OS MISERÁVEIS (Crítica)

OS MISERAVEIS

Ousado e emocionante, mas cansativo

Os Miseráveis é um famoso conto de Victor Hugo que se tornou mundialmente conhecido quando foi encenado, com grande sucesso, na Broadway, a partir desse reconhecimento, começaram as várias adaptações para o cinema.

O último vencedor do Oscar de melhor diretor Tom Hooper resolveu novamente adaptar para o cinema esse musical, com um elenco estrelar e desde o começo das primeiras informações sobre o projeto a expectativa sobre a obra só foi aumentando.

Hooper talvez para colocar sua assinatura no longa-metragem conferiu para a película duas ousadas novidades, a primeira foi realizar todo o filme cantando sem nenhum único dialogo e a segunda foi gravar ao vivo a performance vocal dos atores em o uso da manipulação eletrônica ou da dublagem, que em geral é a mais utilizada. E toda ousadia tem seu preço seja bom o ruim, a meu ver Hooper deixando todo o filme cantando em sua totalidade o deixou cansativo, pois ao assistir, temos a sensação de não ter respiro para absorver a história nas mais de 2 horas e meia de filme, mas ainda assim a linda história nos leva as lágrimas.

Bom para quem ainda não conhece a história, ela acontece em plena Revolução Francesa do século XIX. Conhecemos então Jean Valjean (Hugh Jackman) que após roubar um pão para alimentar sua irmã mais nova, acaba sendo preso na mais terrível prisão francesa e passa por lá 19 anos. Solto tempos depois, ele tenta recomeçar e encontra em um arcebispo o auxilio que precisava para isso. Apesar da liberdade condicional de Valjean, o inspetor Javert (Russell Crowe) nunca se deu por satisfeito em ver aquele homem livre e o persegue por onde ele vai.

Valjean agora com outro nome e com negocio próprio vive uma vida tranquila até descobrir que por sua omissão deixou Fantine (Anne Hathaway) ser alvo de exploradores na rua, já que tem uma filha e precisa trabalhar em qualquer coisa para sustentar a garota que está sendo criada por um casal. Valjean então tenta salvar Fantine e sua filha Cosette (Amanda Seyfried) da miséria, mas durante todo esse tempo Javert continua o perseguindo e o fazendo ameaças.

O tempo passa e Cosette agora jovem e bela conhece Marius (Eddie Redmayne) um revolucionário que quer a igualdade para o povo francês. O jovem então fica dividido em viver o grande amor com Cosette ou se juntar ao seu grupo pela revolução.

Para quem já leu o livro e conhece a história em detalhes sabe a grande existência de subtramas, e isso carrega para quem escreve o roteiro uma expectativa que ele fique bem redondo e enxuto, tudo para não o torna-lo uma narrativa cansativa. Acredito que Hooper ao cantar o enredo tinha essa intenção, mas isso trouxe para a trama uma dispersão da essência da história tudo parece acontecer muito rápido e sem envolvimento da plateia.

Os primeiros minutos do filme são excelentes Hugh Jackman e Anne Hathaway estão segurando a cantoria de forma brilhante, do segundo ato em diante há um claro excesso de músicas com atores que se mostram mais preocupados em não errar na afinação que interpretar o belo texto de Victor Hugo.

Hooper01

O romance principal vivido por Amanda Seyfried e Eddie Redmayne não empolga, primeiro porque falta química para o casal e segundo porque as canções que embalam o romance não tem grande apelo popular.

Mas o desfecho compensa, já que é extremamente emocionante e bem filmado, tirando da plateia até o “bode” do segundo ato arrastado e cansativo. A junção dos personagens principais na cena final é de levar as lagrimas tanto pela canção emocionante como pela amarração da trama que foi muito bem desenvolvida.

Tecnicamente o filme é de encher os olhos, a direção de arte é primorosa – temos a sensação que estamos diante da França do século XIX de fato, os figurinos também são belíssimos, mesmo para os miseráveis o bom gosto nos detalhes chamam a atenção. Talvez o que se encontra em menor destaque é a fotografia, talvez pelo uso de tons escuros e iluminação baixa, isso não torna a estética tão bela como poderia.

Já o elenco somente dois merecem os aplausos, e de pé ainda, Hugh Jackman e Anne Hathaway. Jackman talvez apresente seu melhor papel no cinema, além de cantar de forma perfeita, seus nuances para passar a emoção durante a narrativa chamam atenção é um brilhante trabalho. Já a Anne Hathaway é uma luz gigante em meio aos outros, quando ela está presente no filme tudo parece ficar mais iluminado, sua performance para “I dreamed a dream” é um momento antológico dentro do filme, de fazer o mais duro dos corações ficarem mexidos.

Ou seja, Os Miseráveis é um musical que talvez não agrade todos, pela sua forma ousada de contar a história totalmente em canções, mas sem dúvida essa bela história de Victor Hugo por si só consegue compensar qualquer tropeço que ele trás. Vale a pena ver no cinema e se emocionar.

DESTAQUE

Para o alivio cômico de Helena Bonham Carter e Sacha Baron Cohen – a dupla está hilária e numa química perfeita.

SINOPSE

Adaptação de musical da Broadway, que por sua vez foi inspirado em clássica obra do escritor Victor Hugo. A história se passa em plena Revolução Francesa do século XIX. Jean Valjean (Hugh Jackman) rouba um pão para alimentar a irmã mais nova e acaba sendo preso por isso. Solto tempos depois, ele tentará recomeçar sua vida e se redimir. Ao mesmo tempo em que tenta fugir da perseguição do inspetor Javert (Russell Crowe).

Hooper02

ELENCO

[do action=”cast” descricao=”Hugh Jackman (Jean Valjean)” espaco=”x”]01 Hugh Jackman[/do][do action=”cast” descricao=” Anne Hathaway (Fantine)” espaco=”x”]02 Anne Hathaway[/do][do action=”cast” descricao=” Russell Crowe (Inspector Javert)” espaco=”x”]03 Russell Crowe[/do][do action=”cast” descricao=” Amanda Seyfried (Cosette)” espaco=”br”]04 Amanda Seyfried[/do]

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Tom Hooper” espaco=”br”]Tom Hooper[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: William Nicholson
Título Original: Les Miserables
Gênero: Musical
Duração: 2h 38min
Ano de lançamento: 2013
Classificação etária: 12 Anos

TRAILER

3estrelas

Comente pelo Facebook