Oscar 2018 | Confira o top 10 filmes empoderadores da premiação

Emílio Faustino

Diversidade e empoderamento marcam a 90ª edição da maior premiação do cinema

Depois de sofrer duras críticas em 2016 por conta da pouca representatividade dos negros, o Oscar entendeu o recado e o atual momento do cinema mundial. Em 2017 tentou se redimir premiando várias produções que davam destaque aos negros e agora em sua 90ª edição contemplou não apenas os negros, mas também deu destaque para gays, transsexuais e sobretudo as mulheres que são a bola da vez.

Confira a seleção de filme empoderadores que fizemos para vocês:

“Me chame pelo seu nome”

Indicações: melhor filme, melhor direção, melhor ator, melhor roteiro adaptado e melhor canção.

Em uma época turbulenta no que se refere aos direitos dos LGBTs (com iniciativas como a da cura gay, o filme ganha um charme especial ao ser exibido por aqui. Trata-se de uma trama de amor em sua mais pura forma. “Me Chame pelo Seu Nome” traz uma história de autodescobrimento, passando pela arte e pela sexualidade, quebrando essa expectativa de forma que nos faz refletir a maneira como encaramos algumas questões bastante debatidas na sociedade e perceber que ainda temos muito o que aprender, por mais desconstruídos que tentemos ser.

“Corra!”

Indicações: Melhor filme, melhor ator e melhor roteiro original.

Corra! o primeiro terror do século XXI a concorrer ao Oscar é sem dúvida o melhor filme da primeira metade de 2017. Além de excelentes atuações e um roteiro maravilhoso, é preciso ressaltar que eles foram muito felizes ao desenvolverem um terror misturado a crítica social, mostrando o quanto o ser humano pode ser baixo e ordinário ao dissertar de forma bastante inovadora sobre o racismo. E o melhor de tudo: o terror existe sem nenhum cara mascarado te seguindo com um facão ou uma criatura de outro mundo. O terror esta no tom familiar de passivo-agressividade dos personagens.

“A forma da água”

Indicações: melhor filme, melhor direção, melhor atriz, melhor ator coadjuvante, melhor atriz coadjuvante, melhor roteiro original, melhor fotografia, melhor figurino, melhor mixagem de som, melhor edição de som, melhor desing de produção, melhor montagem e melhor trilha sonora.

Pode um homem se relacionar com outro homem? Pode uma mulher namorar um rapaz muito mais novo que ela? Pode pessoas de gostos muito diferentes darem certo? Depois de ver este filme que une uma mulher a uma criatura tão distinta, a certeza que temos é que sim, tudo pode, quando existe amor verdadeiro! O que “A forma da água” nos mostra com extremo bom gosto é que aquilo que nos une é muito maior do que aquilo que nos divide. Em tempos de amores líquidos, o filme vem para mostrar como o amor e o cinema podem ser belos. Um verdadeiro hino a este sentimento que mesmo tendo sua forma de ser condicionada em nossa sociedade, encontra novas formas de ser, existir e resistir. Destaque para a cena onde um ser “humano” branco trata como animal uma pessoa pelo simples fato de ela ser negra. O que nos faz refletir que de uma forma ou de outra, todos temos nossas diferenças e somos julgados por elas, Elisa por ser muda, a amiga dela por ser negra, o vizinho por ser gay e claro, a criatura por não ser humana. E todos mesmo fazendo parte de minorias somos falhos e julgamos o próximo.

“Três anúncios para um crime”

Indicações: melhor filme, melhor diretor, melhor atriz, melhor ator coadjuvante, melhor roteiro original, melhor montagem e melhor trilha sonora.

O grande favorito do Oscar 2018, traz como protagonista uma mulher de fibra que luta para que o trágico assassinato de outra mulher (no caso sua filha) não caia no esquecimento. Neste faroeste contemporâneo, Mildred Hayes desmestifica o sexo frágil ao comprar uma briga com a polícia da cidade alugando três outdoors em uma estrada raramente usada no intuito de chamar atenção para o caso não solucionado de sua filha. A inesperada atitude repercute em toda a cidade e suas consequências afetam várias pessoas, especialmente a própria Mildred e o Delegado Willoughby, responsável pela investigação. Além do empoderamento feminino, as questões raciais também estão presentes neste filme que tem diálogos e atuações maravilhosas.

Uma Mulher Fantástica

Indicação: Melhor filme estrangeiro

Dando visibilidade ao seguimento T do LGBT, o filme “A mulher fantastica” que representa o Chile na categoria de Melhor filme estrangeiro, conta a história de uma mulher transexual cujo namorado sofre um mal-estar súbito e morre. Além de lidar com o luto, a personagem precisa enfrentar a violência da família do falecido, que não a reconhece como namorada legítima. Sucedem-se cenas de humilhação a Marina em sua posição de transexual. O filme apresenta um painel vasto e afetuoso sobre a transexualidade, descrevendo uma série de agressões físicas e psicológicas diárias, que vão desde a ignorância alheia (um médico não sabe se a chama pelo nome social ou de batismo) até ataques motivados pelo ódio. Estas cenas combinam observação e denúncia, ou seja, vão da apreensão da realidade à interpretação da mesma, algo louvável para um tema pouco representado no cinema.

“The Post – A Guerra Secreta”

Indicações: melhor filme e melhor atriz.

O filme assinado por ninguém menos que Steven Spielberg conta a história real de uma importância publicação que auxiliou na defesa da tão importante e ameaçada liberdade de imprensa. Na trama, Kat Graham (Meryl Streep) é a dona do The Washington Post, um jornal local que está prestes a lançar suas ações na Bolsa de Valores de forma a se capitalizar e, consequentemente, ganhar fôlego financeiro. O filme contempla o empoderamento feminino, símbolo da personagem de Meryl de forma nada panfletária (felizmente) ao retratar a forma como a mulher era vista e tratada na época e como ela tinha que se esforçar para se impor e fazer suas ideias serem ouvidas em um contexto sufocantemente machista.

“Lady Bird – É hora de voar”

Indicações: Melhor filme, melhor atriz, melhor roteiro original, melhor atriz coadjuvante.

Este é o filme que conta a saga da mulher empoderada. Christine McPherson (Saoirse Ronan) está no último ano do ensino médio e o que mais deseja é ir fazer faculdade longe de Sacramento, Califórnia, ideia firmemente rejeitada por sua mãe (Laurie Metcalf). Além do empoderamento que se vê nas telas, cabe a ressalva que a indicação de Greta Gerwig a melhor diretora é apenas a quinta atribuída a uma mulher nesta categoria. Se considerarmos que em 90 edições já foram indicados 450 diretores e apenas 5 deles foram mulheres, podemos ter uma ideia melhor do quanto esta indicação é significativa.

Mudbond – Lágrimas sobre o Mississipi

Indicações: Melhor atriz coadjuvante, melhor roteiro adaptado e melhor canção.

A produção assinada pela Netflix e protagonizada por Garrett Hedlund e Jason Mitchell, conta a história de uma amizade improvável em plena época de segregação racial no sul dos Estados Unidos, o drama mistura traumas do pós-guerra com as questões raciais norte-americanas. Outro destaque do filme é a indicação de Rachel Morrison no Oscar, que entrou para a história como a PRIMEIRA muher a ser indicada na categoria de Melhor Fotografia.

Touro Ferdinando

Indicação: Melhor Animação

Nesta adorável animação, Ferdinando é um touro com um temperamento calmo e tranquilo, que prefere sentar-se embaixo de uma árvore e relaxar ao invés de correr por aí bufando e batendo cabeça com os outros. Apesar de sua aparência bruta, Ferdinando tem hábitos delicados, gosta de flores e se recusa a entrar numa tourada. De forma muito sútil o filme questiona os estereótipos que são impostos em nossa sociedade e discute o preconceito com os que simplesmente são diferentes.

“A Bela e a Fera”

Indicações: Melhor Design de Produção e Melhor Figurino.

Embora a adaptação do clássico da Disney não tenha elementos inovadores em sua trama, o live action de A Bela e a Fera entrou para história do cinema ao apresentar o primeiro personagem declaradamente gay da história da Disney. O que parece algo pequeno e irrelevante, deu o que falar na época, fazendo o filme sofrer uma série de boicotes em vários países e até mesmo aqui no Brasil por parte de alguns líderes religiosos. Mesmo com boicote, o diretor não se intimidou e deu uma aula de diversidade as crianças para que no futuro tenhamos adultos menos preconceituosos.

Sentiu falta de algum filme? Deixe nos comentários suas opiniões sobre os filmes e o Oscar 2018!

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