OS FANTASMAS SE DIVERTEM (Crítica)

OS FANTASMAS SE DIVERTEM

FICHA TÉCNICA

Título Original: Beetle Juice
Ano do lançamento: 1988
Produção: EUA
Gênero: Comedia
Direção: Tim Burton
Roteiro: Larry Wilson, Michael McDowell, Tim Burton, Warren Skaaren

Sinopse: Após morrerem quando o carro deles cai em um rio, Barbara Maitland (Geena Davis) e Adam Maitland (Alec Baldwin) se vêem como fantasmas que não podem sair da sua casa de campo na Nova Inglaterra, pois antes que possam ganhar suas asas têm que ocupar a casa como fantasmas pelos próximos cinqüenta anos. A paz é rompida quando Charles (Jeffrey Jones) e Delia Deitz (Catherine O’Hara), um casal de novos-ricos, compra a casa. Mas os Maitland são inofensivos como fantasmas e os esforços para espantar os compradores acaba em fracasso. E se o casal não fica apavavorado, Lydia Deitz (Winona Ryder), a excêntrica e dark filha deles, pode ver e falar com Barbara e Adam, que contratam os serviços de um Beetlejuice (Michael Keaton), um “bio-exorcista”, para apavorar os moradores, apesar de sentirem simpatia por Lydia. Mas logo a situação foge do controle.

Por Kadu Silva

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Já no seu segundo filme, Tim Burton entra de vez no mundo “bizarro” que marcaria para sempre sua carreira cinematográfica.

Em Os Fantasmas se divertem, Burton cria um mundo paralelo, personagens marcantes e discute o preconceito sobre o diferente, fato também muito recorrente em seus filmes posteriores.

A história para quem ainda nunca conferiu o longa é bem curiosa, mostra um casal, Barbara (Geena Davis) e Adam (Alec Baldwin) vivendo numa cidade do interior dos EUA, onde o único objetivo deles é curtir as férias em paz. O casal sai para comprar produtos no mercado e na volta para casa sofrem um acidente, e assim acabam morrendo, só que eles só se dão conta disso um bom tempo depois, já que estão presos na casa que era deles.

Já acostumados com situação o casal vivia em paz, até que uma família nova-iorquina compra a casa, e então a dupla precisa fazer algo para expulsar os novos moradores, para voltarem a ter sua vida de antes na casa que era deles.

Não sabendo como assustador os novos moradores, para tentar expulsa-los, o casal então acaba pedindo ajuda a um fantasma bem peculiar o Beetlejuice (Michael Keanton).

Já nesse roteiro Tim Burton participa dando sua visão particular para a história. A ideia inicial era um filme mais intimista e sombrio, mas Burton, incentivado por Michael Keanton, achou que o tom de humor caia melhor para discutir a vida pós-morte.

Então Tim Burton abusa das cores, do lado bizarro e do humor negro e acido durante toda a narrativa.

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O roteiro é simples e apresenta alguns problemas, mas o grande mérito dele é saber construir personagens marcantes de forma brilhante. Além do impagável Beetlejuice que dá titulo ao longa na língua original, tem outros ótimos personagens como a Lydia interpretada perfeitamente por Winona Ryder. É através de seu personagem que Burton vai discutir o preconceito e a hipocrisia da sociedade. Lydia por ser diferente e não se enquadrar no mundo em que vive, consegue fazer a ligação direta com o mundo dos mortos.

Uma curiosidade para quem não sabe, os efeitos visuais que assistindo hoje parecem datados, na verdade não são, Burton queria mesmo que os efeitos passassem a ideia de bizarro, e então realizou todos de forma amadora – em sua visão só assim o filme conseguiria passar a ideia de comedia de outro mundo, além é claro de mostrar algo bem diferente que o espectador estava acostumado a ver.

Foi também pensando assim que no mundo dos mortos, mesmo visualmente excêntrico, alguns “problemas” corriqueiros que enfrentamos em nosso dia a dia continua lá, como a burocracia para a resolução de problemas, fila de espera e assim por diante, esse é um modo de mostrar que mesmo nesse mundo paralelo criado por Burton existe espaço para a identificação do espectador, e isso é perfeito para a conexão com a trama.

A narrativa que Burton escolhe para o filme é perfeita, já que nos momentos onde parece que o filme vai dar uma queda, ele apresenta algo novo, ou introduz uma cena inesperada. Nesse quesito a cena do jantar em família onde Catherine O´Hara começa a cantar “Banana Boat Song” e todo a família segue numa coreografia bem sincronizada é um fato emblemático no filme e com certeza uma cena clássica que marca a história do cinema mundial – impossível não cair na gargalhada.

Outro destaque é na trilha sonora que foi composta por Danny Elfman, um parceiro recorrente nos trabalhos futuros de Burton. Elfman consegue aqui criar em suas composições canções que dão o tom cômico e sombrio na medida certa, mais um acerto para que o filme se tornasse um sucesso que foi.

Os Fantasmas se Divertem apesar de uma história simples no tom cômico, consegue apresentar uma mensagem interessante sobre como lidar com o desconhecido, e como podemos se não julgarmos a situação, lidar melhor com ela. Um bom filme e que para os fãs do diretor é um filme obrigatório.

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PRÊMIOS

OSCAR
Ganhou
Melhor Maquiagem

BAFTA
Indicações
Melhor Maquiagem, Melhores Efeitos Especiais

TRAILER

3estrelas

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