PANTERA NEGRA (Crítica)

Kadu Silva

O Poder da representatividade

Pantera Negra, poderia ser somente mais um filme de super-herói lançando no cinema, mas ele vai muito além. O longa é o primeiro grande filme do gênero protagonizado e composto com quase 100% de atores negros, além de ser um filme que consegue tocar em diversas feridas sociais e políticas de uma forma muito poderosa.

O filme mostra os acontecimentos no reino de Wakanda, logo após o pai de T’Challa (Chadwick Boseman), ter morrido na viagem que eles fizeram aos Estados Unidos. Fato ocorrido no filme Capitão América: Guerra Civil. No longa, T’Challa se prepara para assumir o reinado, mas alguns imprevistos ocorrem durante o processo.

O roteiro do também diretor, Ryan Coogler (Creed: Nascido para Lutar) e do estreante em longas-metragens Joe Robert Cole é uma verdadeira obra-prima, principalmente por conseguir introduzir a forma Marvel, seus ideais e convicções como negros, e por usar a história fantástica de um super-herói para deixar uma mensagem poderosa de que o mundo precisa evoluir urgentemente. O texto da dupla é a todo momento recheado de alfinetadas (BRILHANTES) para diversos setores, países e para o ser humano que ainda é envolto ao racismo, a misoginia, o preconceito e diversos outros males, sem contar ainda uma direta ao atual presidente dos Estados Unidos passou batido.

Além disso, o filme faz uma linda e merecida homenagem ao continente africano, muitas vezes deixado de lado em tudo que envolve o mundo, só sendo lembrado como fonte de exploração. O cuidado em mostrar rituais, cores, dialetos, as tribos, a música, a vestimenta, foi pensado com muito carinho, tanto é que inevitavelmente o filme traz uma nostalgia da animação O Rei Leão.

PANTERA NEGRA (Crítica)

O elenco formado por: Chadwick Boseman (Deuses do Egito), Michael B. Jordan (Fruitvale: A Última Parada), Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão), Danai Gurira (O Visitante), Letitia Wright (O Passageiro), Daniel Kaluuya (Corra!), Andy Serkis (franquia Planeta dos Macacos) entre outros, é mais uma dos acertos do filme, se não bastasse isso, todos estão excelentes em seus papeis.

Vale menção ainda a forma como a mulher é mostrada sem distinção de gênero na história, inclusive quando acontece o choque de cultura em que um norte-americano questiona ao um homem de Wakanda se uma das personagens não sabe falar em inglês, ela elegantemente o “destrói”, dizendo que ela fala como ela quiser.

Outro destaque do filme é o arco do vilão, Erik (Michael B. Jordan), que é extremamente competente frente a maioria dos filmes da Marvel, existe um ótimo desenvolvimento desde sua origem até o clímax final e o principal, seus os propósitos para agir de forma maléfica são coerentes e aceitáveis.

Tecnicamente o filme também é quase perfeito, a fotografia da primeira mulher a ser indicada ao Oscar na categoria, Rachel Morrison é mais uma vez brilhante, sabendo explorar a luminosidade quente de Wakanda contrapondo com o ar cinza dos Estados Unidos, sem isso ficar incomodo ao espectador. A montagem é outro excelente destaque, dando o ritmo perfeito para que as cenas de ação e os diálogos dramáticos, extremamente importantes tivesse o tempo ideal na narrativa. Direção de arte, figurinos, maquiagem, tudo impecável, o único porém é sobre os efeitos visuais, que não são tão bem acabados, assistindo em 3D fica menos evidente o problema, mas em algumas cenas, ainda salta aos olhos.

Pantera Negra é uma obra poderosa, cheia de apontamentos importantes para que o ser humano reflita e tente evoluir, uma verdadeira obra-prima!

Pôster de divulgação: PANTERA NEGRA

Pôster de divulgação: PANTERA NEGRA

SINOPSE

A história de T’Challa (Chadwick Boseman), príncipe do reino de Wakanda, que perde o seu pai e viaja para os Estados Unidos, onde tem contato com os Vingadores. Entre as suas habilidades estão a velocidade, inteligência e os sentidos apurados.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Ryan Coogler” espaco=”br”]Ryan Coogler[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Ryan Coogler, Joe Robert Cole
Título Original: Black Panther
Gênero: Ação
Duração: 2h 14min
Classificação etária: 12 Anos
Lançamento: 15 de fevereiro de 2018 (Brasil)

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