OS CAVALEIROS DO ZODÍACO: A LENDA DO SANTUÁRIO (Crítica)

Os Cavaleiros do Zodiaco

3estrelas

Por Pedro Vieira

NOVA ADAPTAÇÃO DA HISTÓRIA DE SEIYA AGRADA COM NOVO ESTILO DE ANIMAÇÃO, MAS FALHA EM SEU ROTEIRO

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Há cerca de 20 anos o anime que contava a lenda dos cavaleiros de Atena, baseado no mangá “Saint Seiya” de Masami Kurumada, chegava à televisão brasileira e em pouco tempo conquistou uma legião de fãs. Antes disso, ele já havia feito sucesso em seu país de origem, além de várias outras regiões do mundo. A obra de Kurumada se tornou franquia, e desde então tem recebido diversas adaptações, sendo a mais nova delas o longa “Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário”, que abandona o estilo 2D que consagrou o anime para se aproveitar do CGI e atualizar a franquia.

O filme (que, aliás tem Kurumada como produtor) adapta a famosa “Saga do Santuário”, uma das mais queridas pelos fãs, que mostra Seiya e o restante dos cavaleiros de bronze enfrentando os cavaleiros de ouro enquanto atravessam as doze casas correspondentes aos signos do zodíaco. Só que se a ideia é bem-vinda, ao mesmo tempo ela traz uma grande dúvida: como resumir mais de 70 episódios do anime (ou pouco mais de 20 volumes do mangá) em um filme de uma hora e meia?

A resposta é bem simples: cortam-se várias coisas e se enxugam outras. É o que torna o roteiro tão rápido, que fica difícil acreditar que aqueles que não estejam “iniciados” naquele universo vão conseguir entender o que está acontecendo. O início é um pouco mais explicativo e fácil de compreender, mas depois que os cavaleiros chegam ao santuário o filme ganha um ritmo desenfreado.

A partir daí a trama vira uma montanha russa que hora está no topo, hora descarrilha para o fundo. Personagens surgem e desaparecem sem explicação, casas são atravessadas sem ao menos aparecem em tela e outros problemas no roteiro fazem com que o espectador se perca e se pergunte “O que está acontecendo? Por que eles estão ali agora?”. Por causa disto, desaparece aquela emoção que percorria a série cada vez que os cavaleiros encontravam um novo inimigo, assim como a sensação de que eles evoluíram e se tornaram mais fortes depois de vencer uma luta.

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Em compensação, embates clássicos, como Hyoga contra Camus e Seiya contra Aiolia, são recriados no cinema com um CGI magnífico e envolvente. A animação deixa os golpes mais bonitos e modernos, traz texturas realistas às armaduras dos cavaleiros, cria cenários magníficos – como o novo santuário, que flutua imponente nos céus – além de se aproveitar ao máximo de movimentos de câmera que seriam difíceis de serem recriados em live-action. O CGI só fica estranho quando tenta emular os trejeitos cômicos dos animes tradicionais.

A versão brasileira do filme ainda ganha destaque pelo belo trabalho feito na dublagem. Como um presente para os fãs, praticamente todos os dubladores originais voltaram para seus respectivos personagens, e o sentimento de se voltar a ouvir aqueles personagens com aquelas vozes só pode ser descrito como uma sensação de nostalgia e agradecimento – afinal é impossível imaginar Seiya sem a voz do dublador Hermes Baroli.

Só que talvez esses sejam os únicos elementos que vão agradar os fãs de longa data da franquia. Isso porque para aproveitar o filme como um todo, é necessário aceitar as diversas modificações e “atualizações” feitas na mitologia dos cavaleiros. Algumas são mais fáceis de acolher: o novo formato de se guardar as armaduras em pingentes e não mais em grandes caixas; as mudanças no design das mesmas armaduras, que se modificam durante as batalhas; e Milo de Escorpião, que agora é retratado como uma mulher, mas nem por isso deixa de ser menos poderosa. Outras podem deixar alguns bem irritados, como um Máscara da Morte fanfarrão ou os novos poderes que o “Mestre do Santuário” adquiri no clímax da narrativa. São elementos que não devem afetar o público novo que vai ao cinema ter um primeiro contato com a história de Seiya (e que parece ser o alvo do longa), mas podem deixar muita gente irritada.

Desse modo, é difícil dizer se “A Lenda do Santuário” conseguirá agradar os fãs por causa de suas mudanças, ou se conquistará novos admiradores para a franquia. Basta dizer que como filme ele não é tão envolvente graças ao roteiro rápido e confuso, mas sabe desenvolver bem as sequências de lutas enquanto aproveita ao máximo o novo estilo de animação.

P.S.: O filme possui uma rápida cena pós-crédito.

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SINOPSE

Em uma remota era mitológica, havia os defensores da Deusa Atena. Quando as forças do mal ameaçavam o mundo, estes guerreiros da esperança sempre apareciam. Atualmente, após um longo período de guerra, a jovem Saori Kido, impressionada com os misteriosos poderes que possui, é inesperadamente atacada – e salva pelo cavaleiro de bronze Seiya. Desde então Saori, que começara a entender seu destino, ao lado de seus amigos cavaleiros de bronze Seiya, Shun, Hyoga, Shiryu e Ikki, decide se dirigir ao santuário. Porém lá, além de se defrontar com as armadilhas do Mestre do santuário, eles vão enfrentar um combate mortal com os mais poderosos dos cavaleiros: os orgulhosos cavaleiros de ouro.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Keiichi Satou” espaco=”br”]Keiichi Satou[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Chihiro Suzuki
Título Original: Saint Seiya: Legend of Sanctuary
Gênero: Animação , Ação
Duração: 1h 33min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: Livre

TRAILER

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