PAI EM DOSE DUPLA (Crítica)

PAI EM DOSE DUPLA

3emeio

Por Juca Claudino

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“Pai em Dose Dupla” consegue nos divertir. Não é uma comédia que necessariamente se encontra muito acima da média dos seus concorrentes, mas o embate entre os personagens Brad (Will Farrel) e Dusty (Mark Wahlberg), totalmente opostos entre si, gera momentos que de fato conseguimos ser levados a algumas gargalhadas com as bizarrices que se envolvem. Todavia, a partir do momento em que o filme assume a proposta de uma comédia “besteirol”, o roteiro gera algumas barreiras ao objetivo da película: é repetitivo e utiliza-se demasiadamente de clichés, tornando as piadas do filme (e o filme em si) previsíveis, perdendo o fator surpresa dos acontecimentos e desarmando o humor de alguns momentos cômicos (é como tentar rir de novo com a mesma piada, algo que certamente já nos deparamos em diversos outros filmes de comédia que seguem o estilo de “Pai em Dose Dupla”).

O diretor Sean Anders já não é um estranho no ninho quando o assunto é “comédia sobre família” (não de família, mas sobre família). Além de “Pai em Dose Dupla” (seu quinto longa como diretor, segundo dados da IMDb), “Família do Bagulho” e “Este é Meu Garoto” são outros títulos que também abordam o núcleo familiar como a arena na qual as piadas serão expostas. Dessa vez, ele aposta em dois arquétipos diferentes que se confrontarão para ser o “pai preferido” de duas crianças: Brad, um parvo, imbecil e ingênuo pelo excesso de inocência que carrega em sua mentalidade, vivido por Will Ferrell; e o narcisista, malicioso, malandro e egocêntrico Dusty, vivido por Mark Wahlberg. A atuação de ambos no filme já é o suficiente para que identifiquemos esses dois arquétipos, e assim já entendamos a maneira como agem e pensam sem muitas dificuldades. O primeiro é o padrasto que busca a aprovação de Megan e Dylan (os filhos) para que o amem e o aceitem como parte da família, sendo extremamente responsável e amável com as crianças, embora não tenha tanto sucesso nessa sua missão. O segundo, o “pai biológico” das crianças, que guarda um carinho por elas mas não tem a menor responsabilidade para ser pai, e portanto interfere de forma mínima no processo de criação e socialização de seus filhos mesmo que, vejam, Megan e Dylan o amem e o aceitem como “pai”. A disputa entre o “padrinho” e o “pai biológico” para ser o “pai preferido” de Megan e Dylan é o foco central do filme, e para tanto, ele estabelece alguns preceitos que de certa forma podem inclusive gerar um incômodo: a ideia de pai como o “macho-alfa” é em alguns pontos abordada, e o conceito de família definido pelo “american way of life” é fortíssimo na película toda. É claro que essas definições irão permitir que a disputa entre Brad e Dusty seja coerente no universo de “Pai em Dose Dupla”, mas em diversos momentos do filme você deve se perguntar “por que necessariamente as crianças devem escolher ou Brad ou Dusty para amar mais? Isso é um tanto desumano…”. Bom, além disso, outro fator desperta uma certa curiosidade: como o foco do filme é uma disputa que busca interesses egoístas, muitas vezes “os filhos” são mostrados mais como “objetos de desejo”, gerando uma objetificação desses personagens. É claro que a ideia do filme é nos fazer rir e ponto, sendo politicamente correto ou não. Mas esses detalhes não conseguem ficar em branco (por mais que no final, o filme tente uma redenção por esses incômodos todos).

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Dois personagens opostos lutando por um objetivo que disputam. A ideia é um grande cliché, mas ter um cliché como sinopse não é sinal de um filme bom ou ruim (seja lá o que bom ou ruim quer dizer para você). “Pai em Dose Dupla” se estrutura como se cada cena fosse uma nova batalha entre Brad e Dusty, e nessas batalhas temos os episódios cômicos que o filme apresenta. É fato que uma das definições mais antigas para a comédia é o conceito de que “rimos daquilo que julgamos inferior a nós”. No caso, o filme é bem coerente a esse ponto de vista, e com isso consegue gerar uma diversão: no fim das contas, o filme nos anima com a dimensão bizarra que a competição assume. Todavia, poderia ter mais graça se o roteiro, escrito pelo diretor Sean Anders, além de Brian Burn e John Morris, não utilizasse mais clichés e situações extremamente previsíveis durante boa parte do decorrer do filme. Isso faz com que a comédia caia para mais próximo de um humor senso comum e diminua seu potencial cômico. Falar isso não é nenhuma novidade comparado aos filmes que surgem como “concorrentes” de “Pai em Dose Dupla”. As comédias que são discípulas do mesmo estilo cometem a mesma coisa. O fato de haver um público muito fiel a esses filmes, que busca exatamente assistir essa fórmula, torna películas como essa de Sean Anders certeiras de um ponto de vista comercial. Quando, embora, decide-se colocar esse filme em cartaz durante a temporada de filmes que estão na corrida do Oscar, presume-se que as expectativas quanto ao lucro deste no Brasil não são tão altas assim. Com requintes de Sessão da Tarde, embora algumas vezes se incline um pouco para a acidez, “Pai em Dose Dupla” consegue superar, em questão de divertimento, os filmes mais recentes de Will Ferrell (talvez com excessão de “Tudo por um Furo”, sequência de “O Âncora: A Lenda de Ron Burgundy”), embora em questão de roteiro seja mais do mesmo tendo em vista o que estamos habituados a ver do ator nos últimos cinco anos – que é o grande chamariz do filme, já que o maior especialista do gênero em ação aqui, aos olhos de seu público alvo, é o ator de 48 anos.

Um filme “Sessão da Tarde”, tendo em vista alguns pensamentos regados do “American Way of Life”, com um roteiro repleto de clichés. Baseando-se no contexto de “Pai em Dose Dupla”, nenhuma novidade sobre isso. Mas que o filme consegue ser divertido, sim, isso fato. Tem um potencial comercial suficientemente forte, mesmo que esteja sendo lançado não só em meio aos filmes que estão na corrida dourada do Oscar mas de mesma forma junto com “Os Dez Mandamentos – O Filme”, cuja a expectativa sobre o lucro é grande. O filme de Sean Anders consegue atender às exigências de seu público muito bem. Vamos ver como o filme se sairá nas bilheterias brasileiras.

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SINOPSE

Brad (Will Ferrell) é executivo em uma rádio e se esforça para ser o melhor padrasto possível para os dois filhos de sua namorada, Sarah (Linda Cardellini). Mas eis que Dusty (Mark Wahlberg), o desbocado pai das crianças, reaparece e começa a disputar com ele a atenção e o amor dos pimpolhos.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Brian Burns, Sean Anders e John Morris
Título Original: Daddy’s Home
Gênero: Comedia
Duração: 1h 36min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: 12 Anos
Lançamento: 28 de janeiro de 2016 (Brasil)

TRAILER

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