OS ESCOLHIDOS (Crítica)

OS ESCOLHIDOS

Por Jason

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A primeira parte de Os escolhidos é sólida. O tema é abordado de maneira interessante e séria: o foco é muito menos no suspense e no horror e mais no drama, o que deixa o filme com mais corpo. A família da trama está se desestruturando: o patriarca está desempregado, a vida sexual do casal está arruinada e o filho menor, Sam, apresenta problemas, sinais de alterações ou distúrbios mentais. O filho mais velho está com a vida começando a fugir dos eixos, atormentado pelo fato de que a vizinhança tem olhos tortos para a sua família desajustada.

Essa parte do filme em que desenvolve os personagens é consistente. A presença de J K Simmons orienta o espectador e explana sobre o mote central do filme mais adiante, embora sua presença seja reduzida e mal elaborada. Há um conflito de negação, ceticismo e crença correndo pelo filme, que tem dois momentos pelo menos perturbadores: o ataque de aves desorientadas a casa da família e um momento de horror protagonizado pelo filho mais novo da família e o seu pai. As crianças entregam boas performances e a direção, de Scott Charles Stewart, é segura (um alívio, vindo de um diretor dos fracos Legião e O Padre). Os efeitos especiais são poucos, mas bem utilizados.

Mas não dá para ignorar o fato de que o filme parece um capítulo de Arquivo X, com um viés mais dramático nessa primeira metade – há ainda heranças dos produtores de Atividade Paranormal, que assinam o filme. Isso porque em determinado momento, para descobrir o que está acontecendo na casa, o patriarca instala câmeras de vídeo (uma desculpa para tentar fazer suspense). Essa artimanha do roteiro, embora viável dentro da trama, não traz nada de inovador.

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Falta também à personagem principal um desempenho emocional no mínimo satisfatório – e aqui o problema é Keri Russell, que não convence como mãe de dois filhos atormentada por coisas estranhas acontecendo com eles dentro de sua casa. Isso vale também para Josh Hamilton, sem carisma para segurar o filme, uma vez que seu personagem, reparem, é mais complexo do que o dela, já que ele guarda sinais corporais dos invasores e parece estar surtando com a sua situação pessoal e com o que acontece na casa. Ambos carecem de estofo dramático.

Difícil suportar também os problemas de roteiro. Porque a família tranca a casa, se os invasores eram capazes de invadi-la mesmo com as portas trancadas?! E como ficam os vizinhos, que pouco ou nada interferem na vida do casal? A casa é alvejada por pássaros, o que desloca uma agente para investigar o caso – mas o resultado do acontecimento se resume a um rápido telefonema. J. K Simons, como já citado, embora seu personagem acrescente uma explicação para os fenômenos, entra e sai rapidamente, um total desperdício. A última parte do filme é prejudicada também pelo roteiro, com um desfecho ordinário que invade um lado sobrenatural deslocado com o filho mais velho do casal, antes do último ato. E o que ainda é pior, o filme parece deixar uma brecha, como uma continuação, uma situação que soa completamente deslocada do que foi visto anteriormente.

A primeira metade é sóbria e consistente e a abordagem do tema é séria e interessante. A segunda faz o filme descer ladeira abaixo.

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SINOPSE

‘Os Escolhidos’ acompanha um garoto de seis anos de idade que é marcado por um extraterrestre – escondido entre os seres humanos – para uma futura abdução.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Scott Charles Stewart” espaco=”br”]Scott Charles Stewart[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Scott Charles Stewart
Título Original: Dark Skies
Gênero: Terror
Duração: 1h 36min
Ano de lançamento: 2013
Classificação etária: 14 anos

TRAILER

2estrelas

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