PARA AQUELES EM PERIGO (Crítica) – MOSTRA SP

PARA AQUELES EM PERIGO1

3emeio

Por Kadu Silva

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Sempre que assisto um filme com narrativa rebuscada, fico me perguntando, o que levou o diretor a escolher tal formato para sua película? Afinal, imagina-se que ao fazer um longa metragem a ideia é que ele seja apreciado por o maior número de pessoas possíveis. E escolhas alternativas nem sempre, ou quase nunca cai no gosto popular. Ok é questão de escolha.

Eu entendo tal escolha rebuscada, alternativa, autoral, quando a história apresenta nuances que justifique tal caminho, no entanto quando se tem uma história simples e sem um clímax interessante, tudo parece um experimento ou até um certo capricho do diretor, nada mais.

Esse longa Para aqueles em Perigo se enquadra nesse caso, a história é simples, Aaron é um jovem escocês que foi o único sobrevivente de um acidente náutico, onde seu irmão e alguns amigos morrem. Mas Aaron não consegue digerir o acontecimento e passa a entrar numa depressão sem medidas.

O filme acompanha o surto do jovem que começa na missa de sétimo dia de seu irmão e se estende durante toda a projeção, se tornando cada vez mais intensa. O interessante da direção do estreante Paul Wright é que ele utilizou o formato de imagem VHS, para ilustrar as lembranças do passado do jovem, além de imagens televisivas para as cenas do acidente, mesmo sendo tudo ficcional, o recurso dá ao longa um caráter documental bem interessante.

Outro show da direção é com o uso do som, para quem estudou cinema, as escolhas do diretor para passar o sentado angustiante do personagem são de tirar o fôlego (brilhantes), a trilha agregada as imagens deixa o espectador com claustrofobia e sempre que ele sai daquele momento de sufoco o som para, como se fosse um alivio. O recurso é feito em algumas cenas, sempre bem executadas.

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O roteiro também de Paul, foi baseado no livro Those in Peril de Wilbur Smith, e infelizmente se resumiu em mostrar a visão paranoica do personagem principal. Esse formato da narrativa, deu para o longa a sensação que teria algo a mais, uma explicação sobre o acidente, ou até o que levou o jovem a perder a sanidade após a tragédia, mas ficou somente na intenção e isso infelizmente acaba tirando a satisfação final com o desfecho do longa, é como se estivéssemos esperando algo acontecer com grande ansiedade e essa coisa não surge. O diretor até foge um pouco de sua narrativa, apresentando no desfecho elementos fantásticos, que por mais que tenha sentido, ainda assim não consegue agradar.

Mas além das boas sacadas do diretor, o filme ainda apresenta alguns pontos bem favoráveis a seu favor. O primeiro é o bom elenco, com destaque para George MacKay, que faz o Aaron, o ator não carrega na loucura do personagem, encontra com grande precisão o timing perfeito para mostrar o estado mental que a tragédia deixou em seu psicológico.

Ainda destaca-se a edição que foi fundamental para o resultado de angustia e sufocamento que o personagem principal entra no decorrer da trama. E isso aliando ao brilhante trabalho de som que já citei acima, são os destaques técnicos do longa.

Para aqueles em Perigo apesar de mostrar grande técnica do diretor em executar sensações, deixa e muito a desejar no quesito envolvimento, já que a história não tem atrativos que leve o espectador a comprar ou se sensibilizar com o seu desenrolar.

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DESTAQUE

Para a trilha sonora que cai de forma perfeita nas alucinações do personagem.

SINOPSE

Aaron, um jovem desajustado numa isolada comunidade escocesa, é o único sobrevivente de um estranho acidente de pesca que custou a vida de cinco homens, incluindo seu irmão mais velho. Dominada pelo folclore local e pela superstição, a comunidade culpa Aaron pela tragédia, fazendo dele um pária dentro da vila. Recusando-se a acreditar que seu irmão está morto e por um misto de dor, loucura e delírio místico, Aaron sai em sua busca.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Paul Wright
Título Original: For Those in Peril
Gênero: Drama
Duração: 1h 24min
Ano de lançamento: 2013
Classificação etária: 14 anos

TRAILER

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