PAIS E FILHAS (Crítica)

Elisabete Alexandre

Uma tocante mensagem de difícil compreensão, principalmente para quem nunca passou pela situação, ou sequer tido contato com alguém que o tenha. São anos de estudo na psicologia e psiquiatria para concluir que traumas de infância podem, e provavelmente serão, repercutidos na fase adulta, de forma bastante negativa, claro. Nem todos os problemas psicológicos podem ser simplificadamente justificados por “repressão sexual”, nem tudo é sexo, mesmo que no filme esse argumento bastante apelativo é, de certa forma, ainda utilizado.

Em Pais e Filhas, Katie (Amanda Seyfried) é uma mulher que não consegue se relacionar romanticamente com nenhum homem devido a um trauma de infância relacionado ao pai, Jake (Russell Crowe), um romancista famoso. Ironicamente, ou não, ela é estudante de psicologia e trabalha em um centro de apoio a crianças com problemas familiares. O filme não segue uma ordem cronológica, ele é não-linear, faz um zig-zag entre passado e presente, recurso comumente usado em romances escritos. Tal estrutura funciona muito bem na literatura, porém é bastante cansativo na tela e a vontade de pausar o filme para que continuemos a vê-lo em um outro momento torna-se grande. Como colocar um marca página naquele ponto de leitura do seu livro de cabeceira, a fim de continuar a lê-lo no dia seguinte. Ritmo lento, muito lento, escolhido pelo diretor Gabriele Muccino, conhecido pelos seus dramas que nos fazem chorar, como À Procura da Felicidade, mas culpo muito mais o roteirista por ter transformado o filme num verdadeiro Rivotril em HD.

Sou do tipo que acredita que o cinema pode transformar temas restritos à determinadas áreas em assuntos universais, e essa mágica cabe ao roteirista. Escrito pelo estreante no assunto, Brad Desch, Pais e Filhas, infelizmente, tem um roteiro arrastado que não aproveita em nada a relevância que é falar de traumas de infância, assunto tratado por boa parte das pessoas como “frescura”. Mesmo com a decepção do mau aproveitamento de argumento, em contrapartida, há o elenco com leves e felizes surpresas. Aaron Paul, Octavia Spencer e Jane Fonda, mesmo que em papéis bem pequenos, foram um deleite para mi. Russell não precisa nem ser citado, não é mesmo? Ele fez o que já era esperado. Já Amanda Seyfried não me convence, acho que ela ainda precisa mostrar muito o seu potencial como atriz, se é que ele realmente existe, principalmente em papéis dramáticos e principais como o do filme.

Pais e Filhas, que na verdade é de 2015, estreia na próxima quinta-feira no Brasil, e me pergunto: já que demoraram tanto para colocar esse filme no circuito brasileiro, por que não esperar um pouco mais e lançá-lo próximo ao dia dos pais? Mesmo acreditando que a bilheteria não o sustentaria, ao menos não merecidamente, até com essa a apelação.

Poster Pais e Filhas

SINOPSE

Katie (Amanda Seyfried) não consegue se relacionar romanticamente com nenhum homem, se diz incapaz de amar. Enquanto tem um comportamento destrutivo, ela tenta superar o trauma de infância relacionado ao pai, Jake (Russell Crowe), um romancista famoso, que a deixou assim e, finalmente, seguir em frente com a sua vida.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Gabriele Muccino” espaco=”br”]Gabriele Muccino[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Brad Desch
Título Original: Fathers and Daughters
Gênero: Drama
Duração: 1h 56min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: 16 Anos
Lançamento: 19 de maio de 2016 (Brasil)

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