OS 3 (Crítica)

Os 3

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FICHA TÉCNICA

Título Original: Os 3
Ano do lançamento: 2011
Produção: Brasil
Gênero: Drama, Romance
Direção: Nando Olival
Roteiro: Thiago Dottori, Nando Olival
Classificação etária: 14 Anos

Sinopse: Três jovens universitários de lugares diferentes do Brasil se conhecem numa festa, viram amigos, vão morar juntos e tornam-se inseparáveis. De tão unidos que são, o grupo ganha o apelido de “Os 3″. Quatro anos se passam, faculdade chega ao fim e a necessidade de ganhar dinheiro faz com que eles topem transformar o apartamento dele no cenário de um reality show, tendo eles como personagens e onde tudo pode ser vendido.

Por Kadu Silva

Jovem, moderno e impecável

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Às vezes fico imaginando o que serve de inspiração para alguns diretores e roteiristas para que surja certo longa-metragem, digo isso porque ouvi de algumas pessoas que esse filme Os 3 nada mais é do que uma cópia do filme Três formas de amar, se você só ver pelo trailer ou pela comunicação visual é isso que realmente parece, mas ao assistir o filme percebe-se que aqui vemos algo muito mais elaborado e que mistura temas atuais nessa “comédia” romântica dramática genial.

O roteiro é assinado por Thiago Dottori e o estreante diretor Nando Olival que na película faz uma mistura deliciosa que vai de discussões relevantes como o consumismo exacerbado, voyeurismo, exposição da intimidade na internet, junto com preconceitos, homossexualismo, amor a 3 e ai por diante, o filme é tão rico que poderia fazer umas 3 críticas com leituras diversas, mas vou tentar juntar um pouco de cada coisa que mais me chamou atenção desse imperdível filme.

A premissa não chega a ser nova, mas os elementos agregados dão um ar interessante para a trama, pois se trata da trajetória de três jovens universitários de lugares diferentes do Brasil que se conhecem numa festa,viram amigos, vão morar juntos e tornam-se inseparáveis. De tão unidos que são,o grupo ganha o apelido de “Os 3″. Quatro anos se passam, faculdade chega ao fim e a necessidade de ganhar dinheiro faz com que eles topem transformar o apartamento deles no cenário de um reality show, tendo eles como personagens e onde tudo pode ser vendido.

Os três são Victor Mendes (Rafael), Juliana Schalch (Camila),Gabriel Godoy (Cazé) atores novatos que assim como o diretor entram nesse projeto relativamente arriscado, pois sabemos como é difícil vender filmes sem algum ator famoso no elenco para atrair o público, e essa “inexperiência” dos atores também se torna fundamental para dar ainda mais realismo para a narrativa, pois o período em que eles estão no reality show e que começam a brincar de interpretar os personagens que seria mais vendável para o projeto é que o filme ganham status incríveis, pois o público fica totalmente em duvidado do que é verdade o que é inventado por eles, deixando esse terceiro ato do filme IMPECÁVEL.

O trio protagonista, Victor, Juliana e Gabriel é mais um grande acerto do diretor, pois estão sensacionais cada um com uma personalidade e o tom perfeito para dar vida a esse triângulo amoroso bem peculiar e de química perfeita, para mim o grande destaque é Gabriel Godoy, a sua naturalidade em fazer esse malandro debochado, impulsivo e também romântico é impar, minha admiração ficou enorme na cena em que ele se vê sozinho em sua casa e ai…

Nando Olival ganhou também minha enorme admiração ao conseguir criar um filme que parece banal com mais um triângulo amoroso, só que na verdade é somente o chamariz para uma profunda e pertinente discussão de assuntos importantes e que valem ser pensados.

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Uma das cenas que foi ovacionada no cinema que eu estava é a que os dois garotos se beijam, poderia ser também mais uma cena, mas o que chama atenção é que ele conseguiu criar com bem humorados e geniais diálogos uma situação que o tal discutível beijo gay ficasse normal e que ganhasse status de imperdível a ponto de levar todos na sala a aplaudir tal cena, para um diretor estreante criar essa situação não é fácil e se torna admirável.

Apesar do tal beijo, a película não se trata de um filme sobre homossexualismo, heterossexualismo ou mesmo bissexualismo e sim um filme que mostra exatamente a possibilidade de não existir regras quando uma grande amizade se torna uma enorme atração dela surge o amor mesmo que isso acontece entre 3 pessoas, o melhor que tudo isso é que foi feito sem julgamentos ou apelação é tudo realizado com uma simplicidade muito concreta retratando a juventude atual.

Antes de terminar para não me alongar mais, vale ressaltar um dos aspectos técnicos que logo de inicio me chamou muito atenção que é a montagem, não sabia quem era o responsável, mas já de cara gostei muito, ao terminar o filme e mostrar os créditos entendi porque chama tanta atenção, Daniel Rezende que faz, utilizando uma linguagem jovem e moderna sem ser uma malhação global. Para quem não sabe Daniel Rezende é o responsável pela montagem de A Árvore da vida e Cidade de Deus em que foi indicado ao Oscar.

Lembrei-me de mais uma coisa que para um filme desses é bacana colocar aqui, para você que gosta de saber se vale o ingresso ver um filme assim, veja o que a Variety americana disse sobre o longa Os 3.

“Certamente, quando os diretores dos estúdios de Hollywood assistirem a esse filme vai ter um remake por aqui, porque vale a pena”.

Acho que nem precisa dizer que é mais um selo dourado de um filme para jovens mais que faz pensar de forma leva e divertida. RECOMENDADÍSSIMO.

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DESTAQUES

Trilha sonora sensual e totalmente impecável, além de super bem direcionada na trama.

Vale destacar também a fotografia maravilhosa de Ricardo Della Rosa, nota 10.

PRÊMIOS

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Indicação: Revelação – Gabriel Godoy – Os 3

TRAILER

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