelo contrário, mostra o nível de envolvimento alto que consigo ter com a série e talvez essa fosse mesmo a proposta da temporada. Em uma plataforma como o Netflix, em que distrações secundárias podem aparecer a qualquer momento, é muito legal conseguir vários episódios seguidos e tal, mas enfim.

A temporada, no geral, foi excelente, mas não sei classificar como melhor ou pior que a primeira, tudo é muito diferente, o desenvolvimento já é outro. Enquanto antes tínhamos Piper perdida no mundo novo que era o presídio para ela, agora temos uma protagonista mais badass desde o primeiro episódio (que episódio, aliás), mas soltando as mesmas pérolas de sempre. E é muito legal perceber que conseguem deixar Piper como personagem secundária em vários momentos, mostrando que ela é realmente só mais uma dentro da prisão, sem ser mais especial do que ninguém. São cenas simples, tipo ela sendo tirada do telefone por alguma valentona (e o foco da cena é a valentona), mas que fazem toda a diferença pra mim.

Alguns episódios parecem ser soltos e um pouco fracos, mas acredito que isso se dê por conta do destaque de alguns personagens que não nos foram muito bem apresentados na primeira temporada. As histórias que eu mais destaco são a de Morello e Rosa. A primeira quase me fazendo passar a odiá-la (principalmente se tivesse arruinado o casamento do cara que ela perseguia fingindo ser seu futuro marido), mas tudo o que a gente consegue sentir é pena e vontade de abraçar (eu sei, eu sou estranho), nada de medo. E Rosa, presa há tanto tempo e com câncer, tem uma história essencial para o desfecho da temporada, também se relacionando com a trama de Morello.

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Vee é a personagem nova de destaque, muito destaque. Feita para ser odiada. Mas não do tipo que você gosta de odiar, você a odeia e pronta. E acho super legal o fato de que a série teve uma grande vilã, que todo mundo odiava, que fez as garotas se unirem. Ela também foi a responsável pela minha mudança de sentimentos pelos personagens. Taystee e Crazy Eyes caíram um pouco no meu conceito (principalmente a segunda), por mais que no fim tudo tenha “se acertado”. E Poussey subiu extremamente no conceito, sua história antes e durante a prisão, ela batendo de frente com Vee, se separando da melhor amiga, apanhando e mesmo assim se mantendo de pé, contra todo mundo que costumava estar do lado dela… Palmas! Também passei a odiar Larry e a melhor amiga da Piper por motivos óbvios e agora realmente não ligo para o que acontece fora da prisão, apesar do excelente episódio do velório.

E a trama dos funcionários do presido também foi excelente, tanto as individuais quanto as gerais. O destaque maior dado a eles nessa temporada foi muito bem feito e você consegue se envolver com cada um, ficando com raiva das injustiças que acabam acontecendo e torcendo para que se deem bem. E acho incrível como a gente consegue amar odiar Pornstache (beijo, Vee), mesmo que seja a pessoa mais nojenta do mundo.

O final é ótimo, com todas as tramas se misturando de alguma forma e acontecendo tudo o que não poderia acontecer. E a história da freira, que eu esqueci de comentar. E a história da caipira, com os dentes novos, sorrindo o tempo inteiro, que eu também deixei de comentar. Esse é o problema de ver todos os episódios de uma vez, é tanta coisa boa que eu não consigo colocar aqui… Mas faz parte.

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Fico tentando imaginar o que seria de Orange Is The New Black se não fosse o Netflix. Poucas emissoras dariam tanto espaço para uma série do tipo, a duração dos episódios varia, algumas situações são politicamente incorretas demais (até mesmo para HBO, Showtime e companhia) e, sei lá, a plataforma deixa tudo muito único. Então, é isso. Obrigado, Netflix.

Obs.: Estou lendo o livro que inspirou a série e é igualmente maravilhoso, recomendo.

Obs.2: Palmas para o roteirista do terceiro episódio, que escreveu a cena das meninas conhecendo melhor o sistema digital feminino.

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